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 Assunto da Mensagem: História da vida de uma nota.
MensagemEnviado: quinta out 20, 2005 10:22 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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História da vida de uma nota.

Desde que comecei a interessar-me um pouco mais pela notafilia portuguesa que tive uma grande curiosidade em saber qual era o percurso normal da vida de uma nota.
Desde a sua concepção, impressão, circulação, até entrar nos fornos para serem queimadas.
Nunca encontrei literatura, nem pessoas, que pudessem responder a este meu desejo.
Deixo aqui o desafio.

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Celso.
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 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sexta out 21, 2005 10:50 am 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Creio que uma boa base de trabalho para abordar o problema é tentarmos identificar, com minúcia, as diversas etapas por que passavam as notas portuguesas.

1. Identificação da necessidade.

2. Decisão sobre a emissão.

3. Escolha do valor facial da nota e quantidade de emissão.

4. Elaboração do projecto de nota.

4.1. Escolha do motivo principal da nota.
4.2. Concurso, ou convite, a artistas nacionais, ou estrangeiros, para elaboração de esboços do motivo principal da nota.
4.3. Escolha do tipo de papel e da Casa Estampadora.
4.4. Apresentação de propostas de nota com todos os elementos que a constituem.
4.5. Selecção das linhas gerais que devem constar na nota.
4.6. Apresentação de provas.

5. Aprovação da nota.

6. Impressão da nota.

7. Impressão do texto complementar nas oficinas do Banco de Portugal.

8. Entrada em circulação.

9. Recolha e destruição.

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MensagemEnviado: sexta out 21, 2005 5:30 pm 
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Reinado D.José

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Penso que também pode falar sobre notas com erros de impressão.

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MensagemEnviado: sexta out 21, 2005 5:46 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Registado: sexta nov 05, 2004 10:15 pm
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1. Identificação da necessidade

Esta necessidade de novas emissões de notas era diagnosticada num Serviço de Notas, ou Comissão de Notas, do Banco de Portugal que apresentava propostas ao Conselho de Administração do Banco. O Banco de Portugal, em consonância com o Governo, decidia o teor da emissão em reunião do seu Conselho de Administração.

A emissão de papel-moeda pretende sempre atingir determinados objectivos, nomeadamente:

1.1. Satisfazer as necessidades da economia nacional, especialmente do comércio.

As notas de 50 centavos, de Escudo, de 2$50, de 5$00 e 10$00 foram emitidas devido à falta de trocos em moedas metálica.
Nesta altura estavam já em circulação as notas de 500 reis chapa 3, de 1000 reis chapa 3, de 2500 reis chapa 4, de 10.000 reis chapa 4, de 50.000 reis chapa 4 e de 100.000 reis chapa 2.
Todas estas notas foram retiradas de circulação nos anos de 1928 e 1929 (salvo as notas de 100.000 reis retiradas em 1926, devido ao aparecimento de falsificações).
Algumas delas foram substituídas por moeda metálica, caso das moedas de 50 centavos e Escudo, datadas de 1924, 1925 e 1926, em bronze-alumínio; as alpacas, a partir de 1927; o cavalinho de 1928; e as caravelas a partir de 1932.
Nas notas, foi mantido o valor facial de 20$00 que se manteve até 1986, com a chapa 9.

1.2. Ajustar os valores faciais das notas à realidade económica do país.

Devido à inflação, com maior ou menor significado, e ao aumento das trocas comerciais, internas e externas, tornou-se necessário aumentar a massa monetária em circulação e ajustar os valores faciais das notas às necessidades actuais. Assim, foram sendo retiradas de circulação alguns valores mais baixos e apareceram novos valores. É conhecido o caso da primeira nota de 5.000$00 datada de 1942, com a efígie da Rainha D. Leonor, que não chegou a circular por não ser considerado oportuno e que acabaram por ser queimadas em Fevereiro de 1974.
A chapa 1 de 5.000$00, de António Sérgio apareceu datada de 1980. As notas de 2.000$00 apareceram datadas de 1991 e as de 10.000$00 de 1989.

1.3. Substituir uma chapa em que se notaram falsificações.

As falsificações eram muito frequentes nas notas, especialmente no tempo da monarquia.
Nas emissões em escudos, ocaso mais conhecido de falsificações é a nota de 500$00 chapa 2, de Vasco da Gama – fraude conhecida por “Angola e Metrópole”, com Alves Reis à cabeça.

1.4. Outros motivos imprevistos.

Houve várias chapas que, por várias razões, não chegaram a circular. Houve duas que circularam muito pouco tempo e foram retiradas no seguimento do assalto à Agência do Banco de Portugal da Figueira da Foz, em que foram roubadas 12.000 notas de 500$00 chapa 9, D. Francisco de Almeida e 18.500 notas de 1.000$00 chapa 9, D. Diniz.

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 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sexta out 21, 2005 11:08 pm 
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Reinado D.Maria II

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Continue que estou a gostar de ler! :Spt

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Fernando Oliveira
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 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sábado out 22, 2005 6:01 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Registado: sexta nov 05, 2004 10:15 pm
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2. Decisão sobre a emissão.

Este é, para mim, um dos vários “pontos negros”.
Quem dava a ordem para dar início ao processo?
Identificada a necessidade, creio que o Banco de Portugal tinha autonomia suficiente para avançar com o processo.
É natural que houvesse uma conversa prévia entre o Ministro das Finanças e o Governador do Banco, em que este expunha as suas razões.

Contribuições de outros foristas são importantes.

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MensagemEnviado: sexta out 28, 2005 9:57 pm 
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Reinado D.António
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Não posso contribuir com nenhuma informação importante mas pode continuar que estou a gostar muito deste tema .... :claps :claps :claps

Luis Mestre


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 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sábado out 29, 2005 5:31 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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3. Escolha do valor facial da nota e quantidade de emissão.

O valor facial das notas e a quantidade em circulação era determinado pelo Governo.

Inicialmente, ainda no tempo do Banco de Lisboa (antepassado do Banco de Portugal), esta questão estava contemplada nos sucessivos contratos firmados entre o Governo e o Banco.
Nas primeiras notas surgiu um facto curioso: Na Carta de Lei, de 31 de Dezembro que aprovava a criação do Banco de Lisboa estava determinado que os valores para as primeiras notas seriam de 20.000, 50.000 e 100.000 réis. Estes valores foram alterados, em 30 de Março de 1822, com a aprovação dos valores de 19.200 (4 moedas), 48.000 (10 moedas) e 96.000 (20 moedas), com base na unidade de conta Moeda=4.800 réis.
Nesta primeira fase o Banco de Lisboa poderia emitir as notas que entendesse desde que tivesse condições de pagamento, em metal, do valor das notas emitidas. As notas eram convertíveis, não tinham curso forçado, apenas o Estado as recebia nas Repartições de Finanças, em pagamentos, como sendo dinheiro de metal. Os particulares e os credores do estado não eram obrigados a aceitar estas notas.

Pela reforma de 1931, Lei nº. 19869, de 9 de Julho – chamada 4ª. Reforma do Banco de Portugal – o quantitativo em circulação era determinado mais em harmonia com as necessidades do Tesouro do que com as necessidades da economia. Nessa altura o limite de circulação fiduciária foi fixado em 2.200.000 de contos podendo ser aumentado por acordo entre as partes.

A lei orgânica do Banco aprovada pelo DL nº. 644/75, de 15 de Novembro – 8ª. Reforma do Banco – não explicitava os tipos de notas que o Banco emitiria, devendo os diversos tipos de notas e respectivas chapas ser submetidos a aprovação do Governo, sendo as suas características publicadas em Diário da República. Isto permitiu a introdução de novos valores, nomeadamente o de 5.000$00, datado de 1980.
Refira-se que, nesta época, Portugal tinha valores de inflação superiores a 20%. Em 1986, as notas de 20$00 foram retiradas de circulação, o mesmo acontecendo, em 1987, às notas de 50$00. Deste modo foi adaptado o tipo de notas em circulação à economia real.

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 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: segunda out 31, 2005 9:25 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Foi com alguma leviandade que iniciei este tópico.
Em boa verdade, não tinha nada preparado. Este é um assunto sobre o qual eu gostaria de fazer um pequeno apontamento, meramente particular, quando tivesse pachorra.
Neste momento não tenho tido muita disponibilidade e tenho sentido uma dose elevada de preguicite, o que tem condicionado a minha presença, de uma forma mais activa, neste tópico.
As minhas desculpas pelo facto, em especial aos amantes da notafilia.

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Celso.
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MensagemEnviado: segunda out 31, 2005 10:17 pm 
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Reinado D.António
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Registado: terça nov 16, 2004 11:31 pm
Mensagens: 927
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Não tem problema. Mas quando tiver pachorra ... continue... ok? :Spt :Spt

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Luis Mestre
Nota a nota a colecção cresce ...mas nunca estará completa.

http://notasmundocolecionador.blogspot.com/2009/12/cedulas-alentejo-distrito-beja.html

http://www.bialto.pt/active_auctions.php?PAGE=1&user_id=191&category=


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