Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIONAIS

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xandilm
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor xandilm » quarta nov 17, 2010 9:22 pm

Não tem como afirmar que as peças decimais são falsas apenas pela teoria de que os florins era duodecimais, pois o unico documento que se tem conhecimento sobre a cunhagem dos soldos, só fala em decimais:

"De acordo então com a resolução de 26 de janeiro, conforme visto acima, estava autorizada a cunhagem de 3 valores apenas, que seria as peças de:

-XXXX stuiver (correspondendo a dois florins)
-XX stuivers (correspondendo a 1 florin)
-X stuiver (correspondendo a ½ florin

Esse fato é bastante curioso, pois não estaria autorizada então a cunhagem da peça de XXX florins (muito provavelmente falsa), bem como a peça de XII stuivers (ou florins), a única moeda sem sombra de dúvidas considerada por todos como autêntica. Sobre essas duas peças, não há indicação de quanto poderiam valer em florins."


Já vi, e tenho vários exemplares de Soldos (todos falsos lógico), e nenhum deles tem o estilo de cunho que a de XII Soldos considerada autêntica, ou dos Florins de 1645 e 1646.

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numismatica_bentes
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor numismatica_bentes » quinta dez 02, 2010 12:21 am

Até o início da Europa Moderna, os dois sistemas (duodecimal e decimal) coexistiam. O de base 10 prevaleceu sobre o duodecimal etrusco-romano, a partir da Revolução Francesa, influenciando toda Europa, a partir de então.

Assim, não questiono os documentos que possam haver estabelecido a cunhagem de moedas de X soldos...um, digamos, "erro". O que afirmo é que isso, com certeza quase absoluta, não aconteceu. O sistema duodecimal - apesar de existir o decimal - no qual era fundado o Fiorino cunhado em 1252 em Firenze, e que deu origem ao Florim holandês, era o usual. Mesmo porque, as traduções são sempre o "eco de um eco" e "até o valor X Stuivers" pode NÃO significar necessariamente "X Stuivers".

Dessa forma, a origem do Florim holandês nos conduz ao século XIII, quando a moeda de ouro batida em Firenze era largamente utilizada para os negócios comerciais, influenciando e ditando regras e normas em toda a Europa.

A explicação dessa escolha (preferência) dos holandeses pelo sistema duodecimal para suas moedas (mesmo conhecendo e fazendo uso do sistema decimal) - principalmente quando envolvidos em campanhas militares - é muito longa. Para seu entendimento, são necessários muita leitura (a maior parte da literatura é estrangeira), pesquisa e comparação. Sob esse aspecto, alguns trabalhos em italiano, são bastante satisfatórios, a exemplo do que se encontra na coleção de 6 volumes dedicados somente à numismática. Pode-se encontrar, também, boa referência no Corpus Nummorum Italicorum, a monumental obra de Vittorio Emanuele III de Savóia.

Preparei um texto introdutório, muito resumido, mas que talvez possa ajudar a esclarecer o motivo pelo qual a maior parte das nações européias, até o início da idade moderna, adotavam o sistema duodecimal na cunhagem das moedas.

O texto que se encontra em "itálico", pode ser saltado, caso não seja do interesse do leitor.

A moeda, para todos os efeitos, representa o rompimento do vínculo com o processo de trocas que a antecedeu. A primitiva forma de vida social se baseava num sistema simples de trocas onde a mercadoria trocada devia ser pesada a cada vez que se verificasse a intenção de uma negociação comercial. Porém, bastava que aumentassem as espécies de mercadorias trocadas para surgirem as dificuldades de gerir este processo. Se, por exemplo, estivessem em jogo 10 comerciantes, cada um com um tipo de mercadoria diferente, por um simples raciocínio combinatório, conclui-se que as pesagens (avaliações) deveriam chegar a 90, pois cada um dos produtos poderia ser trocado com os outros 9; refazendo o processo por 10 vezes, ao final teríamos esse número.

Se chegassem a 20 mercadorias, as avaliações chegariam ao absurdo número de 380, resultado de 20 x 19. Assim, se fez extremamente necessária a introdução de um elemento capaz de representar todas as mercadorias, de forma que pudesse agilizar as trocas.

Uma outra dificuldade ficava por conta da falta de interesse em determinada mercadoria, num momento em que seu proprietário necessitava efetuar a troca por víveres, por exemplo. Se ninguém se interessasse por sua mercadoria, um problema sério se apresentava. A criação de um elemento de interesse comum (a moeda), criava a possibilidade real de uma troca, bastando para tal estar de posse deste elemento. O interessado poderia, por exemplo, negociar seu produto em outra região, trocando-o pelo novo elemento introduzido, o que lhe daria a possibilidade de obter víveres quando e onde pretendesse.

A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. Como vimos, no início das tratativas comerciais não existia, praticando-se o “escâmbio”, a simples troca de mercadoria por mercadoria.
Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas e aceitas do que outras, passando a assumir a função de moeda, circulando como elemento intermediário na troca por outros produtos, e servindo para lhes dar valor. Eram as chamadas “moedas-mercadoria”.
O gado e o sal eram bem aceitos como instrumento de troca e acabaram por deixar registros em nosso vocabulário. Até hoje, empregamos palavras como pecúnia (dinheiro) e pecúlio (dinheiro acumulado), derivadas da palavra latina “pecus” (gado).

A palavra capital (patrimônio) vem do latim “capita” (cabeça). A palavra salário (remuneração, normalmente em dinheiro, devida pelo empregador em face do serviço do empregado) tem como origem a utilização do sal que na antiga Roma servia como pagamento de serviços prestados.
Com o passar do tempo, tais mercadorias tornaram-se um inconveniente às transações comerciais, em virtude da oscilação de seu valor, mas principalmente pelo fato de não serem fracionáveis e também por serem facilmente perecíveis, não permitindo o acúmulo de riquezas.

Quando o homem descobriu o metal, logo passou a utilizá-lo para fabricar seus utensílios e armas, anteriormente feitos de pedra.

Por apresentar vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza, o metal impôs-se como principal padrão de valor, sendo trocado sob as mais diversas formas; a princípio, em seu estado natural, depois sob a forma de barras e, ainda, sob a forma de objetos, como anéis, braceletes, etc.

Os utensílios de metal passaram a ser mercadorias muito apreciadas. Sua produção exigia, além do domínio das técnicas de fundição, o conhecimento dos locais onde o metal poderia ser encontrado. Essa produção, naturalmente, não estava ao alcance de todos.

A valorização dos utensílios levou à sua utilização como moeda e ao aparecimento de réplicas de objetos metálicos, em pequenas dimensões, que passaram a circular como dinheiro, a exemplo das moedas faca e chave, encontradas no Oriente, o talento, moedas de cobre ou bronze, com o formato das vestes que eram feitas de pele de animal, encontradas na Grécia e em Chipre.

Foram os sumérios (habitantes da Mesopotâmia que em tempos remotos haviam inventado a escrita) que, através de seus sacerdotes, se encarregaram de escolher o metal como o meio mais conveniente a servir de intermediário nesse processo de troca.

Os metais escolhidos foram o ouro (sagrado disco solar) e a prata (consagrada à lua). A relação entre os dois metais foi estabelecida de 1 a 13 e 1/3, correspondendo, ao que parece, à relação astronômica entre o ano solar e os meses lunares.

Sendo os pioneiros no desenvolvimento da série infinita dos números, os sumérios usaram como base de sua avaliação o número 12 (sistema duodecimal), com a possibilidade da subdivisão em 3, 4 e 6, aparentemente menos cômodo que 10, que corresponde aos dedos das mãos, porém mais lógico sob o ponto de vista da divisão maior que possibilitava.

Além disso, a escopo de materializar o conceito abstrato de número, foi adotada como base a libra de prata que, em seguida foi chamada com o nome latinizado de “mina”. O seu múltiplo foi o “talento”, equivalente a 60 libras de prata. A mina foi dividida em 60 “ciclos” onde cada um correspondia a 180 gramas de trigo.

Os metais preciosos ficavam sob custódia dos templos, onde os sacerdotes determinavam as importantes e delicadas operações que regulavam as trocas de mercadorias e aluguéis, recuperando inclusive a parte reservada às autoridades.

Porém, tal conceito de dinheiro tinha um caráter abstrato. Aos talentos, às minas e aos ciclos não correspondiam as relativas moedas e portanto era lógica a sensação de “falta de recursos próprios” que experimentavam os negociantes, e a população em geral, por não possuírem, materialmente, o valor do seu produto.

Os Fenícios efetuavam trocas com os índios da África ocidental, recorrendo a um sistema mais tangível e imediato: Colocavam na areia da praia aquilo que pretendiam oferecer e retiravam-se para os seus navios. Os indígenas observavam aquilo que lhes era oferecido e colocavam junto à cada tipo de mercadoria, a quantidade de ouro em pó que acreditavam ser adequado à troca e se retiravam.

Se os Fenícios estivessem de acordo, pegavam o ouro e a troca era concluída, caso contrário a operação vinha repetida até quando fosse atingido um resultado de comum acordo.

A primeira solução a essa natural aspiração encontrou sua aplicação na Babilônia onde se faz referimento a pesos fixos de prata, substituídos depois por pesos de cobre e em seguida de bronze. Mas é na Grécia que encontramos a primeira moeda, mesmo que esta ainda se concretizasse na estranha forma de “espetos de ferro” (denominados obelos), longos mais de um metro e que eram dados inicialmente aos juízes, como forma de compensação pelos seus serviços prestados em juízo. O mesmo compenso dizia respeito aos simples cidadãos quando estes “espetos” lhes eram concedidos por ocasiões de festas e cerimônias.

Foi com a finalidade de exercer a função de meio de troca comercial que, no século VII a.C. nasce, na Lídia, a moeda como a conhecemos hoje, em sua forma metálica. Entre 629 e 600 a.C. aparecem os primeiros discos metálicos de várias dimensões, sobre os quais o Rei havia ordenado que se colocasse o próprio sigilo.

Esses discos eram de electron (uma liga natural de ouro e prata) que em pouco tempo foram substituídos por discos de ouro puro. Aconteceu no VI século a.C. sob o reinado de Creso (561 – 546 a.C.), famoso por sua imensa riqueza. Esse fenômeno foi, certamente, o resultado de um processo que durou séculos e, seguramente, não se tratou de uma invenção casual.

Com o advento da moeda como instrumento intermediador da troca, foram criadas as primeiras bases da moderna sociedade industrial, permitindo ao homem liberar-se do milenar comércio da simples troca e construir a economia como a conhecemos hoje.

Presume-se que há pelo menos 35 mil anos, instrumentos de caça e pesca, e mesmo as rudimentares armas de guerra, deviam se prestar a objetos de troca, possuindo um “preço” estabelecido através de uma prática comercial que, apesar de primitiva aos nossos olhos, era eficiente para a sobrevivência dos grupos humanos que vagavam pelo planeta. O desenvolvimento da pecuária e da agricultura acabou por relegar as atividades de caça e pesca a uma função secundária; dessa forma outros bens passaram a regular as atividades de troca.

Entre os povos pastores, o objeto principal de referência de troca não podia ser outro que a ovelha, enquanto aqueles que se dedicavam à agricultura e à pecuária usavam o boi como moeda. Era importante que estes animais possuíssem uma função de medida comparativa de valor, de forma a servir como instrumento de troca numa economia que era fundamentada essencialmente na atividade agrícola.

Com o lento progresso do comércio e do tráfico e também devido ao desenvolvimento social dos vários povos existentes sobre a Terra, desenvolveu-se paulatinamente um sistema de medidas que acabou por criar uma unidade de peso que passou a agir como “moeda”, intermediando trocas e passando a associar, aos bens materiais, um determinado valor. Através de sucessivas transformações, diversos sistemas metrológicos foram criados sendo aquele duodecimal, por derivação sexagesimal, o mais usado e de clara origem religiosa, em uso na Babilônia.

O sistema sexagesimal ou babilônico, que ao que tudo indica remonta a 3000 a.C., é considerado finito ou seja, completo e derivado de base científica como o nosso sistema métrico decimal. Os outros sistemas metrológicos que surgiram posteriormente e que se impuseram sobre os outros como o dos egípcios e aquele dos romanos, faziam uso de grandezas que não derivavam umas das outras, mas sim dos aspectos da vida econômica.

O sistema babilônico se baseava na medida do tempo. O ano de 360 dias correspondia ao giro de 360 graus. Dois pontos distintos de uma circunferência e que delimitam um arco correspondente à sexta parte da circunferência, determinam uma corda igual ao raio, e a sexta parte do ano correspondia a 60 dias. Dessa forma, os números 6 e 60 derivam da medida do tempo e da geometria. Mas 60 também é a medida de cada um dos três angulos do triângulo equilátero, construído com os raios da circunferência e a corda que subentende um arco de medida sexagesimal igual a 60. Além disso, uma hora é dividida em 60 minutos e um minuto, em 60 segundos.

Com um círculo dividido em 24 partes, cada uma correspondendo a uma hora, temos um total de 1440 minutos que correspondem a 360 graus. Desta forma, um grau corresponde a 4 minutos. Enquanto o sistema decimal trabalha com múltiplos e submúltiplos de 10 que não permitem estas divisões com quocientes inteiros, aquele sexagesimal trabalha com múltiplos e submúltiplos de 60.

Porém se serviam também do sistema decimal que por diversos motivos não teve ampla e duradoura utilização. Todavia, frequentemente vimos os dois sistemas sendo empregados contemporaneamente, um para os múltiplos e outro para os submúltiplos e ainda um para certo tipo de bens e outro para outros tipos, deixando claro que também a conveniência e os aspectos da vida econômica influenciavam, como ainda o fazem, a determinação dos padrões de troca.

No sistema monetário do Brasil, os 960 réis atendem tanto ao sistema sexagesimal (múltiplo de 60) quanto àquele decimal (múltiplo de 10).

Durante a dinastia carolíngia, a pureza do marco se exprimia em "denários", sendo que 12 denários eram a medida da prata pura. O marco de ouro, normalmente mais leve, era indicado em karat (quilates), sendo 24 karat o máximo da sua pureza.

O Florim holandês, assim como o Double Leopard (fiorino inglês batido por Edurado III) descendem diretamente do fiorino pequeno - moeda batida em Firenze por volta de 1250, mais precisamente em 1252, após a Batalha de Montalcino - com origem no sistema toscano que se baseava exclusivamente no antigo sistema duodecimal etrusco-romano. Inicialmente, esse fiorino valia 12 fiorini de prata, ou seja, o equivalente a um fiorino de conto, com uma relação estabelecida entre o ouro e a prata, na razão de 1 para 12. Até há bem pouco tempo (15 de fevereiro de 1971, data do "decimal day"), a Inglaterra usava o sistema duodecimal (base 12) para o seu sistema monetário, com cada shilling valendo 12 pences. A dúzia ainda é válida, nos nossos dias, como sistema de contagem que, na idade média, voltou a prevalecer como sistema de trocas.

Já no Renascimento, o sistema adotado na Toscana influenciava aquele de toda Europa. Na região do Piemonte sabaudo, antes da revolução, ainda se adotava o sistema duodecimal para a subdivisão da Lira, o que terminou apenas com Napoleão, com a equiparação ao franco francês, sendo oficializado como de base 10 (aqueel italiano), com a lei 788 de 24 Agosto de 1862. Isso se justifica, em época moderna, a partir da Revolução Francesa, com o sistema decimal tomando um grande impulso, terminando por prevalecer sobre aquele duodecimal de origem etrusco-romana, e fazendo com que praticamente toda Europa passasse a adotar o sistema usado pelos franceses.

Em realidade, o sistema duodecimal é muito mais prático que aquele decimal que existe somente devido ao fato de que temos dez dedos. Enquanto o número 10 é decomposto em 2 e 5, o sistema duodecimal pode nos permitir a divisão por 2, 3, 4 e 6, além do próprio 12 e da unidade...o que não conta por ser divisor natural de qualquer número. Em outras palavras, enquanto 10 tem 4 divisores (3, mais a unidade), o número 12 tem 6 (5, mais a unidade), sendo muito mais prático e cômodo de se trabalhar.

Finalizando: Depois de muito pesquisar, estudar, comparar e debater com estudiosos como o Dr. Eupremio Montenegro, me vejo "obrigado" a concluir, certificando que as moedas de X, XX, XXX e XXXX soldos* são todas falsas.

* O "soldo" ou, mais acertadamente, Stuiver, era a moeda usada nos Países Baixos até o período das Guerras Napoleônicas. Valia 16 Pences ou 8 Duit. Vinte Stuivers valiam um Gulden (1 Florim). A relação entre o Florim e o Stuiver remonta ao imperador Carlo V, com a criação do Carolusgulden de prata, em 1543. Depois da "decimalização" da moeda holandesa, o nome Stuiver passou a ser utilizado popularmente para designar a moeda de cinco centavos (1/20 do Fiorino de Firenze), o que perdurou até a chegada do Euro. Atualmente, o nome é usado de forma coloquial para indicar a moeda de 5 centavos de euro, que tem aproximadamente a mesma dimensão.

Desde 1660, a Companhia Holandesa das Índias Orientais iniciou a bater Stuivers de cobre, mas somente para uso local no Sri Lanka. Inicialmente, essas moedas foram batidas com os valores no anverso e no reverso, mas a partir de 1783, foi introduzido o monograma VOC, do mesmo nome da companhia em neerlandês, além da data. Essas moedas foram cunhadas até a ocupação britânica em 1796.
Última edição por numismatica_bentes em quinta dez 02, 2010 12:31 pm, editado 10 vezes no total.

rodrigoleite
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor rodrigoleite » quinta dez 02, 2010 1:01 am

Mais uma aula do Profº!
Parabéns pelo texto e pela explicação, numismatica_bentes!
:clap3: :clap3: :clap3:
Rodrigo Leite

Scientia nvmismatica ad omnivm gentivm.

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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 11:35 am

Volto a repetir, sucintamente, que não houve oficialmente uma padronização do sistema monetário holandês (dos Países Baixos), nos séculos XVI e XVII, em decimal ou duodecimal. Esse período em que a Holanda estava passando por sua Independência dos Habsburgos espanhóis, conhecido como Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), corresponde ao período das Invasões Holandesas no Brasil, e evidentemente da criação das Companhias Gerais de Comércio das Índias Ocidentais e Orientais (GWC e VOC, respectivamente).

O padrão monetário holandês do período:

1 duit
8 duiten = 1 stuiver (erroneamente chamado por aqui de soldo)
5 stuivers = 1/4 gulden
10 stuivers = 1/2 gulden
20 stuivers = 1 gulden
1 daalder = 30 stuivers
1 florin = 28 stuivers
1 rijksdaalder = 2 1/2 gulden (50 stuivers)
1 dukaat = 5 gulden
1/2 gouden rijder = 7 gulden
1 gouden rijder = 14 gulden

(até aqui, nada duodecimal... :rotate: )

6 stuivers = schelling
1 leewendaalder = variou de 36 a 42 stuivers
1 zilveren dukaat = 48 stuivers
1 dukaton = 60 stuivers

(aqui tem uma predominância duodecimal)

Ou seja, todos os padrões circularam normalmente e no mesmo período. O argumento de que as moedas obsidionais brasileiras de X, XX, XXX e XXXX soldos eram falsas por serem do sistema decimal, está erradao. Podem ser falsas sem dúvida nenhuma, mas NUNCA por tal argumento. O padrão monetário de base era o stuiver.
Aqui vão alguns exemplos de moedas holandesas do período da Guerra dos Oitenta Anos, todas obsidionais, para provar o que aqui coloco:

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

http://archives.elsen.eu/index.aspx?tab ... n91details

Aqui uma minha, que apresentei há uns meses, numtópico do Forum:

viewtopic.php?f=61&t=44060

Como pode-se ver, coloquei exemplos que poderiam ser tanto decimais, como duodecimais, alguns das mesmas cidades e do mesmo período. Portanto, não houve padronização alguma, sendo essa justificativa dada anteriormente, completamente implausível.

;)
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor numismatica_bentes » quinta dez 02, 2010 12:46 pm

Stuivers holandeses

Imagem

Na figura, de cima para baixo, 6 Stuivers, 6 Stuivers e 48 Stuivers

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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 2:32 pm

Não sei se o senhor não leu ou não entendeu o meu último post. Eu não disse que acredito que tenham havido cunhagens decimais em prata no brasil holandês. Acredito que sejam falsas, embora o único documento conhecido do período autorize a cunhagem de moedas do sistema decimal...
O que coloco é que o padrão monetário de base holandês, além do gulden, era o stuiver (1/20 do gulden). Portanto, não havia e nunca houve uma padronização decimal ou duodecimal naquele período. Os holandeses eram mais práticos. Ou calculavam em stuivers, ou em gulden.
Portanto, se viu as imagens das moedas e o período abrangente (sim, ele é importante), verá que seu argumento é totalmente descabido, pois NUNCA HOUVE PADRONIZAÇÃO DE UM DESSES DOIS SISTEMAS NA HOLANDA DA ÉPOCA. Ou seja, para o comandante, tanto faria um ou outro tipo. E se não percebeu, sua última frase está totalmente em desacordo com o restante do que escreveu acima...
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 7:46 pm

numismatica_bentes Escreveu:As emissões da guerra dos oitenta anos são bastante particulares e fogem ao padrão adotado pelos holandeses (até o período napoleônico), justamente devido ao domínio espanhol ...MAS, principalmente, devido à influência portuguesa no desenvolvimento cultural e científico do país independente.
As moedas cunhadas durante a ocupação holandesa no nordeste dizem respeito à Holanda já como potência, reafirmando sua independência e unidade econômica e monetária em terra de conquista. Aqui, é necessário um pouco de intuição e empatia para o bom entendimento do assunto. Apenas fotos e citações não bastam ! :signhere:

Para finalizar, afirmo que esta é matéria para muito estudo e discussão até a exaustão. A prova não pode ser tão simplória quanto a citação de moedas cunhadas num período particular da história de uma Holanda dominada ou em fase de independência.


Aqui um pequeno exemplo, para ilustrar o "sistema decimal" oficial dos Estados Gerais dos Países Baixos período do século XVII, já independente da Espanha, e beeem longe do período napoleônico, indo totalmente contra a sua afirmação:

http://www.coinarchives.com/w/lotviewer ... 3dc0dfa65f

Aqui uma página repleta de 10 stuivers...vide o do ano de 1606, moeda oficial, não obsidional:

http://www.numismaster.com/ta/inside_nu ... eInfoDenom


Pois é... ;)
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 9:19 pm

numismatica_bentes Escreveu:Tente entender !!! O sistema decimal não era oficial. Nem mesmo o decimal o era !!! O sistema decimal era o padrão preferido e adotado num enorme percentual da história do país. Para entender isso, devemos "mergulhar" na história da moeda. e não num periodo da história do país.


Foi o que eu disse. Não havia padronização. Não havia sistemas oficiais. O stuiver era a base da circulação, e se encaixava bem tanto para continhas decimais e duodecimais.
Quanto ao mergulho na história da moeda e do país, acho impossível separar um do outro, não é? ;)
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 9:23 pm

numismatica_bentes Escreveu:Um curto período da história da Holanda, sob dominío espanhol, não pode servir de base para um assunto tão complexo. Perdoe-me, mas não posso concordar com sua exposição.


Um "curto" período de 80 anos?...E na qual estávamos sob domínio holandês no nordeste?
Nesse mesmo período de tempo, em relação ao século XX, o Brasil mudou de moeda quantas vezes?
Última edição por Paul Gerritsen Plaggert em quinta dez 02, 2010 9:24 pm, editado 1 vez no total.
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Re: Estudos sobre as primeiras moedas brasileiras-AS OBSIDIO

Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » quinta dez 02, 2010 9:25 pm

numismatica_bentes Escreveu:Aliás, para ser honesto, entre os estudiosos do assunto, o único que está a seu favor, corroborando com sua teoria, é Haeberlin que, a diferença do que acredita a maioria, este crê que foi o padrão decimal a ditar as cunhagens, o que discordo totalmente.


Não houve padrões, se é que o senhor entende o que eu escrevo...
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