Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

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tm1950
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Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » quinta abr 20, 2017 10:04 pm

A nota de 1.000$00 Chapa A é uma das mais raras do período da República Portuguesa.
No entanto, apareceram vários exemplares de uma emissão, considerada falsa de época. A série desta emissão é a "B" (a avaliar pelas notas que têm aparecido).
Vamos procurar ter uma ideia das notas que vão sendo conhecidas:

- B 07267;
- B 07479;
- B 07621;
- B 07729;
- B 08181 - NL XVIII (17Mar2017)
- B 08219;
- B 08287;
- B 08328;
- B 08458;
- B 08542;
- B 14377;
- B 14526;
- B 14690 - NL XXIII (10Out2017)
- B 15625;
- B 15785;

1. Colocada à venda no Ebay, em Jan2015:
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2. Tópico no fórum:
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3. Numismática Leilões X-I:
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4. Coleção privada MPHR
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5. Imagens gentilmente cedidas por um forista:
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6. Imagens gentilmente cedidas por um forista:
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » quinta abr 20, 2017 10:05 pm

O papel destas notas foi utilizado dos excedentes existentes no Banco da nota de 20.000 réis, Chapa [6].
Marca de água de uma nota de uma nota de 20.000 réis, Chapa [6], 1888.
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » quinta abr 20, 2017 10:06 pm

Indy Escreveu:Ao longo do meu percurso de coleccionador de notas de banco devo ter visto mais de três dúzias de exemplares da nota de 1000$00 – Chapa A – datada de 10/07/1920. Cheguei a ter 5 exemplares. Todas FALSAS DA ÉPOCA:
Numeração: B 14363 – Vendida no Leilão Nº. 59 da Numisma
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Numeração: B 14526 – Colecção particular
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Numeração: B 14825 – Colecção particular
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E mais outras duas que sairam sem deixar rasto.

No princípio dos anos 80 do século passado comprava-se, sem grande dificuldade, uma nota destas, normalmente no estado de conservação BELA / Quase NOVA, por 1300$00 – 1500$00.
Como alguém já escreveu, esta emissão tem tudo para parecer uma «emissão esquisita».
Do Livro «O PAPEL MOEDA EM PORTUGAL», Volume II, Página 290 retirei as afirmações seguintes: «Esta chapa funcionou como teste à aceitação pública de uma nota de tão elevado valor para aquela época. Aproveitou-se o papel à muito existente no Banco, excedente da emissão de 20 000 Réis | Ouro, Chapa (6), e no fabrico das notas aplicaram-se técnicas de grande simplicidade, que deu origem a uma qualidade inferior à das outras notas saídas das oficinas do Banco». Acrescento que «o papel fornecido por Thomas de la Rue & Co. Ltd., de Londres, para ser utilizado numa anterior emissão de notas, é de fabrico manual, sem ser aparado, e apresenta, visto de frente à transparência, uma marca de água com a legenda Banco de | Portugal, exposta em duas linhas, e, superiormente, em cada um dos lados, o número 20».

Sabe-se também que as notas foram assinadas (por chancela) pelo GOVERNADOR – Inocêncio Camacho Rodrigues e pelos DIRECTORES:
- Henrique Matheus dos Santos
- José P. Castanheira das Neves
- Francisco Maria da Costa
- Ruy Ennes Ulrich
- Manuel A. Dias Ferreira
- António José Pereira Jr.
- João da Motta Gomes Jr.
- José Pereira Cardoso
- José Félix da Costa

A emissão foi de 118 000 notas com a data de 10 de Julho de 1920. Foram retiradas de circulação em 20 de Fevereiro de 1926.

Conhecemos um exemplar VERDADEIRO – Espécime da nota – que faz parte da Colecção do Museu do Banco de Portugal.

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Vejamos algumas incógnitas:

1) Qual teria sido o Saldo da Emissão? (Número de notas não recolhidas)
2) A numeração das notas teria sido B 00001 a B 118000? Ou B 00001 a B 99999 e C 00001 a C18001?
3) Quando teriam surgido em circulação as FALSAS DA ÉPOCA?

Relativamente às notas FALSAS DA ÉPOCA, podemos fazer as constatações seguintes:

a) Tal como o ESPÉCIME do Banco de Portugal, também estas notas apresentam-se sem ser aparadas.
b) A numeração começa pela letra B seguido por um número constituido por 5 algarismos.
c) Todas as notas apresentadas pelo Celso apresentam as assinaturas falsificadas do Governador do Banco de Portugal – Inocêncio Camacho Rodrigues (não lembra ao careca que um Governador de um Banco Emissor faça uma assinatura com letra de menino da Escola Primária! Alves Reis também agradece!) e do Director – José P. Castanheira das Neves (assinatura também não muito difícil de falsificar).
d) A marca de água com a legenda Banco de Portugal, exposta em duas linhas está impressa no verso da nota.
e) A diferença entre a numeração mais alta e a numeração mais baixa das notas FALSAS DA ÉPOCA é superior a 8 000 exemplares (8358). Se todas estas notas foram fabricadas e lançadas no giro (o que duvido), tal hipótese representaria 7% do total da emissão verdadeira. Teria sido uma fraude de grande dimensão.

ENCONTROS IMEDIATOS

Passo a relatar três episódios que tive a oportunidade de vivenciar, relativamente a uma nota de 1 000$00 – Chapa A – 1920 - VERDADEIRA (!?).

PORTO

Em Fevereiro de 1994 estive no Porto, em serviço. Nas horas livres deambulava pelas Lojas de Numismática, na mira de descobrir alguma nota interessante. Um dia, entro numa conceituada Loja, informei o dono que queria ver notas, mas o homem estava possesso. Nervoso, falava sozinho, o astral não era o melhor. Com paciência, lá fui escutando a razão de tanta irritação. O homem estaria em negociação com uma colecção de notas (onde pontificava os 1 000$00 – Chapa A – 1920 – VERDADEIRA, segundo ele) pertença de um coleccionador portuense. Esta nota seria a estrela da colecção. Pelos vistos, o regateio foi-se arrastando. Entretanto, interpôs-se no negócio, um comerciante de Lisboa, porventura contactado pelo interessado vendedor. Rapidamente concretiza o negócio, levando a nota para o Sul. Evidentemente, se a nota fosse a FALSA DA ÉPOCA, a reacção do dono da Loja não teria sido a mesma. Mas sendo a VERDADEIRA, já o desânimo é compreensível. Este ENCONTRO não foi do 3º. Grau. Eu não vi a nota. O depoimento vale o que vale. Fica o registo.

GRÂNDOLA

Ao longo da década de 80 do século passado, sempre que me deslocava de Faro para Lisboa, de carro, era habitual fazer uma paragem em Grândola para visitar o meu amigo Telmo, que já partiu. Era um coleccionador muito avançado de notas de Portugal e das ex-Colónias e de moedas da República. Pessoa simples, já maduro na idade, tinha uma casa de reparação de bicicletas a pedal, localizada no coração de Grândola.
Sempre que o visitava, fazia um longo intervalo no seu trabalho, e lá ia buscar os álbuns aos «seus esconderijos secretos». Enfim, deliciávamo-nos a contemplar e a trocar opiniões acerca dos exemplares da sua colecção.
Numa dessas visitas, apresenta-me dois exemplares da nota de 1 000$00 – Chapa A – 1920: uma no estado de conservação de Quase NOVA, nitidamente FALSA DA ÉPOCA e a outra no estado de conservação de BC / BC +, com visíveis sinais de bastante circulação. Era diferente da primeira. Para melhor. Claro que faltava a comparação com uma nota destas, autenticamente VERDADEIRA. Na deslocação seguinte a Grândola, muni-me de lupas grandes e pequenas para analisar melhor a dita nota. Chegado ao destino, encontro o amigo Telmo feliz da vida. É que, embora ainda tivesse a nota em seu poder, já se tinha comprometido com um colecionador, pessoa ligada à aviação, na respectiva venda. O preço, um espanto: 500 contos. Voltei a analisar a dita nota. Poderia ser VERDADEIRA. Mas, e se fosse uma outra falsificação, melhorada, diferente das outras? A nota circulou bastante. O comprador, ao dar 500 contos pela nota, saberia o que estava comprando? O amigo Telmo ficou com a nota mais «bonita» na sua colecção – embora FALSA e fez uma boa venda pela outra nota (talvez VERDADEIRA) em pior estado de conservação. Acrescento que nesta época, eu não ligava às assinaturas, nem à numeração das notas. Havia pouca informação. Penalizo-me por não ter efectuado o registo das assinaturas e da numeração desta nota.

LOULÉ

Entre 11 de Março e 5 de Abril de 2002, realizou-se em Loulé a 1ª. Exposição de Papéis de Valor no Algarve, organizada pela Associação Portuguesa de Coleccionadores de Papéis de Valor. Fui convidado a participar com uma Acção das Reais Pescarias do Reino do Algarve, já depois do Catálogo da Exposição ter sido enviado para o prelo.
Na véspera da inauguração da Exposição, ou seja, dia 10 de Março de 2002, desloquei-me a Loulé, às instalações camarárias onde iria decorrer a Exposição. Fiquei siderado com o que vi. Os movéis expositores estavam a ser movimentados e as respectivas peças a serem manipuladas, sem as mínimas cautelas, pelo pessoal da limpeza da Câmara Municipal de Loulé. Ninguém da organização presente, para supervisionar os trabalhos da exposição. Mas, o melhor estava para acontecer. Seis funcionários(as) preparam-se para levantar a tampa (pesada) de vidro do expositor das notas: coordenar esforços … 1, 2, 3, … levantar … e metade das notas levantam voo do expositor, pelo efeito do «vácuo» e vão aterrar no chão. Eu peguei na nota de 1 000$00 – Chapa A – 1920. Alertei o pessoal para os cuidados a ter com as peças da exposição. Mas, não eram colecionadores….As notas bancárias tinham sido facultadas pelo Senhor Carlos Costa. A nota estava no estado de conservação, digamos de «lindo MBC». Claro que não liguei às assinaturas, nem à numeração. Obtive a informação fidedigna de que a nota que eu tinha apanhado do chão da sala da exposição era a VERDADEIRA. Não sei se a nota está reproduzida no Catálogo da Colecção Numismática do Ex-BES.
Será esta, a mesma nota que passou ao lado do tal comerciante do PORTO?

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Com tantas notas bonitas e raras foram estas 3 notas as escolhidas para figurar no Catálogo!
_______
Acácio
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » quinta abr 20, 2017 10:06 pm

História interessantíssima, amigo Acácio. Ajuda-nos a entender esta estranha Chapa e a "emissão" das falsas de época que se lhe seguiram. :)
Fica no ar a possibilidade de existirem dois exemplares genuínos. ;)
Celso.
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » quinta abr 20, 2017 10:07 pm

Encontrei na net mais um exemplar.
Curiosamente, está em leilão numa leiloeira alemã com reputação, creio, e não é considerada falsa.
Na descrição do lote não é feita qualquer referência ao facto de ser falsa e o valor base de licitação é de 11000€

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Celso.
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor silvio2 » sexta abr 21, 2017 8:39 am

Excelente trabalho de pesquisa e compilação. :clap3:
Obrigado, pela partilha! :thumbupleft:
Cumprimentos,
Sílvio Silva

RubenGMelo
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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor RubenGMelo » sexta abr 21, 2017 10:54 am

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Encontrei esta num leilão, referenciada com falsa da época pela leiloeira.
Cumprimentos,

Ruben Melo

Megaleilões: https://megaleiloes.pt/RubenGM/loja

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Re: Portugal - 1.000$00 - Chapa A (falsa de época)

Mensagempor tm1950 » sexta set 22, 2017 9:35 am

Mais um exemplar, à venda na NL.
- B 14690 - NL XXIII (10Out2017)
Celso.
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