Alves Reis - A descoberta da marosca

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tm1950
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Alves Reis - A descoberta da marosca

Mensagempor tm1950 » terça abr 18, 2017 6:03 pm

Na documentação consultada sobre o caso Alves Reis não tinha encontrado ainda uma explicação satisfatória sobre a descoberta da falsificação.
Havia rumores de notas falsas entre a população, o Banco de Portugal (BP) chegou a emitir um comunicado negando a sua existência, e, por várias vezes, os peritos do BP analisaram notas suspeitas sem terem encontrado qualquer nota falsa.
A obra “A Grande Burla”, de Murray T. Bloom, ajudou-me a compreender melhor como as coisas se terão passado.

Manuel Lutero de Sousa era caixa do cambista Alfredo Pinto da Cunha, no Porto. Sabia que o proprietário do estabelecimento tinha estabelecido um acordo com o Banco Angola & Metrópole (BAM – recentemente fundado por Alves Reis) no sentido de reservar para este todo o dinheiro estrangeiro que aparecesse. Comprava-o acima do par, o que era ilegal, e por isso Cunha retirava as folhas do livro de contabilidade em que registava estas operações. Os dólares e as libras eram pagos com notas de 500$00, da chapa 2 – Vasco da Gama.
Sousa lia os jornais onde eram feitas diversas alegações contra o BAM: a sua misteriosa riqueza e os seus grandiosos e perigosos planos.
O jornal “O Século” era o mais feroz nos ataques ao grupo Alves Reis. Sousa pensou ter descoberto a origem da marosca e que poderia fazer história. Dirigiu-se à filial do Porto do BP, onde tinha um amigo, que o conduziu ao gabinete do gerente, a quem contou as suas suspeitas.
Embora, em Maio, o BP tivesse feito uma declaração pública a desmentir qualquer tipo de falsificação de notas, havia a questão das transacções ilegais de moeda estrangeira. Nesse mesmo dia, de 4 de Dezembro de 1925, o gerente telefona para Lisboa tendo falado com Assis Camilo, um Director do Banco, que, no verão passado, lutara para evitar que o Conselho Bancário concedesse a autorização de abertura do BAM. Assis Camilo fala então com Rui Enes Ulrich, outro Director, e, à tarde, o Governador e Vice-Governador do Banco tomam também conhecimento do assunto.
O Dr. Teixeira Direito, juiz de Investigação Criminal e Inspector do Comércio Bancário, nesse mesmo dia, toma o comboio da noite para o Porto, juntamente com vários funcionários do BP, incluindo José Pedroso, perito em falsificações.
Na manhã de sábado, 5 de Dezembro, o esquadrão do BP com reforços da Polícia montaram guarda em torno da filial do BAM. Adriano Silva, gerente da filial do Porto do BAM, foi preso na rua e mandado para a cadeia. Foram dadas instruções para não permitir a saída de dinheiro nem a abertura dos cofres.
Dirigiram-se seguidamente para o estabelecimento do cambista Cunha, onde encontraram várias notas de 500$00 que Pedroso considerou como verdadeiras.
A ourivesaria de David Pinto da Cunha, irmão do cambista, foi o alvo seguinte das investigações. Encontraram mais notas de 500$00 que Pedroso voltou a garantir serem boas. No meio de grande frustração, mandaram prender o gerente da ourivesaria e confiscaram os livros de contabilidade.
Dirigiram-se depois às instalações do BAM e ordenaram a abertura do cofre do gabinete do director. Todas as notas ali encontradas eram de 500$00, Vasco da Gama, e estavam em maços de 20 notas, dobradas ao meio, mas completamente novas. Pedroso confirmou que eram autênticas.
Luís Alberto de Campos e Sá, funcionário do BP, não aceitava as explicações de Pedroso e estava convencido que as chapas haviam sido roubadas. As notas novas saíam do BP devidamente ordenadas e aquelas não tinham a numeração seguida. Ordena que as notas de 500$00 fossem levadas para o BP, onde seriam comparadas com as notas autênticas.
Na manhã de domingo, na filial do Porto do BP, e em resultado da separação das notas apareceu a primeira duplicação de série e número. Outras se lhe seguiram. Campos e Sá telefona ao Governador e regressa a Lisboa para receber instruções, pois era importante deter o pânico que as notícias da falsificação iriam provocar. Outras duplicações foram encontradas em Lisboa e a falsificação era agora uma certeza.
Manuel se Sousa iria receber uma recompensa de 3.000$00, em seis prestações mensais, “por serviços prestados nos princípios de Dezembro de 1925, quando forneceu informações respeitantes à falsificação de notas de 500$00”.
Celso.
Saúde e Fraternidade.
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