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MensagemEnviado: segunda fev 09, 2015 1:50 pm 
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Reinado D.Filipe II
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BENTES - UM ERRO CRASSO NOS LIVROS DE HISTÓRIA E DE NUMISMÁTICA.

A respeito da viagem da Família Real para o Brasil, diversos (quase todos) são os livros de história e publicações numismáticas que afirmam ter sido de 15.000 (quinze mil pessoas) o séquito que acompanhou o príncipe regente. De onte terá saído esse número fantástico e FANTASIOSO? :think:

Esclarecimentos:

1. A Família real portuguesa, escapando das forças napoleônicas, foi obrigada a embarcar e partir de Portugal num prazo de somente 48 horas.

2. As naves que levaram a corte nessa viagem eram 16, a saber: 8 naus, 3 fragatas, 3 brigues e 2 escunas (temos o nome de todas elas).

Sendo assim, como explicar que praticamente 10% da população de Lisboa, na época com pouco mais de 150.000 habitantes, conseguiu embarcar em 16 naves que não suportam mais do que 30 ou 40 pessoas (passageiros) bem alojadas comodamente?

E mais: Como explicar que um efetivo de tal magnitude não tenha provocado uma crise sem precedentes na história do país?

Mais um erro que vem sendo contado nos livros de história do Brasil, repetido à exaustão por professores e até doutores em história, informação totalmente errada que foi repetida em outras publicações, incluindo livros e catálogos de numismática.

Quem foi o culpado por essa informação equivocada que até hoje vem sendo repetida por historiadores e numismatas?

A culpa se deve a um oficial da Marinha inglesa - embarcado a quilômetros de distância do porto de Belém de onde saíram os navios portugueses - chamado Thomas O’Neil que registrou esse fantasioso e absurdo número (15.000 pessoas) em suas memórias, publicadas no século XIX.

Imagem

AFINAL, QUANTAS ERAM AS PESSOAS QUE ACOMPANHARAM A FAMÍLIA REAL, DESEMBARCANDO NO BRASIL?

Resposta: 423 pessoas, mais a tripulação de 101 oficiais.

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MensagemEnviado: segunda fev 09, 2015 4:25 pm 
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Reinado D.Maria II

Registado: sábado mai 02, 2009 2:54 am
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Já tinha algumas notas sobre isso, não sei se vai contribuir...
Acho que o numero de 15.000 foi encontrado, somando-se a capacidade da frota de guerra, com os "ditos 30 ou 50 navios mercantes de menor capacidade" que acompanhava a frota. (resta saber se veio a frota toda! e onde foi parar o espaço para os moveis, carruagens, e a tralha da turma)
texto questionvel em alguns pontos mas bem completo: http://www.revistamilitar.pt/artigo.php?art_id=257
Imagem

31 Acúrsio José das Neves refere no seu livro, acima descrito, 84 peças.
32 Transportava os elementos da Academia Real dos Guardas-Marinhas.
33 José Acúrsio das Neves (J. A. N.) considerava que a nau tinha 74 peças.
34 J. A. N. considerava que a nau tinha 74 peças.
35 J. A. N. considerava que a nau tinha 74 peças.
36 J. A. N. considerava que a fragata tinha 44 peças.
37 J. A. N. considera que o comandante deste navio foi o Capitão-de-fragata D. João Manuel.
38 J. A. N. não considerava este navio.
39 J. A. N. atribuía-lhe 22 peças.
40 J. A. N. considerava Capitão-de-fragata.
41 J. A. N. atribuía-lhe 20 peças.
42 J. A. N. considerava Capitão-de-fragata.
43 J. A. N. atribuía-lhe 22 peças.
44 J. A. N. não considerava este navio.
45 J. A. N. não considerava este navio.
46 J. A. N. atribuía-lhe 16 peças.
47 J. A. N. não considerava este navio.
48 Transportava 100 passageiros e 9 carruagens reais no porão.
49 J. A. N. não considerava este navio.
50 J. A. N. não considerava este navio. Transportava o material e biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas.


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MensagemEnviado: segunda fev 09, 2015 5:28 pm 
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Reinado D.Filipe II
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Os 14 membros da Família Real foram divididos entre 3 embarcações

1. A nau Príncipe Real conduziu o príncipe regente Dom João, a rainha Dona Maria I, Pedro de Alcântara, Miguel e o infante espanhol Pedro Carlos.
2. A nau Afonso de Albuquerque conduziu Carlota Joaquina e suas filhas.
3. A nau Rainha de Portugal os outros membros da Família Real.

Em 27 de novembro, por volta das 15 horas, Dom João, Dona Maria I e os demais membros da Família Real embarcaram, encerrando a tarefa da equipe comandada por Joaquim José de Azevedo. Por dificuldades devido ao tempo que não era favorável à navegação, a esquadra só partiu no dia 29. Dessa forma, conclui-se que toda a operação de embarque se deu em menos de 40 horas. Impossível e inadmissível a hipótese de embarcar a multidão de 15 mil pessoas (10% da população de Lisboa) e, mais problemático ainda, executar operação de tamanha magnitude em total segredo, em tão curto espaço de tempo.

Os números das guarnições que constam da tabela, contrastam significativamente com os números que possuímos. Respeitamos o trabalho de historiadores portugueses, mas estes números, principalmente o da Príncipe Real, parecem exagerados.

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MensagemEnviado: terça fev 10, 2015 12:16 am 
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Reinado D.Afonso II
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Registado: quinta jun 16, 2011 5:05 pm
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Olá, saudações, Sr.Bentes.

Muito interessante e oportuna observação, sobre a composição da Família Real que veio para o Brasil em 1808. Li alguma coisa sobre o assunto e esse número também sempre me intrigou, mas, confesso que nunca tive tempo para me dedicar a esclarecer tal temática. Por isso, ao menos para mim, a sua colocação é interessante e muito oportuna. Mas, o fato que mais incomoda não é só relativo à nossa história, mas, no todo, ou melhor, em tudo. É que estamos vivendo a era dos pseudo-sábios, e na numismática por exemplo há muitos, e o que dizer nos corredores das academias de história!

Ainda me alongando em um exemplo genérico, basta aparecer uma moeda com algo inédito que é logo tachada de falsa, nem o benefício da dúvida é concedido. E o pior: a análise com veredicto parte de algumas fotos, sem a peça na mão, sem uma investigação com microscópio, enfim, sem nada. ´

É muito provável que os pseudo-sábios de plantão apontem erros. Então, tenhamos paciência (Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?)

Mais uma vez, o senhor está de parabéns.

Gomes.


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MensagemEnviado: sexta fev 13, 2015 3:03 pm 
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Reinado D.Filipe II
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Registado: quarta set 19, 2007 1:01 pm
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Bom dia a todos!

Antes de iniciar gostaria, em primeiro lugar, agradecer as palavras de apoio do nosso amigo numismata José Gomes. Obrigado José !

Em segundo lugar, deixar claro que não é nossa intenção gerar polêmicas desnecessárias sobre o assunto. Nosso objetivo e apenas o de colaborar para que a nossa história seja contada como se deve, com fatos e verdades e não com especulações e citações de fontes não confiáveis

Advertência: É essencial que se leia todo texto pára o bom entendimento. Não “renegamos” informações documentadas; muito pelo contrário, tudo o que dissemos está devidamente catalogado. Não citamos fontes de sites que dizem ser sua matéria baseada em documentos oficiais, sem dizer onde se encontram. Temos tudo relacionado, toda bibliografia das consultas realizadas “in loco”. Ao contrário de negar a informação baseada em documentos da época, exultamos a que os que nos contestam, tragam aqui os documentos que dizem ser os oficiais, Mas não daremos voz contrária às matérias de determinadas revistas ou determinados livros, por considerarmos perda de tempo, já que conhecemos a maioria das publicações que costumam postar com argumento contraditório.

As fontes encontradas no Brasil, as conhecemos todas, inclusive o equivocado artigo da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz e as tabelas sugeridas por José Acúrsio das Neves que se baseou na quantidade de tonéis (medida usada nas embarcações) para chegar ao fantasioso, absurdo e inadmissível efetivo de 950 pessoas embarcadas na Nau Príncipe Real que partiu de Belém. Foi baseado nas medidas náuticas de volume que Acúrsio também supôs os efetivos das outras embarcações, todas elas muito menores que os gigantescos galeões que não constavam da frota, mas que comportariam 200 pessoas a bordo. Foi baseando-se nessa tabela e nas informações equivocadas de Acúrsio que o coronel José Custódio Madaleno Geraldo escreveu um artigo na Revista Militar Portuguesa, espalhando ainda mais a absurda hipótese de que 15.000 pessoas embarcaram com todas as suas tralhas, em total segredo, em menos de 40 horas, com a princesa Carlota Joaquina, inimiga do próprio marido, filha do rei Carlos, aliado de Napoleão, sem que a corte espanhola e as forças napoleônicas desconhecessem o fato. O coronel se limitou a somar as suposições de efetivo das embarcações, que constam na tabela de José Acúrsio das Neves.

Dessa forma, não vemos a necessidade de pontuar nossas colocações, baseado no que foi escrito em revistas, matérias ou livros de história, principalmente os publicados no Brasil. À exceção da excelente obra de Eduardo Bueno que conta com pouquíssimos mas muito bem fundamentados registros sobre épocas anteriores à viagem da Família Real, poucos são os que merecem atenção. Não iremos debater fontes postadas ao acaso, daquilo que conhecemos e que consideramos não ter qualquer compromisso sério com a pesquisa científica. Com relação ao artigo da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, citada por alguns como sendo uma "fonte científica", sabemos que a autora, laureada pela USP, baseou suas conclusões na cantinela que vem sendo repetida desde que os livros de História do Brasil começaram a ser estampados, baseando-se no que alguém leu nas memórias de Thomas O’Neil. A própria autora se contradiz, ao iniciar seu artigo com o subtítulo “Momentos dramáticos marcaram os preparativos de um acontecimento inédito: a transferência em peso de uma casa real européia, a bordo de 15 navios, para o continente americano”. Ora, é absurdo (para não dizer fantasioso) acreditar que 15.000 (ou mesmo 10.000 ou 5.000) com todas as suas bagagens, em menos de 40 horas, tenham embarcado em 15 naves (na verdade foram dezesseis) que não comportam mais do que 100 passageiros “espremidos”. Se não carregassem qualquer bagagem e se subjugassem a passar quase 60 dias em pleno mar, apertados entre marujos, grumetes e moços de bordo, sem as mínimas condições de higiene, e sem qualquer conforto, chegariam ao número máximo de 1500 pessoas.

Nota 1: Não podemos esquecer dos víveres e de toda parafernália necessária a alimentar 15.000 pessoas durante quase dois meses; teria que ser algo realmente fantástico! Estocar carne, verduras, legumes, batatas, animais vivos, ÁGUA POTÁVEL, utensílios de cozinha, medicamentos e tudo que seria necessário para manter 15.000 pessoas navegando espremidas em embarcações atravessando o Atlântico por quase 60 dias, chega a ultrapassar o nível do bom senso...é a mais pura e absurda fantasia contada e recontada nos livros de história. Não existe, é fantasioso e absurdo. Convém recordar que nessa época não existiam rações liofilizadas em pacotes como batatas fritas.

A Família Real era composta de 14 membros, sendo acompanhada de pessoas indispensáveis ao seu serviço particular e daquelas que ocupavam a direção do aparelho administrativo, por sua vez acompanhadas de um mínimo efetivo de familiares. Além dessas pessoas que deveriam, por força, escapar ao subjugo de Napoleão, outras também constavam das listas de passageiros que embarcaram, a saber:

1. Seis conselheiros de Estado: Dom João de Almeida de Mello e Castro, marquês de Angeja, marquês de Pombal, marquês de Belas, visconde de Anadia e Dom Rodrigo de Souza Coutinho.

2. Dois ministros de Estado: Antônio de Araújo Azevedo e João Rodrigues de Sá e Melo Meneses e Souto Maior (visconde de Anadia, já relacionado acima), da Marinha, acompanhados dos seus onze auxiliares.

Toda estrutura de funcionários de segundo escalão permaneceu em Portugal, principalmente porque sendo a medida de caráter provisório e não tendo estas pessoas o que temer do exército de Napoleão, o chefe da operação, Joaquim José de Azevedo, decidiu corretamente por afrontar sua tarefa de forma lógica e sensata, sob o mais absoluto sigilo possível, providenciando uma partida veloz, escapando de Junot que já sen encontrava nos arredores da cidade. A hipótese de uma multidão de “escravos” acompanhando a corte, é absurda, principalmente por saberem que no Brasil os serviçais existiam em abundância. Um ou outro, fiel e muito próximo à família, embarcou, mas eram pouquíssimos.

Não era uma fuga dos que frequentavam a corte e, muito menos, de um maciço percentual da população de Lisboa (quase 10% da cidade). É fantasioso acreditar que as pessoas que nada teriam a temer de Napoleão, iriam abandonar suas Quintas, suas propriedades e terras, seus pertences e tudo mais, escapando para uma terra desconhecida de onde se contavam barbaridades com relação à precariedade e doenças como a malária. Imaginar que todas essas pessoas iriam carregar carruagens (???), móveis (???), jóias, dinheiro, objetos, escravos e muito mais, arrastando tudo isso pelas ruas de Lisboa, em segredo, em menos de 40 horas, é mais do que fantasia...é a conclusão de uma mente delirante. Por isso, há dois anos, temos nos empenhado em pesquisar a fundo esse episódio que marcou a história do nosso país.

As listas de passageiros existem, mas não estão no Brasil e sim na Europa, no Arquivo da Legação, no Arquivo Nacional, nas bibliotecas portuguesas, na biblioteca do Vaticano, em arquivos na Inglaterra, na França, incluindo raríssimos documentos microfilmados que contém a própria lista elaborada por Joaquim José de Azevedo que, se comparada aos nomes que o padre Luiz Gonçalves dos Santos citou em suas memórias, constata-se que o inteiro séquito não passava de 600 pessoas.

Some-se a tudo isso, o fato de que no meio da família, embarcou a princesa Carlota Joaquina - filha de Carlos IV, rei da Espanha, aliado de Napoleão - que já havia tentado tomar o poder das mãos do marido. Sendo fundamental o segredo e a rapidez da operação, não poderiam dar chances à Carlota Joaquina de enviar um mensageiro à corte espanhola, denunciando a fuga. Mais do que isso, não poderiam dar chances à princesa de enviar um mensageiro a Junot, a essa altura acampado em Sacavém, a poucos quilômetros do local de embarque. Tudo deveria ser feito o mais rápido possível, em tempo record de menos de 40 horas.

Nota 2: Agora imaginem uma mudança normal em suas casas. Imagine mudar de uma casa para outra e reflita bem sobre a logística dessa pequena operação, se comparada com a magnitude dessa fantasia de 15.000 pessoas, saindo de suas casas, em plena noite, em segredo absoluto, arrastando todas as suas tralhas para o porto, sob chuva e com as estradas e ruas com lama e escorregadias. Agora imaginem, com a “tecnologia da época”, embarcar todas essa carga e pessoas, em menos de 40 horas, no porto de Belém, um a um pasando por cima de pranchas de madeira (mulheres, crianças, idosos, etc).

Nota 3: Com a atual tecnologia, um cargueiro chega a levar 3 dias (ou mais) para embarcar containers num porto ultra-moderno. Uma “crociera” (gigantesca nave moderna de turismo que transporta 2.000 passageiros), chega a levar dois dias inteiros para embarcar seus suprimentos e bagagens. Uma embarcação de médio porte, leva uma inteira jornada para abastecer suas despensas com o rápido e pronto serviço de catering.

Os 14 membros da Família Real foram divididos entre a nau Príncipe Real, onde se alojaram D. João, D. Maria I, Pedro de Alcântara, Miguel e Pedro Carlos. Carlota Joaquina, por motivos óbvios, embarcou em outra nau, a Afonso de Albuquerque. Os outros membros da família embarcaram na nau Rainha de Portugal de mesmo tamanho da Medusa. Todos os outros passageiros da comitiva foram distribuídos entre treze embarcações. Os poucos objetos pessoais destas pessoas, as malas que fizeram às pressas, os baús e quinquilharias (o que não foi abandonado no porto), foram distrubuídas entre as nove embarcações restantes. Tudo isso está devidamente documentado no Arquivo Nacional Português.

COM RELAÇÃO AO REGIMENTO DAS APOSENTADORIAS

Outra “falácia” que vem se espalhando nos livros e artigos escritos no Brasil diz respeito ao “PR” que significa, literalmente, Príncipe Regente - na época se satirizou em “Ponha-se na Rua”, “Prédio Roubado” e outras expressões populares - o arbitrário certificado de confisco da residência. Os que defendem essa tese absurda, fantasiosa e sem qualquer documento que a comprove, dizendo que o séquito que seguiu a família real em sua viagem era de 15.000, 10.000 ou mesmo 5.000 pessoas, carregando suas carruagens e todos os seus pertences e escravos, defendem também a absurda teoria de que os recém-chegados teriam desalojado, arbitrariamente, esse mesmo contingente de 15.000 pessoas de suas casas (existem 147 processos de confisco registrados nos arquivos oficiais). Só não conseguem explicar onde abrigaram os 15.000 sem-teto que parecem ter esquecido que existiam, deixando-os “navegar” no imaginário dos que acreditam nessa história absurda que, por incrível que pareça, é contada nas salas de aula de escolas e universidades brasileiras. Não existe também qualquer documento que ateste a teoria de que teriam construído casas provisórias para os que chegaram.

O direito à aposentadoria e anterior à chegada da Família real. Era feito obedecendo a duas categorias distintas, a passiva e a ativa. A primeira assegurava a pessoa que não seria desalojada de sua moradia ou atividade comercial. A segunda (ativa), dava a um privilegiado o direito de requerer a posse do aposento. Essa legislação teve origem na nacessidade do rei e de seus familiares usufruirem dos melhores aposentos, dignos da realeza. O aposentador-mor ía à frente da comitiva real, agenciando as aposentadorias. Esse mesma legislação se estendeu às pessoas dotadas de privilégios, caso se deslocassem para locais muito distantes das suas residências, em geral estando a serviço do Estado ou de el-Rei.Toda explicação a respeito pode ser encontrada no Regimento do Aposentador-Mor, promulgado em 7/9/1590, que se encontra no Arquivo Nacional Português. Ali também podem ser encontrados os Alvarás, Decretos e toda documentação referente ao assunto, finalizando com as últimas resoluções sobre a matéria, publicadas ao final do século XVIII.

Nessa época, o perímetro urbano do Rio de Janeiro, contava com cerca 8.000 imóveis, dos quais mais da metade eram alugados. Devido ao reduzido número de aposentadorias que constam nos documentos encontrados no Arquivo Nacional, do agrupamento que chegou acompanhando a Família Real, sabe-se que a maioria conseguiu alugar (pagou por isso) algum imóvel de sua conveniência, ou acomodou-se em casas de parentes e amigos com quem mantinham estreito vínculo comercial.

Nota 4: No Arquivo Nacional (Ministério do Reino) das pessoas que viajaram ao Brasil, constam apenas dezenove (19) que lançaram mão do privilégio da Aposentadoria. São eles, na ordem em que aparecem no documento:

1. Afonso Maria Furtado de Mendonça
2. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara
3. Custódio de Campos
4. Diogo Joaquim de Souza Galvão
5. Francisco José Salvador
6. Francisco Maximiano de Souza
7. Francisco de Paula Magessi
8. Francisco Xavier de Noronha
9. Henrique José Maria Souza Galhardo
10. João Eleutério da Rocha Vieira
11. João de Souza Mendonça Corte Real
12. Joaquim José de Azevedo
13. José Estevão Seixas Gusmão
14. José Maria Araújo
15. José Maria Vieira da Silva
16. Marcos Antonio Azevedo Coutinho
17. Antônio de Almeida Soares Portugal.
18. Henrique José de Carvalho
19. Melo e Maurício José de Mello Coutinho.

Quem mais utilizou o recurso da aposentadoria foram os membros diretos da Família Real. Desalojaram os frades carmelitas dos seus aposentos e instalações, os desembargadores e todos os seus funcionários do Tribunal da Relação, além do vice-rei e sua família. Tomaram posse também do teatro de Manoel Luiz Ferreira, que funcionava ao lado do Paço, além do sítio e da casa de campo do comerciante Elias Antonio Lopes, localizados no atual bairro São Cristóvão, hoje conhecida como a Quinta da Boa Vista.

Os componentes do governo que acompanharam o reduzido séquito, tomaram posse da biblioteca real, da impressão régia, do museu de história natural, alguns quartéis e de todas as repartições necessárias à instalação do novo governo. Em breve todos seriam recompensados por D. João que reconheceu o trastorno que sua corte havia causado a alguns moradores, muitos deles ilustres cidadãos.

Além das 423 pesoas relacionadas em listas oficiais, mais os 101 oficiais que acompanharam a Família Real, convém incluir mais 18 pessoas que não constam dessas listas e que não vem ao caso relacionar, mas que se supõe tenham acompanhado seus familiares (lembrando que agora sim, é só uma suposição e não a certeza como é o caso das 423 pessoas listadas em documentos oficiais):

1. As filhas do conde de Caparica
2. Os familiares do visconde de Rio Seco, de José Egídio Álvares de Almeida e de José Maria Almeida
3. Os filhos do conde de Belmonte.

Pedimos, por obséquio, que se alguém aqui encontrou outros nomes, estes serão prontamente adicionados à “lista de embarque”, mas desde que nos apresentem os documentos originais desses registros e não matérias de revistas, artigos de professores ou livros de história do Brasil. Nosso intuito é o de instruir, fornecendo informação segura e precisa. Caso alguém tenha informação irrefutável ou que pelos menos saiba dizer, com certeza, onde se encontra o documento oficial que ateste sua teoria, teremos imenso prazer em rever nossos estudos. Do contrário, não levaremos em conta especulações, teorias fantasiosas retiradas de artigos de revistas brasileiras, livros escolares ou toda imensa e equivocada bibliografia da qual já temos conhecimento.

Nota 5: Sugerimos que, além de pesquisar a documentação da época (o que deve ser feito em Portugal, Espanha, França, Itália e na Inglaterra), quem se interessar pelo assunto, procure conhecer os artistas da corte, em particular os que se dedicavam às gravuras (portugueses, italianos, franceses, alguns poucos ingleses, etc), que se encontravam no local e deixaram retratadas as cenas do embarque. Tem-se uma boa idéia do que acontecia no porto nessa ocasião. A hipótese de que todos estes artistas possam ter combinado em retratar as poucas pessoas e caravelas no porto, é inadmissível. Dessa forma, mesmo não sendo um retrato fiel, são as imagens do que mais se aproxima da realidade do que aconteceu. Pesquisem, por exemplo a respeito do artista italiano Francesco Bartolozzi que se encontrava no local na época da partida da família real e que deixou registrado em gravura a reprodução do óleo do francês Nicolas Delariva, pintor e histórico da época que também se encontrava em Lisboa por ocasião da partida da família real. É um bom começo.


A RESPEITO DO LIVRO DE KENNETH LIGHT

Na sua publicação “A viagem marítima da família real”, obra mais recente que trata o tema, o autor Kenneth Light, afirma que a nau Principe Real possuía as seguintes medidas (exageradas para uma nau, mas corretas para um galeão): 67,5 metros de comprimento (não especifica se tal medida foi tirada entre as perpendiculares baixadas nos limites de proa e popa) e 16,5 metros de boca. O autor afirma que nessa nave, 1050 pessoas viajaram ao Brasil.

Baseados nessa informação, fizemos um cálculo aproximado da superfície útil do convés da nau, área superior ao compartimento de carga. Deve-se levar em consideração que as pessoas não podem ser distribuídas no convés, principalmente devido ao perigo extremo que essa viagem representa (não são pessoas habituadas às viagens como os homens de mar) e muito menos esprimidas. no porão da nau Mesmo assm, dando vazão á fértil imaginação do autor, resolvemos fazer um cálculo bastante otimista da situação (vide imagem em anexo).

Imagem

Mesmo distribuindo as pessoas na proa e popa do convés da embarcação - o que não é possível, já que são áreas destinadas aos trabalhos de manutenção e navegação (só possível no filme Titanic, onde o casal faz um passeio tranquilo pela proa)- a área ocupada seria de aproximadamente 970 metros quadrados.

Dividindo 1050 pessoas por 970 metros quadrados, chegamos ao número de mais de uma pessoa por metro quadrado (olhe para o chão e imagine um quadrado de 1 metro de lado e coloque nele mais de uma pessoa, numa viagem de 60 dias pelo oceano Atlãntico).

Num cálculo mais correto, a área útil seria a correspondente ao retângulo de dimensões 52 x 16 metros, o que nos daria daria uma área de 832 metros quadrados, com cada 4 quadrados de 1 metro de lado alojando 5 pessoas. Em outras palavras, 5 pessoas (passageiros, sem contar a tripulação) dentro de um quadrado de 2 x 2 metros, por 60 dias, em mar aberto. Quem puder, que acredite!


Sds

Bentes

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MensagemEnviado: sábado fev 14, 2015 1:22 am 
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Reinado D.Afonso II
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Nada como a boa, velha e confiável matemática para desfazer mitos.

Gomes.


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MensagemEnviado: sábado fev 14, 2015 5:04 pm 
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Reinado D.Maria II

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Não tenho como opinar sobre a transferência da corte, minha área de interesse são os barcos, especialmente e por razões familiares, as naus desse período. No P.R. constam 3 divisões verticais (andares), além de um calado de 5 a 8 metros, ou seja, abaixo da linha d’água. Também existem modelos em escala 1/90 que levam a pensar em 10 metros de altura. Independente da veracidade desses dados, veja aqui, duas operações dessa nau, em tempos distintos e não relacionadas aos eventos de 1807, mas mencionando a capacidade embarcada.

O Marquês de Nisa no bloqueio de Malta (1798-1799)
(monografia do Vice-almirante português, Alexandre da Fonseca –Lisboa jan/2010)

Em princípios de Maio de 1798, o Marquês de Nisa recebeu ordem para assumir o comando de uma Esquadra, que se destinava a cooperar com a “Royal Navy” no Mar Mediterrâneo, largando de Lisboa com este objectivo a cinco de Maio. Reuniu na Baía de Lagos, as suas forças, a saber:
- Nau “Príncipe Real”, de 90 peças, 948 tripulantes, Comandante Cdro Conde de Puysegur;
- Nau “Rainha de Portugal”, de 74 peças, 605 tripulantes, Comandante Cdro Thomas Stone;
- Nau “Afonso de Albuquerque”, de 64 peças, 576 tripulantes, Comandante Cdro Donald Campbell;
- Nau “S. Sebastião”, de 64 peças, 564 tripulantes, Comandante Cdro Simpson Mitchell;
- Fragata “Benjamim”,de 24 peças, 120 tripulantes, Comandante Cap-ten George Thompson;
- Bergantim “Falcão”, de 24 peças, 100 tripulantes, Comandante Cap-ten Miguel Oliveira Pinto.

A Presiganga, uma Galé nos Trópicos
(Tese de Paloma Siqueira Fonseca, UNB/Capes– jan/2008)

Uma das vantagens da Príncipe Real para também cumprir esta função era seu grande porte. Podia receber até 950 pessoas, o que permitia a custódia de um número expressivo de homens em local fechado e cercado de água por todos os lados. A guarnição da presiganga tinha composição semelhante à de um navio de guerra em serviço. Davam expediente capelão, cirurgião, boticário, escrivão, despenseiro, oficiais marinheiros, marinhagem. No comando, durante os 22 anos em que funcionaria o navio-presídio, sempre o mesmo oficial: o português Marcelino de Souza Mafra, considerado disciplinado e leal, de carreira militar impecável. Mas o grosso do pessoal compunha a tropa, dedicada à guarda dos presos, escolta e sentinela dos trabalhadores forçados. Entre 1823 e 1830, o total de praças da tropa variou entre 160 e 241 homens – um número razoável, considerando-se que respondiam pela vigilância de mais de 500 encarcerados.


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MensagemEnviado: sábado fev 14, 2015 8:35 pm 
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Reinado D.Maria I

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De fato, muito interessante. Nunca havia parado para pensar em se ou como estes números seriam viáveis. Obviamente não dá para imaginar que este povo todo veio em uma única leva nas Naus que sabe-se fizeram parte desta viagem. Seria uma hipótese que este número de 15.000 pessoas tenha sido transferido ao longo de certo período, em diferentes grupos (e não em um único) e que os registros tenham sido "mau interpretados" pelos historiadores ao longos dos tempos, chegando ao nosso tempo como se a informação fosse de uma única viagem/transferência?


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MensagemEnviado: sábado fev 14, 2015 9:38 pm 
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Reinado D.Filipe II
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Em 1799, a população do Rio de Janeiro era de 43.376 habitantes, dos quais mais da metade era composta de escravos e libertos. Em 22 (vinte e dois) anos, essa população nem mesmo chegou a dobrar, pouco passando dos 79.000 habitantes entre brancos, escravos e libertos. Calculando um aumento de aproximadamente 36.000 habitantes nesse período, chega-se à média de crescimento de 1.635 habitantes por ano, normal para uma cidade como o Rio de Janeiro na época.

Além disso, não existe qualquer registro de uma quantidade significativa de “despejos” de cidadãos, para que essas supostas 15.000 pessoas se alojassem. Esse efetivo causaria um verdadeiro casos na cidade, o que não foi encontrado em qualquer registro da época. Nenhum documento cita tal multidão desembarcando no Rio de Janeiro, num mesmo momento, vindos de Portugal

Uma nau, nas condições que já demonstramos por um cálculo aproximado, poderia até conter 948 tripulantes, em condição extrema, com praticamente uma pessoa ocupando um quadrado de um metro, distribuídos pelo convés e porão, mas não creio que essa fosse a norma quando prevista uma viagem longa de 60 dias em mar aberto, carregado de nobres e seus familiares. Uma esquadra em missão militar, tripulada por homens de mar, circundando a Europa até atingir o Mediterrâneo, com a possibilidade de fundear (ou aportar) próximo aos diversos portos espalhados pela costa, não é a mesma coisa que passageiros acostumados ap cotidiano de suas vidas em cidade, espremidos entre a tripulação, atravessando o Atlântico, em meio a tempestades, numa aventura de 60 dias em mar aberto.

Conhecemos a maioria das obras citadas, mas isso em nada muda a nossa conclusão. Mesmo tendo sido escritas por professores, doutores e historiadores, isso não significa que suas anotações estejam corretas. Seria falacioso afirmar que uma determinada tese fosse a expressão da verdade, somente porque foi escrita por alguém respeitado no meio acadêmico. Não foram poucas as vezes que encontramos erros crassos em obras de prestigiosos autores.

Logicamente a população do Rio de Janeiro aumentou muito após a chegada da Família Real, mas isso não se deu em um único momento, com 15.000 pessoas desembarcando na cidade, vindas de Portugal. Certamente a permanência dos reais, durante longo período no Rio de Janeiro, atraiu muitas pessoas, vindas de diversas partes do mundo, incluindo da África. O problema não é esse, mas sim a fantasiosa tese de que 15.000 pessoas viajaram para o Brasil, espremidas em naus, escunas e brigues, de uma só vez, por ocasião da fuga da Família Real. É mais do que um exagero...é um absurdo!

A seguir vê-se uma imagem do gigantesco transatlântico TITANIC. Sua capacidade máxima era de 3.600 pessoas, entre passageiros e tripulação. Acreditar que uma NAU carregasse a terça parte do efetivo do Titanic numa viagem oceânica de 60 dias, não é exagero...é delírio.

Imagem

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Última edição por numismatica_bentes em quinta fev 19, 2015 6:59 am, editado 1 vez no total.

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MensagemEnviado: sábado fev 14, 2015 11:32 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques
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não vamos comparar as condições de conforto de um transatlantico às de uma viagem daquele tempo,
quantos milhares de pessoas se poderiam colocar no titanic em condições semelhantes ás do seculo xvlll?
veja-se as centenas que se aventuram em botes para chegarem á europa...
e depois já nada me espanta ,lembrem-se da arca de noé :erofl:


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