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MensagemEnviado: quinta nov 03, 2005 5:51 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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4. Elaboração do projecto de nota.

4.1. Escolha do motivo principal da nota.


Tomada a decisão de avançar para a preparação da emissão de uma nova chapa, com o mesmo ou um valor facial diferente, dá-se início à fase de elaborar o Projecto de Nota.

A escolha do motivo principal da nota, bem como outros desenhos ou adornos, é importante, quer sob o ponto de vista estético, como por aquilo que possa representar na nossa história colectiva.
As primeiras notas do Banco de Lisboa foram desenhadas por Domingos António de Sequeira (1768-1837), pintor oficial da Corte, e uma das maiores figuras da pintura portuguesa da sua época e que, curiosamente, era detentor de 13 acções do Banco. Utilizou essencialmente figuras alegóricas.
O Banco de Lisboa dispunha de uma Estamparia que gozava de um estatuto autónomo, com contabilidade própria, podendo, inclusive, contratar pessoal. O principal responsável era um director técnico, normalmente o artista gravador mais credenciado, e que estava subordinado à Direcção do Banco.
Nesta fase inicial, o projecto de cada nota era da responsabilidade do director técnico da Estamparia e a Direcção do Banco limitava-se a dar o parecer final.
As notas eram de grande simplicidade, uni-faces, monocromáticas, exigindo apenas uma chapa na sua impressão. Nos finais do século XIX eram já mais elaboradas, com impressão nas duas faces, com policromia, e desenhos mais elaborados, procurando dificultar as falsificações.

Mais tarde, nos princípios do século XX e nas últimas chapas em réis, a estampagem passou a ser efectuada no estrangeiro e a Direcção do Banco chamou a si a escolha dos motivos a figurar na nota. Na maioria dos casos o Banco fornecia chapas gravadas, ou elementos isolados (desenhos, vinhetas, retratos, e outros) para serem integrados no trabalho final dos estampadores estrangeiros.
È interessante verificar que durante a chamada 1ª. República, logo após a queda da monarquia, foram escolhidas personalidades ligadas à causa liberal, nomeadamente Passos Manuel, José Estêvão Coelho de Magalhães, Borges Carneiro, Gomes Freire, Duque de Palmela, José da Silva Carvalho e outros, não aparecendo nas nossas notas nenhum Rei de Portugal.
Na 2ª. República, foram escolhidos vários Reis de Portugal, com início em D. João I, na chapa 6 de 1.000$00, prosseguindo com D. Afonso Henriques, D. Filipa de Lencastre, D. Dinis, D. Maria II e D. Pedro V nas chapas seguintes com o mesmo valor facial. D. João IV e D. João II tiveram honras apenas em notas de 500$00, chapas 8 e 10, respectivamente.
No entanto, em ambos os períodos foram consideradas figuras importantes das letras, da cultura e da nossa história em geral, tais como Luís de Camões, João de Deus, Alexandre Herculano, Eça de Queirós, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Pedro Nunes, Francisco Sanches, D. Nuno Álvares Pereira, Marquês de Pombal, Vasco da Gama e tantos outros.
No pós 25 de Abril de 1974, foram emitidas notas com valores diferentes, tendo sido privilegiados homens das letras, da ciência e da cultura, como Teófilo Braga, António Sérgio, Antero de Quental e Egas Moniz.
Em 1991, tornando-se necessário colocar mais notas em circulação e atendendo à futura Comemoração dos Descobrimentos e à comemoração, em 1996, dos seus 150 anos, o Banco decidiu-se por uma nova “família” de notas. Dela fizeram parte a chapa 13 de 500$00, com João de Barros; a chapa 13 de 1.000$00 com Pedro Álvares Cabral; a chapa 2 de 2.000$00, com Bartolomeu Dias; a chapa 3 de 5.000$00 com Vasco da Gama e a chapa 2 de 10.000$00 com o Infante D. Henrique. Com esta família de notas pretendeu-se também uniformizar os elementos de segurança destinados ao público e facilitar os sistemas de tratamento automático de notas.


A imagem da nota que se apresenta serve apenas para dar uma ideia do que eram essas primeiras notas.
Desta nota de 10 moedas foram emitidas 87.000 exemplares, utilizadas 10 chapas para a sua impressão, sendo a primeira emissão datada de 20-08-1822 e a última emissão datada de 17-07-1846.
É visível (um pouco acima das assinaturas) a marca de água utilizada nestas notas: o nome do Banco “Banco de Lisboa” e uma malha reticular em toda a superfície da nota.

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Celso.
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MensagemEnviado: quinta nov 03, 2005 8:24 pm 
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Reinado D.António
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Mais uma boa lição... Obrigado :Spt

~ Já agora por curiosidade quanto pode valer uma nota como a da imagem ~

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Luis Mestre
Nota a nota a colecção cresce ...mas nunca estará completa.

http://notasmundocolecionador.blogspot.com/2009/12/cedulas-alentejo-distrito-beja.html

http://www.bialto.pt/active_auctions.php?PAGE=1&user_id=191&category=


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MensagemEnviado: quinta nov 03, 2005 10:02 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Registado: sexta nov 05, 2004 10:15 pm
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Localização: S. João do Estoril - Lisboa
A imagem desta nota foi retirada do livro "O Papel Moeda em Portugal".

Em 1846, o Banco de Lisboa não tinha capacidade para pagar, em moeda metálica, a todo o portador de notas suas, especialmente em épocas de crise de confiança geradoras de corrida ao metal.
Quando o Banco de Lisboa por fusão com a Companhia Confiança Nacional, deu origem ao Banco de Portugal, as notas do Banco de Lisboa continuaram em circulação e passaram a ter uso forçado, deixando de ser convertíveis. Apenas as novas notas do Banco de Portugal eram convertíveis.
Só uns anos mais tarde, quando o Banco de Portugal passou a ser o único Banco emissor para a Metrópole, é que foi resgatando estas notas do Banco de Lisboa.
Das cerca de 695.300 notas que o Banco de Lisboa emitiu, grande parte delas estariam no próprio Banco em 1846, fruto da corrida que se verificou à sua troca por moeda metálica.
Muito poucas devem ter sobrevivido até aos nossos dias. Não sei se a Fundação Cupertino de Miranda tem alguma.
As notas do Banco de Portugal, apesar de muito raras, vão aparecendo esporadicamente. A Numisma no seu leilão nº. 59, em Outubro de 2003, levou uma à praça, de 2$400 réis, pelo valor de 4.000 euros.

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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 12:00 am 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Registado: sexta nov 05, 2004 10:15 pm
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6. A Impressão da nota

As primeiras notas que circularam em Portugal foram emitidas pelo Banco de
Lisboa, precursor do Banco de Portugal, em 1822. Foram impressas na Estamparia
do Banco por processos calcográficos, após gravação manual em chapas de cobre
dos desenhos de Domingos Sequeira produzidos para o efeito.
As chapas não eram abertas directamente (abrir uma chapa é fazer-lhe os sulcos da gravação). Eram cobertas com cera, e o artista, com um estilete, desenhava sobre a cera, sulcando-a até ao metal. Acabado o desenho sobre a cera, as chapas eram mergulhadas em ácido, e este corroía o metal exposto, não protegido pela cera. A uma gravura feita por este processo chama-se água-forte.

O problema é que, devido à macieza do cobre, as chapas se cansavam rapidamente e para cada tipo de nota foram feitas várias chapas com gravações ligeiramente diferentes, necessariamente. Na época ninguém ligava a esse pormenor, salvo o artista gravador e algum pessoal da Estamparia.

A partir de 1846 quando apareceu o Banco de Portugal, por fusão do Banco de Lisboa com a Companhia Confiança Nacional, a estampagem das notas continuou a ser da responsabilidade da Estamparia. Esta foi apetrechada com mais e melhor equipamento e foram contratados gravadores de nomeada.
Com o aparecimento de algumas falsificações, foi sentida a necessidade de melhorar a impressão das notas como forma de dificultar as suas reproduções. Por outro lado, com o desenvolvimento industrial foram aparecendo técnicas e equipamentos cada vez mais sofisticados que permitiram melhorias significativas no aspecto gráfico das notas.

Decorrente da crise monetária e financeira de 1891 e para fazer face ao açambarcamento da moeda metálica de prata por parte da população foram emitidas pela Casa da Moeda as cédulas de 50 e 100 réis. Paralelamente o Banco de Portugal emitiu igualmente notas de valores baixos de 200, 500, 1000 e 2500 réis, tendo estas notas sido estampadas no estrangeiro, pela primeira vez na história do Banco .
Por curiosidade refira-se que as notas de 200 réis nunca chegaram a circular, sendo mais tarde queimadas, e custaram aos cofres do Banco 4336 réis por cada 1000 notas.

Talvez não se justificasse continuar a fazer um esforço de investimento na Estamparia por forma a dotá-la de capacidade suficiente que lhe permitisse igualar a qualidade do serviço que poderia ser efectuado no exterior, face à pequenez do nosso mercado na produção de notas. O que é facto é que a partir desta data foram poucas as notas impressas na Estamparia do Banco de Portugal.

O aparecimento da fotografia no segundo quartel do século XIX foi rapidamente aproveitado para a duplicação das chapas. A técnica fotográfica veio contribuir para uma maior rapidez e fidelidade nas necessárias múltiplas reproduções de matrizes de impressão. O recurso a processos fotoquímicos permitia assim multiplicar chapas sem diferenças entre elas. Por outro lado as chapas de cobre, demasiado macias, passaram a ser substituídas por chapas de aço e de zinco. A estampagem das notas era cada vez mais perfeita e rápida, respondendo às necessidades do mercado, visto que as notas foram tendo cada vez maior aceitação a nível mundial.

A partir dos anos 1960, a técnica do offset permitia ainda maior rigor e velocidade de impressão. A qualidade artística das notas foi diminuindo de forma significativa.



Para ilustrar esta fase – a impressão – apresento imagens de provas de impressão da nota de 100$00 chapa 6, com Pedro Nunes.
Estes exemplares pertenceram aos arquivos da empresa estampadora e apareceram no mercado recentemente. Constituem um complemento interessante para a minha colecção.
Apresento igualmente uma descrição dessa nota extraída do livro “O Papel-Moeda em Portugal”, editado pelo Banco de Portugal.

Nas “características técnicas” desta descrição é referido o seguinte:
- duas estampagens calcográficas na frente (provas 1 e 2) e uma no verso da nota (prova 9).
- “Os espaços da marca de água, na frente e no verso, são protegidos por impressões tipográficas” (provas 3 e 8).
- “Os fundos da frente e do verso são impressos em íris, com aplicações de desenho a relevo elaborado na máquina de raiar, que se estendem pela margem” (provas 4 e 7).

Não faço ideia do que seja: “os fundos da frente e do verso são impressos em íris, com aplicações de desenho a relevo elaborado na máquina de raiar”.

Apresento ainda imagens de uma nota verdadeira de 1947 para comparação.

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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 1:13 am 
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Reinado D.Carlos
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Registado: segunda set 05, 2005 11:57 pm
Mensagens: 116
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...assim gosto, melhor, todos gostamos.
- Parabens e continue.

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Cumprimentos.
locanelas


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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 1:54 pm 
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Reinado D.Miguel
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Registado: domingo abr 10, 2005 2:35 pm
Mensagens: 300
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O óptimo trabalho continua, a favor do forum e de todos aqueles que, por inércia, por falta de tempo ou por falta "jeito", não pensam na história das coisas se não forem despertados para isso.

Obrigado


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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 7:57 pm 
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Reinado D.Pedro II

Registado: terça dez 07, 2004 11:15 am
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:biggthumpup:


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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 8:59 pm 
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Reinado D.Maria II
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Registado: domingo nov 07, 2004 5:34 pm
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Localização: Entroncamento
Assim vale está bem...
Força para continuar o bom trabalho... ;)

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Tiago Pina


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MensagemEnviado: domingo dez 04, 2005 9:43 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Registado: domingo set 04, 2005 11:00 pm
Mensagens: 4214
Localização: S. Paio de Oleiros - Feira
Continue o bom trabalho.:claps Apesar de não coleccionar notas acho-as muito bonitas e excelentes peças de coleccionismo com muitas afinidades com as moedas. :biggthumpup:

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MensagemEnviado: quarta dez 07, 2005 12:15 am 
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Sou só um euro caloiro

Registado: segunda nov 28, 2005 6:37 pm
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Localização: Polo Norte - Terra - Via Láctea
Bom trabalho sem dúvida!!!

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