Fórum Numismática

Lugar de convívio de colecionadores de moedas, notas e outros artigos
Data/Hora: terça dez 11, 2018 10:30 pm

Hora UTC




Criar Novo Tópico  Responder a este Tópico  [ 44 mensagens ]  Ir para a página Anterior 1 2 3 4 5
Autor Mensagem
MensagemEnviado: segunda mar 16, 2015 8:56 pm 
Desligado
Moderador
Avatar do Utilizador

Registado: terça mai 09, 2006 5:57 pm
Mensagens: 8024
Localização: Moita
http://www.revistamilitar.pt/artigo.php?art_id=257

Era para resumir mas não tive pachorra.

_________________
Cumprimentos

Jorge Silva

" A medalha deve ser acarinhada como uma arte nobre da escultura ".

https://betaleiloes.net/os_meus_leiloes.php


Topo
   
MensagemEnviado: quinta dez 21, 2017 9:40 am 
Ligado
Reinado D.Afonso III
Avatar do Utilizador

Registado: sexta jun 28, 2013 4:10 pm
Mensagens: 1774
Localização: Leiria (Distrito)
Hoje, deparei-me com este Tópico, que logo me pareceu muito importante.
Apesar de ter alguns textos (posts) muito longas, o tema que aborda (a fuga da Família Real, para o Brasil)
e a "discussão" que gerou, vale a pena "ressuscitar" ...
Quem tiver interesse e paciência que desfrute este capítulo da História de Portugal, o qual também ajuda a compreender melhor, a importância que teve no desenvolvimento da numismática brasileira, no período colonial
(e aqui, aproveito para citar, um parágrafo de um dos posts deste Tópico)
Citar:
Foi em meio aos eventos que se sucederam imediatamente após a chegada da Família Real que foram criados o Banco do Brasil, o Carimbo de Escudete, o Carimbo de Minas, a Moeda de 960 réis, o raríssimo 960 réis de 1809, cunhado justamente na Casa do Rio os Alvarás de 1 de setembro, 12 de outubro e Regulamento de 8 de novembro, as emisões dos primeiros bilhetes de permuta, e muito mais, tudo isso só no ano em que D. João desceu no Brasil.

Dêem uma "vista d'olhos" ... que vale a pena! :D
:santa2; :xmas:

_________________
Cumprimentos,
Sílvio Silva


Topo
   
MensagemEnviado: domingo dez 24, 2017 7:14 pm 
Desligado
Reinado D.Carlos
Avatar do Utilizador

Registado: sexta mar 29, 2013 12:11 pm
Mensagens: 125
Localização: Lisboa, Portugal
Boa noite e Boas Festas,

Só agora achei por bem entrar neste tópico, pois só agora é que o meu livro está em distribuição, onde também eu me debati com a quantidade de gentes que se transferiram para o Brasil naquele histórico dia 29 de Novembro de 1807.
Do estudo que então fiz em todos os escritos, artigos e livros sobre este assunto, cheguei à conclusão que vos dou conhecimento, pela transcrição de algumas passagens do meu livro.
Note-se que o meu interesse não residia no número das pessoas embarcadas, mas sim no número de militares embarcados para o Brasil, e foi aí que toda essa aventura se revelou com novas cores e novos números. Ora vejam:

Extratos do livro “A Viagem das Insígnias. Valor e Leladade”, de António Miguel Trigueiros, no capítulo “A Viagem do Príncipe”

«O nascimento de uma Nação


Na madrugada do dia 7 de Março de 1808 entrava na baía de Guanabara a nau Príncipe Real, trazendo a bordo o príncipe regente D. João e a rainha D. Maria I. Noutros vasos de guerra da Armada anteriormente chegados, desembarcaram a princesa real D. Carlota Joaquina e as suas filhas infantas, além de muitos altos dignitários da nobreza, do clero e da hierarquia militar. Estima-se que, além de 8.000 militares da guarnição dos navios da Armada e da Brigada Real de Marinha, os passageiros civis transportados nessa grande esquadra seriam na ordem dos 3 a 4.000, pertencentes a todas as classes sociais, serviçais das famílias nobres empregadas na Corte, médicos, professores da universidade, comerciantes, ourives e livreiros.
O que então aconteceu nesse ano de 1808 no Rio de Janeiro representa a maior revolução cultural alguma vez concretizada no Novo Mundo, sendo justo motivo de orgulho para portugueses e para brasileiros: -- em poucas semanas, toda uma nova administração central do vasto império lusíada ficou montada, com as suas secretarias de Estado, tribunais, câmaras de comércio e academias militares.
Entre as instituições então fundadas, merecem destaque a Biblioteca Real, actual Biblioteca Nacional do Brasil; -- a Impressão Régia, mais tarde a Imprensa Nacional do Brasil; -- o Real Jardim da Aclimatação, que é hoje o famoso Jardim Botânico do Rio; -- o Banco do Brasil, o primeiro banco de todo o espaço económico português; -- a Academia de Guardas Marinhas, hoje Escola Naval; -- a Brigada Real de Marinha, hoje o corpo de Fuzileiros Navais do Brasil; -- a Real Academia Militar; -- o Museu Nacional das Belas-Artes, entre tantas outras.
Durante os próximos 13 anos, a permanência do governo de D. João VI no Rio de Janeiro deu foros de nacionalidade “a uma imensa colónia amorfa”, na conhecida citação de Oliveira Lima, uma época marcante do nascimento do Brasil como nação:
«Até 1808 representava o Brasil nada mais do que uma unidade geográfica formada por províncias no fundo estranhas uma às outras; agora porém iam essas províncias fundir-se numa real unidade política, encontrando o seu centro natural na própria capital, o Rio de Janeiro, onde passaram a residir o rei, a corte e o gabinete». (Oliveira Lima, D. João VI no Brasil, p. 55)
(...)
Uma viagem tormentosa

Na tarde do dia 22 de Janeiro de 1808, um pequeno esquadrão de quatro navios entrou na Baía de Todos os Santos, fundeando em frente da cidade do Salvador. Vinha de Lisboa, com 54 dias de navegação oceânica e transportava uma carga de subido valor: a Rainha de Portugal, o Príncipe Regente, a sua família e alguns dos seus principais conselheiros e ministros.
O navio-capitânia era a nau “Príncipe Real”, um navio de linha de belo porte com três convés de baterias de 84 peças e uma numerosa guarnição de 950 marinheiros, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Francisco José de Canto e Castro e Mascarenhas. Transportava 100 passageiros, entre os quais Sua Majestade Fidelíssima a rainha D. Maria I, então com 73 anos, o seu filho D. João, Príncipe Regente e do Brasil, com 40 anos, e três dos seus netos, os infantes D. Pedro de Alcântara, de 9 anos de idade, D. Miguel Maria, de 5 anos e D. Pedro Carlos, de 21 anos, infante de Espanha e de Portugal. Juntamente com a família Real viajavam o vice-almirante Manuel da Cunha Souto Maior, o chefe-de-divisão Joaquim José Monteiro Torres (Ajudante General), o conselheiro de Estado D. Fernando José de Portugal e Castro, de 55 anos, o visconde da Anadia, D. João Rodrigues de Sá e Melo, de 52 anos e outros cortesãos, com as respectivas famílias.
(...)
Outros navios da esquadra estavam também dispersos no mar, como a nau de linha “Afonso de Albuquerque”, de 74 peças e uma guarnição de 634 homens, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Inácio da Costa Quintela, onde vinham embarcados a princesa real e do Brasil, D. Carlota Joaquina, de 32 anos, com quatro das suas filhas, D. Maria Teresa, de 14 anos, princesa da Beira, as infantas D. Maria Isabel, de 10 anos, D. Maria d’Assumpção, com 2 anos e a benjamim da família, D. Anna de Jesus Maria, de 1 ano de idade, acompanhadas pelas famílias de outros dignitários da Corte; e a fragata “Minerva”, de 44 peças e 349 homens de guarnição, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Rodrigo José Ferreira Lobo.
Sem o saber, tinha navegado no mesmo rumo noroeste e ultrapassado o primeiro ponto de reunião bem a norte da ilha da Madeira. Dois dias depois, a 11 de Dezembro, avistam a Príncipe Real e a ela se juntam, formando um pequeno esquadrão naval, onde vinha embarcada a totalidade da família real de Portugal.
(...)
A Brigada Real de Marinha, também conhecida pelo Corpo de Soldados-Marinheiros, embarcou quase na sua totalidade rumo ao Brasil, juntamente com a Banda da Armada, da qual fazia parte, sob o comando do brigadeiro de Artilharia Joaquim José da Silva. Distribuída pelos vários navios da esquadra, onde serviam de corpo armado de defesa das tripulações e passageiros, representavam um formidável corpo de 2.124 soldados–fuzileiros, incluindo 42 oficiais. Muitos familiares dos militares deste corpo da Armada iam espalhados por vários navios de pequeno porte.
Noutro vaso de guerra, a nau “Conde Dom Henrique” (de 74 peças e 669 homens de guarnição), comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra José Maria de Almeida, vinha embarcada a totalidade da Academia Real de Guardas-Marinha, totalizando 38 guardas-marinha, 17 voluntários e 5 aspirantes, com os seus professores, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra José Maria Dantas Pereira, o qual fez também embarcar num navio de apoio, a charrua “S. João Magnânimo” (de 26 peças), comandada pelo primeiro-tenente Custódio José da Silva Menezes, a totalidade da biblioteca da Academia, o seu arquivo, o material didáctico e pedagógico, as bandeiras e uma preciosa colecção de cartas náuticas, além de peças do seu rico e antigo acervo museológico.
(...)»

Ou seja, 8.000 militares (marinheiros, fuzileiros e exército), este é o número correcto. O resto do pessoal civil, estimado por historiadores brasileiros, não era mais do que 3 a 4.000.

Espero ter ajudado neste tópico.
Cumprimentos,
A Trigueiros

PS - Note-se, por exemplo, a nau onde ia o Príncipe Regente: 100 passageiros e quase 1000 homens de guarnição.


Última edição por EngTrig em segunda dez 25, 2017 2:49 pm, editado 1 vez no total.

Topo
   
MensagemEnviado: domingo dez 24, 2017 9:46 pm 
Desligado
Reinado D.Pedro V

Registado: sábado mar 27, 2010 1:13 am
Mensagens: 228
Prezado Sr. Trigueiros,

Muito obrigado por partilhar este trecho impressionante do seu interessante livro. Faço votos de um feliz Natal e excelente 2018.


Topo
   
Mostrar mensagens anteriores:  Ordenar por  
Criar Novo Tópico  Responder a este Tópico  [ 44 mensagens ]  Ir para a página Anterior 1 2 3 4 5

Hora UTC


Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 3 visitantes


Criar Tópicos: Proibido
Responder Tópicos: Proibido
Editar Mensagens: Proibido
Apagar Mensagens: Proibido
Enviar anexos: Proibido

Pesquisar por:
Ir para:  
Desenvolvido por phpBB® Forum Software © phpBB Limited
Traduzido por: phpBB Portugal