Texto sobre estados de cons.

Dúvidas relacionadas com estados de conservação de moedas
MCarvalho
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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor MCarvalho » terça abr 05, 2011 8:53 pm

E também estou com dúvida na classificação porque encontrei um vendedor que classifica Soberba e Flor de Cunho separadamente. Qual então é a 'melhor'?


Flor de Cunho é o estado acima de Soberba. Será uma moeda absolutamente perfeita, se em Soberba se admitem algumas marcas ligeiras de contacto, por exemplo, na Flor de Cunho isso já não será admitido.

Como nunca vi nenhuma moeda Flor de Cunho, considero um estado de conservação teórico, um ideal. Mas pode ser que ainda veja alguma e mude de ideias.
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cargil48
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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor cargil48 » terça abr 05, 2011 9:16 pm

Eu recebi dentro das compras que tenho feito algumas moedas em estado FDC. Como saídas ontem da INCM... O seu brilho não engana.

Agora, que estou a classificar as moedas uma a uma (por estar a registá-las na folha de Excel que o "jardineiro" amavelmente nos tem cedido) confesso que tenho algumas dificuldades em separar os conceitos de Bela/Soberba e BC/Regular. Onde começa um conceito, onde termina o anterior? É muito uma questão pessoal e de interpretação.

MCarvalho
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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor MCarvalho » terça abr 05, 2011 9:24 pm

A moeda pode estar a sair agora mesmo da casa da moeda, ser apanhada numa pano de veludo e não estar Flor de Cunho, terá sempre um mínimo sinal de abrasão, um pequeno toque que o disco sofreu antes de entrar no cunho, algo que é aceitável numa moeda Soberba (repito, o melhor estado que eu já vi) mas não numa Flor de Cunho.

Os estados de conservação não são opiniões pessoais nem interpretações subjectivas, são o resultado de uma observação criteriosa, informada e da experiente.
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cargil48
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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor cargil48 » terça abr 05, 2011 9:34 pm

MCarvalho Escreveu:Os estados de conservação não são opiniões pessoais nem interpretações subjectivas, são o resultado de uma observação criteriosa, informada e da experiente.

Assim diz a teoria. Na prática vemos que os conceitos tendem a ser um tanto "elásticos"... O que até se poderá compreender até um certo limite. Mas, como disse recentemente um forista, o importante é o que um coleccionador acha da sua colecção. É assim que eu procedo, tentando também (ou em primeiro lugar) não me iludir a mim próprio.

PS: Quando referi ter recebido algumas moedas FDC, de facto não vejo qualquer tipo de dano ou marca. Chegaram-me às mãos acondicionadas nos alvéolos e vistas à lupa estão limpas. Mas, como não lucro em nada em considerá-las FDC pois não as vou vender, passarei a considerá-las Soberbas nos meus registos.

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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor MCarvalho » terça abr 05, 2011 9:37 pm

Na prática vemos que os conceitos tendem a ser um tanto "elásticos"


Enquanto coleccionadores e amadores, sim, percebo essa subjectividade. Mas levando as coisas a sério, como as leiloeiras de maior prestígio ou as associações numismáticas, a atribuição de estados é bastante rigorosa e objectiva, poderá haver, como em tudo que é humano, alguma ligeira subjectividade, mas não entra a questão do gosto pessoal ou do "acho que".
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Mensagempor mb_collection » terça abr 05, 2011 9:43 pm

- Proof
- Soberba
- Quase soberba
- Bela
- Quase Bela
- Lindo MBC
- MBC +
- MBC
- MBC -
- BC+
- BC
- BC-
- Regular




:erofl: :erofl: :erofl:

Parece-me quase uma tabela de notação financeira... risos... falta acrescentar o estado JUNK... aquele que classifica todas as moedas (independente do metal) que vão para a fundição e que agrega todos os outros estados.

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vladiaqueiroz
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um pouco de transcendência ao papo tão pragmático

Mensagempor vladiaqueiroz » sexta abr 08, 2011 4:01 am

Fico me perguntando se é justo classificar uma moeda que nunca circulou na mesma classificação das moedas circulantes. Será que alguém aqui consegue compreender esse meu ponto de vista? O fato é que colecionar moedas pra mim não é investimento. Também não é um simples registro histórico de um fato, uma data comemorativa, um presidente, seja o que for a temática da moeda. Colecionar moedas para mim é colecionar vontades e desejos que fizeram aquela moeda chegar às minhas mãos. É colecionar a energia acumulada pelos anos, a história impregnada na matéria: em seus riscos, em seus danos. Mas não a história das datas e sim a história vivida das mãos que a tocaram. Muito romântico? Muito subjetivo? Pode ser, acho que sim. E acho que só por isso me interesso verdadeiramente pela numismática. Porque posso tocar algo que atravessou gerações, que foi motivo de guerras e que ainda assim também foi motivo de cuidado, de resistência. Uma bela ou soberba ou seja qual a classificação dada à moeda é aquela que foi mais forte que o tempo e mais amada também. Mas e as moedas que nunca circularam? Que nunca cumpriram a sua função de moeda? Que atravessaram anos sem serem tocadas, em embalagens transparentes, sendo vendidas a peso de ouro. Mas nunca colocaram um pão na mesa, nunca chegaram às mãos de uma criança, nunca foram um trocado que seja, logo elas que nasceram pra serem trocados ou trocadas. Tenho algumas destas moças, consideradas "flores", mas tenho mais compaixão por elas que amor. Por outro lado, tenho outras moças que talvez mais gastas ou mais vividas ganharam um peso mais forte que elas mesmas, de um desvalor cheio de charme e graça que jamais me faria ter compaixão por elas. São moças mundanas, profanas, moças da rua, da esquina, moças que sabem cada quinhão que valem e por isso os únicos sentimentos que podem despertar é desejo, é paixão. Então, será que é justo atribuir os mesmos valores a destinos tão estranhamente distintos?

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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor cargil48 » sexta abr 08, 2011 8:12 am

@vladiaqueiroz:

Enquanto coleccionadores e amadores, sim, percebo essa subjectividade. Mas levando as coisas a sério, como as leiloeiras de maior prestígio ou as associações numismáticas, a atribuição de estados é bastante rigorosa e objectiva, poderá haver, como em tudo que é humano, alguma ligeira subjectividade, mas não entra a questão do gosto pessoal ou do "acho que".

Cada coleccionador tem as suas motivações, isso é com ele. O que aqui importa é o estado de conserevação das moedas, e aí só conta mesmo isso: o estado em que elas estão.

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vladiaqueiroz
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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor vladiaqueiroz » sexta abr 08, 2011 2:22 pm

cargil48 Escreveu:@vladiaqueiroz:

Enquanto coleccionadores e amadores, sim, percebo essa subjectividade. Mas levando as coisas a sério, como as leiloeiras de maior prestígio ou as associações numismáticas, a atribuição de estados é bastante rigorosa e objectiva, poderá haver, como em tudo que é humano, alguma ligeira subjectividade, mas não entra a questão do gosto pessoal ou do "acho que".

Cada coleccionador tem as suas motivações, isso é com ele. O que aqui importa é o estado de conserevação das moedas, e aí só conta mesmo isso: o estado em que elas estão.


Oi cargil48,

Como eu coloquei no titulo, a idéia do que escrevi foi justamente deixar o pragmatismo de lado um pouco. Porque acredito, e isso não se trata de "achismo" que a conceituação subjetiva persiste pareada à conceituação pragmática. Óbvio que um Van Gogh vale pelo nome Van Gogh e o valor que os 'marchans' atribuem a ele. Mas se não fosse a subjetividade, se não fosse o sentimento que envolve fruidor e obra certamente Van Gogh não seria Van Gogh. Da mesma forma encaro a numismática. Claro que existe todo um mercado em torno e no mundo que vivemos tudo é capitalizável, principalmente o dinheiro, seja ele circulável ou não. Mas se não fosse o lado subjetivo, ou como você mesmo diz, as motivações dos colecionadores nem esse mercado existiria. Existe porque há um desejo pela perfeição, pelo belo enquanto perfeito, não pelo belo enquanto imanência. O mercado profissional supre uma necessidade humana de chegar a ausência de falhas, de chegar ao divino, apenas isso. O mercado existe feito pelos homens e para os homens, ele não paira acima da nossa vontade, do nosso desejo. O que movimenta o ser humano é antes de tudo um sentimento, como diria Damásio, o neurobiólogo. E talvez, quase no com certeza, digo a mesma coisa porque sou artista de profissão e enxergo a realidade por um prisma diferenciado. Mas o que eu digo, digo de mim, não se trata de uma verdade universal, digo do ponto de vista de pesquisadora também, no qual me enquadro, e de quem percebe que a mais pragmática das decisões é antes de tudo pessoal, é antes de tudo um desejo a ser cumprido. Agora sim, talvez, esse é um tipo de avaliação um pouco estranha a este fórum, e por isso a divisão do que é ou não é "levar a sério".

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Re: Texto sobre estados de cons.

Mensagempor MCarvalho » sexta abr 08, 2011 2:45 pm

Óbvio que um Van Gogh vale pelo nome Van Gogh e o valor que os 'marchans' atribuem a ele.


Isso é outra questão completamente diferente.
Quando digo que os estados de conservação devem ser vistos como sendo objectivos, refiro-me apenas a isso: a avaliação do aspecto físico da moeda, nada mais.
O seu valor comercial, estético, histórico, a sua procura de mercado é algo completamente diferente, que é realmente subjectivo e aí variará, claro, conforme o coleccionador, conforme até as épocas históricas.
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