Qual foi a causa.

Moedas cunhadas desde D.Afonso I até D.Pedro P.Regente

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Jorge Silva
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Qual foi a causa.

Mensagempor Jorge Silva » sábado jan 02, 2016 3:11 pm

Como não sou entendido em processos de produção de moeda batida, tive sempre esta duvida, o que é que se passou ou o que é que correu mal, neste processo de batimento de moeda, passo a explicar:
Comparando as moedas batidas desde as moedas Hispano Romanas até há I dinastia e sucessivamente até quase ao fim dos reinados onde se bateu moeda, observo que as moedas anteriores há Monarquia Portuguesa eram moedas menos toscas, haverá alguma razão para essa causa efeito, vejo moedas romanas com um estilo e com esculturas que metem qualquer moeda (nem todas) da nossa era a um canto, as moedas romanas tem mais de mil anos, mas as suas esculturas (nem todas) são de uma qualidade impressionante.
E passados mil anos as primeiras dinastias apresentam o que está há vista, será que os romanos tinham mais tempo para a sua execução, será que estavam mais evoluídos na área da metalurgia, será que eram mais dotados nas artes, será que para eles a moeda tinha outro sentido além das trocas de mercadorias, será que para eles era importante um bom cartão de visita (moeda), ou será que havia mais alguma coisa, a moeda para os nossos governantes não passava de um pedaço de metal tosco com legendas toscas, para trocas comerciais agrícolas e pouco mais, era mesmo o básico e como tal não precisavam de muitos floreados.
Cumprimentos

Jorge Silva

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soga80
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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor soga80 » sábado jan 02, 2016 7:57 pm

Concordo consigo, já me tinha posto essa questão... Algumas de agora são muito simples , e mais antigas mais bonitas.

tony_
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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor tony_ » sábado jan 02, 2016 10:12 pm

Acredito que tinham bons gostos,orgulho :think:
Repare-se agora nas moedas que temos...
Cumps
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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor Jorge Silva » domingo jan 03, 2016 10:49 am

É por esse motivo, o das moeda que temos ( a moeda com maior inovação e de execução bastante complexa ) hoje.
Para não referir os prémios internacionais que foram atribuidos á incm.

PRÉMIOS E GALARDÕES ATRIBUÍDOS À INCM

1993 - Prémio, pela World Coin News, para a melhor moeda corrente - 200$00 - Bimetálica - Garcia de Orta. Autor: José Cândido;
1998 - Prémios, pela XX Conferência de Diretores de Casa da Moeda, para a melhor moeda comemorativa em desenvolvimento tecnológico, - 500$00 - Bimetálica Lamelar - 150 Anos do Banco de Portugal. Autor: Irene Vilar;
2000 - Prémio, pela World Coin News, para a melhor moeda histórica - 200$00 - IX Série: moeda comemorativa da Chegada à ͍ndia, integrada na coleção dos Descobrimentos Portugueses. Autores: Isabel Carriço e Fernando Branco;
2000 - Prémio, pela World Coin News, para a melhor moeda comemorativa -1000$00 - Ano Internacional dos Oceanos - (prata). Autor: Espiga Pinto;
2004 - Prémio da XXIII Conferência dos Diretores de Casas da Moeda (MDC - Mint Directors Conference), San Francisco (EUA), para a moeda tecnicamente mais avançada na categoria de moeda comemorativa, em ouro proof, dos anos de 2002 e 2003 - 5 Euro - 150 Anos do Primeiro Selo Português - Ouro proof. Autor: Vitor Santos;
2004 - «Premio Internazionale Vicenza Numismatica», promovido pela Unione Filatelica e Numismatica Vicentina, Itália, atribuído à moeda de coleção Futebol é Paixão, como a mais bela de 2003 - 8 Euro, em prata. Autor: José Teixeira;
2005 - Menção Especial «Vicenza Palladio», atribuída pela Unione Filatelica e Numismatica Vicentina, Itália, para a moeda Centro Histórico de Évora, como a moeda com a representação arquitectónica mais bela de 2004 - 5 Euro, em prata. Autora: Eloisa Byrne;
2009 - Prémio de Melhor Moeda Comemorativa Portuguesa de 2008, atribuído pelo Fórum dos Numismatas, para a moeda de coleção comemorativa «Alto Douro Vinhateiro» da série património mundial classificado pela UNESCO - 2,5 euro, em prata. Autor: Armando Alves;
2010 - Prémio de Melhor Moeda Comemorativa Portuguesa de 2009, atribuído pelo Fórum dos Numismatas, para a moeda de coleção comemorativa «O Morabitino de D. Sancho II» da série Tesouros Numismáticos Portugueses - 2,5 euro, em ouro. Autor: Rui Vasquez;
2010 - 2.º Prémio na categoria de Melhor Embalagem Criativa de 2010, atribuído pela XXVI Conferência dos Diretores de Casas da Moeda (MDC - Mint Directors Conference), Camberra, Austrália, para a embalagem da moeda do «Finalista». Autor: Rita Nicolau;
2011 - Prémio de Melhor Moeda Comemorativa Portuguesa de 2010, atribuído pelo Fórum dos Numismatas, para a moeda corrente comemorativa «Centenário da República Portuguesa» - 2 euro. Autor: José Cândido;
2012 - Prémio de Melhor Moeda Comemorativa Portuguesa de 2011, atribuída pelo Fórum dos Numismatas, para a moeda corrente comemorativa «O Português de D. Manuel I» - 7,5 euro. Autor: Andreia Pereira;
2012 - Prémio de Melhor Moeda Comemorativa de 2 € de 2011, atribuída pelo Fórum dos Numismatas, para a moeda corrente comemorativa «Fernão Mendes Pinto - 500 Anos do Nascimento» - 2 euro. Autores: Isabel Carriço e Fernando Branco;
2012 - Prémio para o Melhor Set Oficial da Europa de 2011, atribuído pelo Fórum dos Numismatas, para a Série Anual 2011 (BNC). Autor: Rita Nicolau.
2013 - Menção Especial do Prémio Internacional Vicenza Numismática para a melhor moeda cunhada em 2012, promovido pela Unione Filatelica e Numismatica Vicentina, Itália, para a moeda corrente comemorativa «Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura» - 2 euro. Autor: José de Guimarães;
2014 - Segundo lugar na categoria «Moedas Clássicas» dos Prémios Coin Constellation, atribuído à moeda de coleção comemorativa «A Degolada», da série Tesouros Numismáticos Portugueses - 5 euro. Autor: Rui Vasquez.
Cumprimentos

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor tiago.a » domingo jan 03, 2016 12:24 pm

Desconhecia esses prémios todos ganhos pela incm.

Na minha opinião, regra geral, as moedas comemorativas antigas são mais apelativas e com trabalho mais minucioso que as actuais de euro.

A meu ver actualmente a Áustria é o país com autênticas obras de arte em moedas.

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor carlos47 » domingo jan 03, 2016 1:01 pm

bem não é grande coisa, 5 prémios e 2 menções em 22 anos

não creio que se deva contabilizar os prémios atribuidos a nós proprios, nem às embalagens

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor soga80 » domingo jan 03, 2016 10:11 pm

Tb não sabia ,boa informação...

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor Mmatos » domingo jan 10, 2016 9:46 pm

Jorge Silva Escreveu:... as moedas romanas tem mais de mil anos, mas as suas esculturas (nem todas) são de uma qualidade impressionante.
E passados mil anos as primeiras dinastias apresentam o que está há vista, será que os romanos tinham mais tempo para a sua execução, será que estavam mais evoluídos na área da metalurgia, será que eram mais dotados nas artes, ...


Por alguma razão se chama ao período da Idade média a Idade das Trevas, pois nessa altura regrediu-se muito em termos civilizacionais em variados aspectos, nomeadamente nas artes e nos desenvolvimentos técnicos que no período romano tinham atingido um patamar bastante elevado. Não nos esqueçamos da influência da Igreja católica romana e a sua santa inquisição que perseguia tudo e todos, incluindo os que diziam que a Terra é que girava à volta do Sol.

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor Jorge Silva » domingo jan 10, 2016 10:32 pm

Amigo Matos, concordo em absoluto, esse tempo, foi um período escuro, a idade média, onde predominava a religião há ciência, foi o tempo da caça ás bruxas, também havia génios, sem dúvida, mas como tal não se manifestavam muito, tinham medo de perder a cabeça.
Cumprimentos

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Re: Qual foi a causa.

Mensagempor EngTrig » terça jan 12, 2016 7:47 pm

Boa noite, interessante questão esta, que acompanha toda a história da civilização ocidental.

De facto, depois do seu nascimento na Ásia Menor, a moeda ganhou grande desenvolvimento na Grécia antiga, tanto nas artes metalúrgicas (associadas a minas de prata muito abundantes), como nas artes da gravura numismática, aproveitando um maior módulo e peso das moedas gregas. As suas gravuras, inicialmente emblemáticas ou representando entidades mitológicas, começam a mostrar os retratos dos governantes.

Segundo o professor Philip Grierson, os gravadores do período helenístico parece que tinham prazer nas obras que faziam, de tal forma que assinavam os cunhos que iam abrindo, com pequenos sinais e letras do seu nome. De todas elas, as mais famosas obras-primas dessa época são as famosas tetradracmas de Siracusa (na colónia grega da ilha de Sicília), que pesavam cerca de 17 g de prata.

A grande diáspora da arte da moeda dá-se com as conquistas de Alexandre o Grande da Macedónia (336-323 a.C.), que levam a arte numismática até à India. Mais tarde, os Romanos assimilaram a arte da Grécia antiga e fizeram-no de uma forma bem personalizada, aproveitando ao máximo aquilo que a moeda metálica tinha para oferecer, além de ser um sinal de valor e instrumento de troca: a propaganda do seu editor, das famílias nobres que a mandavam cunhar e se faziam retratar nas gravuras. Um sistema de propaganda que teve o seu zénite na cunhagem imperial, por todos reconhecida como uma das mais importantes características das amoedações imperiais romanas: as novas conquistas eram divulgadas, os novos senhores, ou imperadores, todos se faziam retratar e através das moedas davam-se a conhecer aos seus concidadãos. A arte do retrato em moeda conheceu então um fulgurante desenvolvimento, que terminou com as invasões bárbaras e a divisão do império em dois.

A partir das invasões germânicas, perdeu-se a tradição numismática antiga, a moeda passa a ser um espelho desse período de trevas. Outras coisas se perderam, como por exemplo, o segredo romano de fazer vidro, que só seria redescoberto séculos mais tarde.

A época do Renascimento Italiano, dos séculos XIV a XVI, é uma época de redescobrimento da arte do retrato numismático, à maneira dos romanos. Era através da então nascida arte da medalha que os príncipes, reis e altos dignitários se davam a conhecer nas suas fisionomias, inclusive eram por medalhas que as noivas ficavam a conhecer o prometido noivo. Até aos nossos dias.

Quando hoje em dia se ouve um artista, um escultor, moderno e espevitado, dizer que a sua arte da medalha ou da moeda, pretende "desconstruir", em vez de construir, as gravuras numismáticas, temos aí a raiz dos problemas actuais. Ninguém lhe ensinou que a moeda metálica, esta mesma dos nossos dias, continua a ser um grande veículo de propaganda, um mensageiro da nossa história e da nossa cultura, que importa saber aproveitar.

Fazer da moeda uma arte abstracta sem nexo nem sentido, só para gáudio do seu autor, só para dizer aos colegas que ele é um artista moderno, é recusar toda a secular tradição numismática da civilização europeia ocidental, é cair novamente na barbárie dos tempos da idade das trevas.

Melhores cumprimentos,
A Trigueiros


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