O triunfo do restauro e das empresas de certificação

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numisiuris
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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#11 Mensagem por numisiuris » quinta abr 04, 2019 2:06 pm

Tentando exemplificar, em moedas, certas coisas que para mim se enquadram no segundo processo que referi acima (embora não naturalmente na mesma escala) :
Imagem
São pequenas características que se vêm para quem tenha uma certa sensibilidade. E que às vezes fazem a diferença entre considerar um exemplar original ou falsificado. O pior é quando estas características não servem apenas para indiciar a originalidade, mas para tirar conclusões relativas à história monetária. Ou seja, quando um restauro implica a fraude na obtenção de novo conhecimento. Já para não falar na hipótese de serem os próprios museus a comprar estas peças. Nas notas não me parece que estas situações se coloquem da mesma forma. Logo o paralelismo talvez seja ingrato.



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tm1950
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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#12 Mensagem por tm1950 » quinta abr 04, 2019 2:30 pm

Talvez o erro seja meu, pois eu é que lhe chamei restauro.
Mas isto, isto que foi feito à nota para atingir o terceiro canto, não é restauro nenhum. É uma aldrabice.
Então eu lavo uma nota (atenção que lavar um papel é muito diferente de lavar uma moeda), aparo-a (atenção que aparar uma nota é muito diferente de cercear uma moeda), dizia eu que lavo e aparo uma nota, prenso-a bem espremidinha, e digo que fiz um restauro.
Bom, então, venha de lá a Santa Inquisição que isto já não vai de outra maneira.
Celso.
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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#13 Mensagem por tm1950 » quinta abr 04, 2019 9:57 pm

Julgo que o exemplar do tópico pertenceu a um lote de notas que apareceu no mercado em finais de 2006.
Notas da emissão AR que praticamente não circularam pois chegaram a Lisboa em 23Nov1925 e em 06Dez já estavam retiradas de circulação.
Terão pertencido a alguém, mais ou menos comprometido, que julgou melhor não as trocar e estiveram guardadas num ambiente pouco amigável ao papel.
Alguns exemplares estavam já bem corroídas, com buracos, faltas de papel e com mais ou menos agressões no papel.
Tenho imagens de alguns que passo a partilhar.

Esta nota terá sido vendida sem grande limpeza. Notam-se alguns buracos. Havia ainda bem piores do que esta naquele lote.
500 1922 1M01634_F.jpg
500 1922 1M01634_V.jpg
Outro exemplar que terá sido vendido conforme apareceu no mercado:
500 1922_1K04399_AR.jpg
Um exemplar que foi limpo pelo vendedor, num estado bem aceitável
500 1922 1L04660_AR.jpg
Possivelmente, um dos melhores exemplares e que talvez também não tenha sido limpo:
500 Ch2 AU55_F2.jpg
500 Ch2 AU55_V2.jpg
Outro bom exemplar que terá sido alvo de alguma limpeza
500 1922_1H04857_F.jpg
500 1922_1H04857_V.jpg
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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#14 Mensagem por José Duarte » quinta abr 04, 2019 11:48 pm

Para lá da questão de mais ou menos 'reparação', que deve ser sempre assinalada, o problema é de facto a 'aldrabice' efetuada e conscientemente 'protegida' por uma graduação inadequada e hipervalorizada!
Isto não é correto e não corresponde à qualidade anunciada do 'produto' em venda! Por isso, apesar de ter sido aparada ao ponto de se 'acertar' o canto inferior direito da nota, certamente que se há-de ver algum ou alguns vestígios das mazelas originais descritas no leilão da NL... assim sendo, quem a comprou e se não reclamou, gosta de ser 'enganado' ou não percebe muito do assunto, ou então, gosta mesmo destas maquilhagens profundas!
Por princípio, defendo que uma nota não deve ser 'mexida', muito menos a este nível de intervenção, mesmo que não esteja no estado de conservação que mais gostaríamos. Se o 'cliente' gostar, então que lhe faça bom proveito...
Cumprimentos,
José Duarte

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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#15 Mensagem por RubenGMelo » sexta abr 05, 2019 8:42 am

É um tema delicado! Ainda posso considerar admissível uma limpeza numa nota, já aparar, acrescentar papel, etc, considero que seja adulterar uma nota. Do ponto de vista meramente comercial, é um negócio magnifico, já do ponto de vista colecionista, é um mau negócio! Agora não percebo como é possível a PMG não perceber que a nota está aparada, isso caso esteja realmente, não possuem uma simples régua? Não verificam as dimensões dos exemplares?
Cumprimentos,

Ruben Melo

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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#16 Mensagem por tm1950 » sexta abr 05, 2019 9:29 am

Peço desculpa a quem leu as minhas intervenções neste tópico porque alterei a minha opinião sobre uma eventual aparadela da nota.
Após uma análise mais cuidada, estou convencido que a nota não foi aparada e o canto inferior direito foi acrescentado.
As imagens da LK permitem fazer ampliações localizadas e estive a percorrer as margens da nota e comparar as três imagens. Estou convencido que a nota não foi aparada.
Deixo imagens do canto inferior direito, da frente e do verso, bem como a prova de que se trata de uma nota AR.
Fica também o link para quem quiser fazer a sua própria avaliação: https://www.lynknight.com/items/1120206 ... ort_by%5D=
500 1922 1L03553_PMG60net_AR_pormenores.jpg
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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#17 Mensagem por RubenGMelo » sexta abr 05, 2019 10:20 am

Pois também parece-me que a nota não foi aparada mas sim acrescentado o famoso papel japonês, dai a coloração diferente em algumas zonas! Qualquer das formas tiro o chapéu à empresa que restaurou a nota, já a PMG não fica bem na fotografia!
Cumprimentos,

Ruben Melo

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Re: O triunfo do restauro e das empresas de certificação

#18 Mensagem por José Duarte » sábado abr 06, 2019 5:41 pm

Considerando as novas evidências descritas pelo amigo Celso, a nota pode não ter sido 'aparada'; terá sido 'apenas' 'reparada', mas o importante (e para aqui não vem à colação o gostar-se ou não do tratamento dado à nota) é que a 'aldrabice' continua registada no 'grade' que a PMG fixou... :(
Cumprimentos,
José Duarte

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