SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Dúvidas relacionadas com estados de conservação de moedas

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Sigiloso
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor Sigiloso » quarta nov 05, 2014 7:40 pm

Nota 1000

RenatoPereira
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor RenatoPereira » quarta jul 27, 2016 10:07 pm

Já me disseram maravilhas de um mergulho em Coca-Cola.

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silvio2
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor silvio2 » sexta jul 29, 2016 12:51 pm

Com o devido respeito, recuperei este texto, "perdido" algures no meio deste mesmo Tópico, pela informação importante que apresenta ...
Estudante Escreveu:Boa noite caros Foristas

Primeiramente, peço desde desculpa pela extensão do meu comentário. Seguidamente, o que escrevo é apenas a minha opinião pessoal e que apesar de ter uma visão algo polémica sobre o assunto, respeito qualquer que seja a filosofia tida por todos aqueles que opinam sobre esta matéria em concreto.
Este é claramente o tópico que atualmente detenho maior interesse. Levei tempo a ler as treze pág. deste tópico e constatei que o velho dilema - limpar ou não limpar - continua presente na numismática portuguesa assim como a nível mundial. Existe grande discussão no mundo da numismática sobre se se deve limpar peças numismáticas ou deixá-las com a sua pátina temporal. Existe uma “fação” que respeita e valoriza a pátina da moeda, existindo uma tabela de valorização da pátina pela sua tonalidade, abrangência e profundidade. E existe a outra “fação” que defende a limpeza da peça, restituindo a esta a “vida” e “dignidade” que antes detinha.
Pessoalmente, defendo a limpeza das moedas por várias razões. Em primeiro lugar, para mim a pátina da moeda não é mais do que sujidade acumulada durante anos ou séculos. Eu sou colecionador de metais (leia-se moedas) e aprecio a nobreza do metal, não coleciono sujidade acumulada. Não me interessa se a pátina é negra, castanha, verde, amarela ou cinza-azulada pois estas pátinas apenas determinam em que tipo de solos estiveram enterradas as moedas ou a que tipo de exposições tiveram sujeitas (oxido ou humidade). Que satisfação posso retirar de um ceitil ou de uma moeda romana (daquelas que compro em lotes por limpar) com uma pátina uniforme e na maior parte das vezes elevada, que não me deixa saber de que metal é feita ou me deixa ver o relevo desta? Pelo catálogo? Não é a mesma coisa! E o que fazer com as moedas que são cunhadas agora? Devemos pô-las ao ar para sentirem o passar do tempo e com isso valorizarem, ou preservá-las para o futuro? Atentem aos espécimes numismáticos que ultimamente foram vendidos por maior valor e digam-me que tais peças não tiveram processos de limpeza aprofundada! Não acredito.
E nas moedas de bronze? Deve-se deixar aquela pátina verde ou negra e arriscar que por baixo dessa pátina a moeda esteja doente (doença do bronze) e a degradar-se lenta e continuamente?
Se pusermos uma barra de metal durante um ou dois séculos exposta aos mais diversos elementos, obviamente ela ficará oxidada, suja e possivelmente com humidades acumuladas. Mas se a partirmos ao meio, o seu interior será brilhante e a sua cor viva.
No entanto, cada metal tem o seu processo de limpeza e (ok, agora podem-me chamar de hipócrita) metais como o cobre e o bronze ficam muito mais bonitos com uma coloração mais escura, que respeita a idade do metal. Como tal, ácidos nestes dois metais, nunca.
Não defendo nem concordo com limpezas agressivas na linha da filosofia “quero ver a minha moeda e é já”, pois apenas vão levar à destruição ou dano da peça. Como tal, não defendo a eletrólise, pois frequentemente esta é feita por curiosos que não a sabem fazer e que leva irremediavelmente a ruina da peça. Para quem não tem conhecimento, este método para além de retirar as incrustações (quando tira!), sujidades e consequentemente a pátina, retira também metal da peça o que frequentemente e inevitavelmente destrói o numisma. A eletrólise feita a baixa voltagem, por curtos períodos de tempo e intercalada com outras técnicas, em mãos bastante experientes, pode trazer algumas vantagens, mas os riscos são demasiado elevados. Estes métodos extremos (ultra sónicos, lazer, etc.), são de risco e como tal não os defendo.
Mas o tema é limpeza das moedas e como tal vou passar a esse tema. Vou tentar dividir por metais, fases de limpeza e finalizar com a conservação.
Primeiro vou começar pelos materiais e ferramentas necessárias.

A primeira ferramenta e mais importante é… paciência!! E às vezes muita!! Mas no fim compensa.

Façam-se reunir de palitos e pauzinhos chineses (afiados com um apara lápis, dão uma excelente ferramenta e não fere o metal), uma escova de dentes (eu uso uma elétrica), uma pinça para moedas e uma lupa com pelo menos 10 dioptrias. Ah, e também papel de cozinha (mais tarde perceberão porquê).

Metais como ouro, prata, cuproníquel, níquel, alumínio, alpaca, podem ser limpos – como já foi descrito em comentários anteriores – com uma solução de uma parte de amoníaco para duas de água (não da torneira), com Marpal ou outros líquidos idênticos. Qualquer sujidade mais agarrada pode ser tirada com um palito, enquanto a moeda está “de molho”. A moeda irá ficar com um aspeto luzidio e novo ficando pronta para a fase de conservação. Se não gostarem do aspeto brilhante, deixem a moeda ficar ao ar durante uma semana e seguidamente conservem-na. Sobre estes metais não há mais a dizer pois a limpeza é rápida e sem necessidade de grande técnica.

Bronze e Cobre

Em primeiro lugar há que distinguir oxidação de sujidade e de incrustação. A oxidação nestes metais, torna-os escuros, baços o que torna a moeda “morta”, sem nenhum brilho. A sujidade… bem, é sujidade e não fica bem numa moeda. Identifica-se como pontos mais negros por cima da oxidação, geralmente mais no bordo da moeda, no relevo da letra e no desenho (locais mais propiciadores para a acumulação de sujidade) do que na parte lisa de moeda. A incrustação é o resultado do peso dos séculos sobre a moeda. Define-se como incrustação uma crosta que cobre parcialmente ou completamente a moeda. Esta constitui o maior desafio à nossa paciência. Esta pode ser mais ou menos espessa, tapando o metal e muita das vezes o relevo das letras e desenhos. Pode até ter o aspeto de uma pedra rugosa que se não fosse o facto de sabermos estar lá uma moeda, deitaríamos para o lixo. Neste exemplo extremo, às vezes dá vontade de pegar num martelo e desferir alguns golpes com ele na dita (também resulta, mas não aconselho).

Desincrustação e limpeza

Dos primeiros textos que li sobre este tema foi publicado neste fórum a 10 de Maio de 2008 por Luís Santos (R2D2), sobre a limpeza de moedas em bronze. Apesar da metodologia ser na base a descrita nesse texto, este peca por simplismo e por não dar perceção do tempo que leva a limpar uma moeda em estados diferentes. Na parte da conservação, pelo contrário e apesar da base ser idêntica, descreve um processo demasiado complexo. Mas sobre esta parte… já lá vou.
Pegue-mos em moedas com quase dois milénios, com incrustações de tal ordem que retiram legibilidade à moeda ou mesmo que não a identificam como tal. Todos os textos que li sobre limpeza de moedas, são unânimes no mesmo: grande parte dos óleos são amigos dos metais e o melhor de todos, por todos referenciado é o… azeite. Para além de ser um óleo tem uma qualidade reconhecida e bastante útil neste processo: é um antioxidante. No entanto, podem ser utilizados óleos como o de camélia (como referido no tal texto mas que ainda não descobri onde comprar, portanto não posso aferir da sua eficácia), WD40 (resulta mas dá uma tonalidade estranha ao metal), de amêndoas doces (muito mais fácil de adquirir e posso comprovar a sua eficácia), entre outros uma vez que existe sempre algo no mercado que ainda não foi experimentado e há sempre novos produtos a aparecer. Porém, deve-se ter sempre atenção ao utilizar novos produtos. A regra deve ser experimentá-los em moedas de muito baixo valor para não correr o risco de danificar uma peça rara e valiosa. O processo de limpeza por óleo é lento e requer bastante manutenção, no entanto é o mais tradicional e para mim o mais correto (tirando a parte da desincrustação, na qual utilizo outro processo).
Mais recentemente, combinei parte do texto anteriormente referido com uma técnica que, sinceramente, me causou alguma desconfiança quando a li, mas que hoje em dia é a que utilizo para desincrustação de uma moeda e que passo a explicar.

Desincrustação com água

Materiais: Agua desmineralizada ou destilada, detergente de lavar loiça (utilizo o concentrado), álcool etílico (etanol), escova de dentes e luvas de borracha (após escovar 50 ou 60 moedas… abençoadas luvas!).

O principio, apesar de estranho, tem lógica. A água desmineralizada, “esfomeada” por metais sacia-se naqueles que cobrem a moeda. O detergente é o agente gorduroso que ajuda a amolecer a crosta e a limpar a sujidade. E o álcool ajuda a água a entranhar a camada de crosta mais profunda. Este método requer mudança de água de três em três semanas com consequentes escovagens.
Portanto, põe-se num recipiente de plástico ou vidro o detergente, dispõe-se as moedas, enchesse com água e adiciona-se o álcool. Quanto às proporções de cada… não se aplica nenhuma métrica, imperando apenas o bom senso. Só mais um pormenor, eu ponho a água quente antes de a adicionar. O principio é o da dilatação e da retração dos metais pela temperatura, como por exemplo os portões das casas que no verão custam a fechar e no inverno até fecham bem demais. Esta dilatação é micrométrica, ajudando o metal a descolar de todos os elementos estranhos à moeda e não danifica a moeda. Escova-se a moeda entre mudanças de água. Este processo pode levar entre três a oito meses, dependendo do grau de incrustação. Depois da moeda estar desincrustada, então passa à fase de limpeza com óleo.

Qualquer que seja o método onde se utilize água, nunca se deve utilizar água da torneira pois esta contém metais que podem interagir com o metal da moeda, danificando-a.

Limpeza com azeite

Basicamente é por a moeda de “molho” em azeite. Este terá de ser mudado de duas em duas semanas (+ ou -. Vê-se quando o azeite fica num tom azulado. Eu só troco quando esse tom azulado começa a ficar transparente pois aí é quando o azeite começa a perder eficácia), escovando após a primeira semana e na troca do azeite. O papel de cozinha entra neste processo, para embeber o máximo de azeite da moeda antes de a escovar . Dependendo do grau de limpeza ou desincrustação que a moeda precise, este processo pode levar entre quatro meses a ano e meio.
Ultimamente tenho experimentado misturar 50% de azeite com 50% de óleo de amêndoas doces e parece-me que dá bons resultados. O óleo de amêndoas doces dura mais tempo para ter de ser mudado porque é mais viscoso e o azeite executa o seu efeito antioxidante. Porém, é uma experiencia e ainda não tirei conclusões definitivas.

Estes métodos retiram toda a sujidade da moeda, inclusive o verdete. O que nos bronzes é o mais correto pois esse verdete pode esconder doença que continuamente degrada a peça. Qualquer destes métodos trava esse processo de degradação definitivamente.

Conservação

Nos anos 50, o museu de Londres debruçou-se com a problemática da conservação das suas peças. Do estudo que fez, nasceu uma cera microcristalina que pode ser utilizada em metais, madeiras, cristais, marfim, etc.. Desde então, esta cera é utilizada por este museu e outros o seguiram. Esta chama-se “Renaissance Wax” e para além de se adquirir de uma forma relativamente fácil, a sua aplicação é extremamente fácil. Pano (que não deite pelos), cera (à vontade), esfregar a moeda, outro pano, esfregar a moeda (polir) e já está. Não amarelece, não racha, não altera a tonalidade da moeda, pode-se manusear a moeda que não deixa impressões e se por algum motivo se tiver de remover a cera, basta um pano com aguarrás (White Spirit).
Em complemento utilizo caixas “Quadrum”, mas apenas por motivos estéticos e de arrumação.

Este texto não pretende ser uma referência na matéria e está de longe inacabado. Existem outros métodos e cada vez mais aparecem novos produtos ou são descobertos outros que já existiam, que cumprem a função. Inclusivamente já li algo sobre limpa carpetes e estofos. No entanto, estes que descrevo são métodos já com experiencia comprovada e que em segurança, podem ser utilizados.

Espero ter de alguma forma ajudado.

Cumprimentos

Carlos Estudante
Cumprimentos,
Sílvio Silva

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numisnor
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor numisnor » sábado jul 30, 2016 10:18 pm

E que bela recuperação! Já agora onde adquirir a "Renaissance Wax"?
Acho que as minhas "princesas" devem achar interessante: http://forum-numismatica-notafilia.com/viewtopic.php?f=17&t=996

Cumprimentos
Carlos Neves
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor Jorge Silva » domingo jul 31, 2016 9:32 am

Em drogarias ou estabelecimentos de restauro.

http://www.restaurarconservar.com/epage ... x-200ml%22
Cumprimentos

Jorge Silva

" A medalha deve ser acarinhada como uma arte nobre da escultura ".

https://betaleiloes.net/os_meus_leiloes.php

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numisnor
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor numisnor » domingo jul 31, 2016 10:47 am

Obrigado.
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Lucas wds
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor Lucas wds » quarta nov 02, 2016 7:08 pm

Algumas moedas minhas estão com a famosa "porcaria" que sai do PVC. Sabão de coco pode ser usado para tirar isso? Ele reage com metal? Além disso, eu posso colocar os alvéolos diretamente no PVC, ou eles serão afetado também?

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fernanrei
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Re: SOBRE A LIMPEZA DAS PEÇAS.

Mensagempor fernanrei » segunda abr 24, 2017 2:20 pm

Um tópico muito interessante cheio de conselhos úteis. Agradeço o seu interesse e preocupação nesta matéria que é de facto um assunto ainda muito envolto em controvérsia.

Cumprimentos.
:D FMMRei :D


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