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 Assunto da Mensagem: As primeiras moedas brasileiras
MensagemEnviado: quarta jun 06, 2012 4:56 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Qual a 1ª moeda autorizada a circular por aqui? Segundo o Livro das Moedas Brasileiras foram as macuquinas carimbadas segundo o Alvará de 26/02/1643, logo em seguida vindo os Florins obsidionais cunhados em 1645-1646. No entanto grandes numismatas como Solano de Barros e Kurt Prober datam o marco zero em 1568.

Leis Anteriores

Embora existam leis anteriores que já dariam bases legais para a circulação de numerário no Brasil, como as de 1538 e 1558, segundo a Synopsis Chronologica Tomos I e II de José Anastásio de Figueiredo publicados em 1790, as leis não eram específicas mas sim gerais fazendo com que as moedas circulassem em todas as conquistas portuguesas.

As Provisões

Segundo Solano de Barros, em 3 de Março de 1568, D. Sebastião I baixou a Provisão mandando circular as moedas portuguesas de cobre na “Conquista Portuguesa na América” (o Brasil atual), ou seja, as denominações de X Reais, V Reais, III Reais e I Real. Em 13 de Março de 1568 uma nova Provisão é feita para reavalorizar as moedas com os seguintes valores

I Real = ½ Real
III Reais = 1 Real
V Reais = 1 ½ Real
X Reais = 3 Reais

Isso tinha os seguintes motivos:

+ evitar a fuga de numerário para a colônia;
+ controlar as falsificações que se alastravam;
+ estimular o uso para pequenos trocos (por isso a moeda de I Real tem apenas 50% de deságio, enquanto a de X Reais tem 70% de deságio).

As Provisões (tanto a de 3 de Março como a 13 de Março) saíram de Lisboa 29 de Março. Por isso Prober no seu Catálogo das Moedas Brasileiras de Cobre alista a data como 29 de Março de 1568: a data da saída das provisões de Lisboa. Em 17 de Setembro de 1568 chega a provisão a Salvador sendo transladada no mesmo dia.

Imagens

Coleção de Fábio Femiano Pagliarini (in memorian)
Imagem

Solano de Barros - Gênese da Numismática Brasileira
Imagem

Kurt Prober - Catálogo das Moedas Brasileiras de Cobre
Imagem

Ferraro Vaz - Livro das Moedas de Portugal
Imagem

BIBLIOGRAFIA

AMATO, Cláudio; NEVES, Irlei S.; RUSSO, Arnaldo. Livro das Moedas do Brasil. 12ª ed. São Paulo, 2009.
BARROS; Alfredo Solano de. A Gênese da Numismática Brasileira. Rio de Janeiro, 1942.
FIGUEIREDO, José Anastásio de. Synopsis Chronolologica. Tomos I e II. Lisboa, 1790.
PROBER, Kurt. Catálogo das Moedas Brasileiras de Cobre. Rio de Janeiro, 1957.
VAZ, J. Ferraro. Livro das Moedas de Portugal I. Braga, 1969.

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Rodrigo Leite

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Última edição por rodrigoleite em terça dez 04, 2012 7:47 pm, editado 1 vez no total.

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MensagemEnviado: domingo out 07, 2012 12:17 am 
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Reinado D.Afonso Henriques
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Deixo aqui um tópico interessante do José Gomes, achados que vêm comprovando essa tese!

http://forum-numismatica.com/viewtopic.php?f=3&t=82442

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MensagemEnviado: terça dez 04, 2012 7:20 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Rodrigo, como disse anteriormente, as provisões chegaram na Bahia no dia 29/03 e foram transladadas imediatamente; sendo este o motivo para Prober ter escrito em seu catálogo que as mesmas datam de 1569.
Gostaria de saber:
- as provisões chegaram e foram transladadas imediatamente, para onde?
- é certo que as mesmas chegaram na Bahia tão somente mais de 1 ano após serem impostas?


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MensagemEnviado: terça dez 04, 2012 7:45 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

Registado: terça jul 21, 2009 12:55 am
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Thomás Escreveu:
Rodrigo, como disse anteriormente, as provisões chegaram na Bahia no dia 29/03 e foram transladadas imediatamente; sendo este o motivo para Prober ter escrito em seu catálogo que as mesmas datam de 1569.
Gostaria de saber:
- as provisões chegaram e foram transladadas imediatamente, para onde?
- é certo que as mesmas chegaram na Bahia tão somente mais de 1 ano após serem impostas?

Obrigado por notar o erro, Thomás, a Provisão saiu de Lisboa em 29/03/1658 (não 1659) e chegou na Bahia em 17/09/1568, foi erro de digitação meu. Isso é certo, está registrado no livro da Câmara da Capitania da Bahia.

Elas foram transladadas para as capitanias do Rio de Janeiro, Porto Seguro, Espírito Santo, e São Vicente.

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Rodrigo Leite

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Última edição por rodrigoleite em terça dez 04, 2012 7:48 pm, editado 1 vez no total.

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MensagemEnviado: terça dez 04, 2012 7:47 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Localização: Belo Horizonte,Brasil
rodrigoleite Escreveu:
Thomás Escreveu:
Rodrigo, como disse anteriormente, as provisões chegaram na Bahia no dia 29/03 e foram transladadas imediatamente; sendo este o motivo para Prober ter escrito em seu catálogo que as mesmas datam de 1569.
Gostaria de saber:
- as provisões chegaram e foram transladadas imediatamente, para onde?
- é certo que as mesmas chegaram na Bahia tão somente mais de 1 ano após serem impostas?

Obrigado por notar o erro, Thomás, a Provisão saiu de Lisboa em 29/03/1658 (não 1659) e chegou na Bahia em 17/09/1568, foi erro de digitação meu. Isso é certo, está registrado no livro da Câmara da Capitania da Bahia.

Elas foram transladadas para as capitanias do Rio de Janeiro, Porto Seguro, Espírito Santo, Porto Seguro e São vicente.

Obrigado por mais estas informações! :D
Um abraço,


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MensagemEnviado: terça dez 04, 2012 7:55 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Rodrigo, vais editar o tópico?
Pois se não for, é que escreveste errado em sua ultima resposta.
Escreveste 1658 e 1659.
Como para quem vos fala, digitar é um problema... :rotate:
Ah, e se chegaram em Setembro de 1568 na Bahia, por que Prober as data como sendo de 1569?
Um abraço,


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MensagemEnviado: terça dez 04, 2012 8:01 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Thomás Escreveu:
Rodrigo, vais editar o tópico?
Pois se não for, é que escreveste errado em sua ultima resposta.
Escreveste 1658 e 1659.
Como para quem vos fala, digitar é um problema... :rotate:
Ah, e se chegaram em Setembro de 1568 na Bahia, por que Prober as data como sendo de 1569?
Um abraço,

Prober alista como data da provisão a data de saída, Solano alista como a data de assinatura.

No Prober está 1568, eu é que digitei errado. Já editei o tópico.

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Rodrigo Leite

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MensagemEnviado: segunda dez 10, 2012 2:52 pm 
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Reinado D.Filipe II
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Não somos especializados em moedas portuguesas. Todavia, como algumas moedas de cobre de D. Sebastião circularam oficilmente no Brasil, temos estudado exaustivamente o assunto.

Em nossa pesquisas, deparamos com uma "curiosidade" para a qual não encontramos explicação. Assim, solicitamos aos foristas, colecionadores de moedas portuguesas, um esclarecimento:

Entre as moedas de X REAIS, reajustadas em 3 REAIS, pela Provisão de 13/03/1568, notamos que entre elas existe uma com anverso de D. João III (IOANNES III D G PORT ET ALGABIORVM). Todavia, no reverso desta moeda, aparece a legenda REX SEXTVS DECIMVS que corresponde ao décimo sexto monarca, no caso D. Sebastião.

É óbvio que a moeda pertence a D. Sebastião e não ao seu antecessor, QUINTVS DECIMUS, décimo quinto monarca, D. João III.

Gostaríamos que alguém (apenas para satisfazer nossa curiosidade) nos dissesse por que usaram o anverso de D. João III em uma moeda com o reverso alusivo ao seu sucessor. Não faz muito sentido abrir um novo ferro de reverso para D. Sebastião (REX SEXTVS DECIMVS) e usar o de anverso com legenda do soberano anterior.

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MensagemEnviado: segunda dez 10, 2012 3:19 pm 
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Reinado D.Afonso Henriques

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Bentes,
ora, desta curiosidade não tinha conhecimento.
Há a possibilidade de ser uma moeda híbrida.


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MensagemEnviado: segunda dez 10, 2012 3:44 pm 
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Reinado D.Filipe II
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Localização: Italia
Thomás Escreveu:
Bentes,
ora, desta curiosidade não tinha conhecimento.
Há a possibilidade de ser uma moeda híbrida.


Sem dúvida é uma MOEDA HÍBRIDA. O problema reside na explicação que não encontramos em lugar nenhum com relação a essa moeda.

O híbrido pode ser intencional ou um erro...é isso que gostaríamos de esclarecer. Se existe algo na história de Portugal que nos levasse a concluir que o "erro" foi intencional e porque.

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