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MensagemEnviado: sábado jan 20, 2018 9:59 am 
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Reinado D.Sancho I
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Registado: terça mar 28, 2017 8:00 pm
Mensagens: 2551
Caros ilustres, por ser um tema pouco assertivo dado a escassez de informação, abro este tópico apenas para falarmos um pouco sobre a opinião geral do grupo, em relação a um assunto, que a mim pessoalmente gera muito desconforto quanto observo algumas moedas mais raras e mais valiosas dessa época, que chegam até nós e apresentam uma estampagem tosca e muito pouco rigorosa, e mais,depois de ter circulado pelo território Português moedas bem mais antigas e com uma qualidade francamente superior, Como é o caso das Romanas. Ora bem, o que pensam os senhores das moedas que ostentam sinais Reais e até mesmo imagens da família soberana? Esses Cunhos não eram inspeccionados antes de começarem as cunhagens? Pessoalmente não acredito que fosse possível emitir moeda com essas marcas toscas, e em alguns casos, até se pode dizer que ridicularizavam a imagem do Rei, como é o caso de alguns Morabitinos, em que o D. Dinis mais parece um "careto " em cima de uma mula. É neste contexto intelectual que gostaria de ver as opiniões dos caros ilustres, no sentido crítico construtivo e convergente. Cumprimentos a todos. :thumbupleft:

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MensagemEnviado: sábado jan 20, 2018 10:33 am 
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Reinado D.Filipe III
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Registado: segunda nov 08, 2004 4:35 pm
Mensagens: 788
Localização: Lisboa/Caxias
fernanrei Escreveu:
...Pessoalmente não acredito que fosse possível emitir moeda com essas marcas toscas, e em alguns casos, até se pode dizer que ridicularizavam a imagem do Rei, como é o caso de alguns Morabitinos, em que o D. Dinis mais parece um "careto " em cima de uma mula. É neste contexto intelectual que gostaria de ver as opiniões dos caros ilustres, no sentido crítico construtivo e convergente. Cumprimentos a todos. :thumbupleft:


O que se passou após o fim do império romano foi uma regressão civilizacional na qual se perderam muitos dos avanços técnicos alcançados nesse período. Não nos esqueçamos que após os romanos passámos pela Idade Média considerada a Idade das Trevas.


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MensagemEnviado: sábado jan 20, 2018 1:39 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

Registado: sexta nov 05, 2004 9:55 pm
Mensagens: 7844
Não devemos confundir modelos e correntes artísticas (sensibilidades) com as capacidades técnicas e tecnológicas. A amoedação romana e a amoedação medieval não são assim tão diferentes do ponto de vista técnico e de controlo de qualidade. A fundição dos metais, a sua ligação, a cunhagem e a pesagem (tecnologia) foram sensivelmente iguais até à introdução da cunhagem mecânica.

Do ponto de vista estético, e é isso que procura debater, há questões a ter em conta. Os modelos realistas dos romanos foram deixados de lado. Não por retrocesso, ou por se entrar numa "Idade das Trevas" (termos aliás que não é usado, a Idade Média é bem mais sofisticada em termos culturais e tecnológicos - na agricultura, na navegação, na mecanização, até (os moinhos de vento são medievais) e na arquitetura do que se pensa). Ora, a alteração da sensibilidade estética foi feita no sentido da procura simbólica, em vez da cópia exacta da realidade.

A grande responsabilidade desta mudança - do concreto (Antiguidade) para o símbolo (Idade Média) é o Cristianismo (não só, já no final do Império Romano isso estava a acontecer dentro do paganismo). Para os antigos, a natureza e o homem eram a medida e a causa de tudo. A sua representação (daí se chamar realista) deveria ser fiel à Natureza, seguindo aquilo que Aristóteles dizia sobre a estética: a Arte deve imitar a perfeição da Natureza.

Os cristãos viam a Natureza como manifestação do que terreno, baixo. O corpo humano, em vez de ser celebrado (como entre os gregos e romanos), passou a ser considerado mau - pecado.

De certa maneira, foram não só buscar (que era de onde vinham) princípios orientais baseados no simbolismo, mas também os príncipios da escola grega platónica (sobre a Arte, Platão dizia que não deveria imitar aquilo que vemos, meras representações de sombras, de enganos - a Arte deveria ser a Ideia, o conceito - é por isso que ele valorizava a abstracção - as formas geométricas simples, por exemplo - e as artes não figurativas, como a música). Ao enquadrarem isso na sua filosofia estética, a Arte Cristã, primeio como os bizantinos, depois com os Romanos Católicos, foi desenvolvendo modelos de representação simbólica - cruzes, formas, esquemas, modelos bidimensionais que, através de imagens simples, cumpriam o seu dever.

Portanto, mais do que falarmos em retrocessos ou evoluções, estamos a falar de mudança de mentalidade. Para o rei medieval e os seus súbditos, a sua imagem poderia bem ser uma estilização de um humano com os símbolos reais - coroa, o ceptro e as armas. A sua imagem é generalizada - mais ou menos igual ao avô, igual ao filho e igual ao neto - o que ele representava era um modelo (que aliás ia de encontro à representação do próprio Cristo).
Para o imperador romano, a sua imagem tinha que ser realistas, um homem e, preferencialmente, representado com um corpo modelado na perfeição. Cada imperador tinha a sua individualidade, o seu rosto (digo isto, mas se virmos com atenção, no final do Império, já com o cristianismo, isso foi mudando).

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MCarvalho


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MensagemEnviado: segunda jan 22, 2018 12:55 pm 
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Reinado D.Sancho I
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Registado: terça mar 28, 2017 8:00 pm
Mensagens: 2551
De forma alguma, refiro a representação realista das imagens dos soberanos. O que eu quero evidenciar, é a má qualidade das gravuras apresentadas em algumas moedas, coisa que a meu ver, não seria compatível com as técnicas usadas e com as capacidades dos artesãos nacionais. Não é necessário aprofundar muito a argumentação, basta olhar para alguns monumentos e documentos dessa época para se perceber que há qualquer coisa que não faz sentido. D. Afonso Henriques foi educado pelo D. Egas Moniz de Ribadouro, descendente de uma das cinco famílias mais influentes do condado de Portucalense e tenho a certeza que D. Sancho I deve ter tido uma educação equivalente. Os Ribadouro eram detentores de valores nobres e a arte fazia parte do quotidiano deles, para quem interessar, basta ir a Britiande em Lamego e visitar os vários locais onde se pode ver a marca deixada por eles. Agora para terminar, estou convencido que as moedas de ouro mandadas cunhar pelo D. Sancho I e seguintes, respeitavam níveis de cunhagem altos e sofriam um rigoroso controlo de qualidade, mas isto é a minha opinião. :green:

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