400 anos de colonização do Brasil - Série Vicentina.

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doliveirarod
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400 anos de colonização do Brasil - Série Vicentina.

Mensagempor doliveirarod » domingo ago 03, 2008 5:00 am

Aqui a série conhecida como Vicentina, pois traz alguns personagens diretamente ligados à fundação da cidade de São Paulo, antiga Capitania de São Vicente. A série é comemorativa aos 400 anos do início da colonização do Brasil, que começou realmente a ser ocupado só em 1532, 32 anos após a sua descoberta.

Durante esse interregno de tempo, os portugueses vinham esporadicamente ao Brasil apenas para carregar pau-brasil e outros produtos nativos. Como os padrões de pedra, símbolos do domínio português, colocados por aqui, "não vigiavam direito essa terra toda", ela começava a ser cobiçada por estrangeiros, principalmente pelos franceses, que já estavam chegando e ocupando, fundando vilas e fazendo alianças com os índios. D. João III (O Colonizador) ficou então numa encruzilhada: Colonizar ou perder o Brasil de uma vez para a França. Fez a segunda opção. Mandou armas navios e homens, começou a ocupação do território e a expulsão dos invasores franceses. Foi o primeiro passo para a efetiva colonização portuguesa nas Américas que só terminaria com a independência do Brasil em 1822.

Vamos à série e seus personagens:

SÉRIE VICENTINA

Foi autorizada pelo Decreto 21.358 de 1932:

Decreto nº 21.358, de 4 de Maio de 1932

EMENTA: Autoriza a cunhagem de moedas divisionárias de prata, cobre-alumínio e niquel, comemorativas do IV Centenário da Fundação do Município de S. Vicente, no Estado de S. Paulo, início da colonização do Brasil.

TEXTO - PUBLICAÇÃO ORIGINAL


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-100 réis (tostão), 1932
-Reverso: Valor facial e armas indígenas
-Verso: Efígie do Cacique Tibiriça.
-Cobre-níquel
-Km 39
-V135
Gravador: Leopoldo Alves Campos - LC (rev.) e Walter Rodrigues Toledo - WT (verso)
Peso teórico de 5 gramas
Tiragem de 1.012,214 exemplares.


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-CACIQUE TIBIRIÇA: Foi o primeiro índio catequizado pelo padre jesuíta José de Anchieta, tendo colaborado com os colonizadores. Graças a sua ajuda os jesuítas puderam fundar o mosteiro de São Bento e o Colégio, núcleos do que viria a ser a cidade de São Paulo. Em 1562 conseguiu reter um ataque de índios Tupis, Carijós e Guainás, comprovando sua fidelidade aos padres jesuítas. Teve muitos filhos, entre os quais a índia Bartira, que viria a ser a mulher do português João Ramalho, seu amigo. Seus restos mortais encontram-se depositados hoje na catedral da Sé, na cidade de São Paulo.

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-200 réis (dois tostões), 1932.
-Reverso: Valor facial e nau portuguesa
-Verso: Esfera armilar
- Cobre-Níquel
-Km 40
-V 136
Gravador: Arlindo Bastos - AB (reverso) e Calmon Barreto de Sá - CB (verso)
Peso teórico - 8gramas
Tiragem: 596.214 exemplares


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A NAU: Embarcação com capacidade para cerca de 200 a 600 toneladas, levava uma tripulação de cerca de 300 homens, eram o "pau pra toda obra", pois servia tanto para transportar colonos e tropas para as terras a ser ocupadas nas Américas e Índias e levar à Europa as mercadorias lá obtidas, como era também largamente usada para guerra. Navio de grande calado, possuindo três mastros, 2 com velas quadradas e o último com a vela latina. Era ideal para grandes viagens, pois não precisava de grande tripulação, em contrapartida era lenta e não era fácil de manobrar.

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A ESFERA ARMILAR: Simboliza a ciência náutica. Foi adotada por D.Manuel, o venturoso, como seu emblema pessoal (foto). Mais tarde, foi adotada como pavilhão das naus que faziam a carreira do Brasil, o que a levou a ser usada na bandeira do Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves em 1816/1826. Posteriormente foi incluída na bandeira portuguesa atual.


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-400 réis (estilo cruzado português), 1932
-Reverso: Valor facial e Cruz da Ordem de Cristo
-Verso: Mapa representando o Tratado de Tordesilhas.
-Cobre-Níquel.
-Km 41
-V137
-gravador: Basílio Nunes - BN (reverso) e Walter Rodrigues Toledo - WT (verso)
Peso teórico: 12,00 gramas
Tiragem: 416.214 exemplares



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A CRUZ DA ORDEM DE CRISTO: A Ordem de Cristo deriva diretamente da velha ordem medieval dos Cavaleiros Templários. Durante as guerras contra os mouros, a Ordem dos Templários ajudou Portugal a conquistar seu território, por isso ganhou grande poder político e terras ( O velho castelo Templário está na cidade de Tomar ). O Papa Clemente V e Felipe IV de França tentaram destruir completamente esta rica e poderosa ordem, por meio da difamação de seus membros, assassínios e pela absorção de bens. O Papa conseguiu abolir a Ordem dos Templários na Europa. Em Portugal, D. Diniz transfere os bens e privilégios dos templários para a Ordem de Cristo. Esta Ordem foi assim criada em Portugal como Ordo Militiae Jesu Christo pela bula Ad ae exquibus de 15 de março de 1319 pelo papa João XXII. A nova Ordem surgia sobre as cinzas da velha Ordem dos Templários, mas na verdade eram a mesma coisa, os símbolos, bens e privilégios eram os mesmos. Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV quando seu então Grão-Mestre, o Infante D. Henrique, o navegador, investiu os rendimentos da Ordem na exploração marítima. O emblema, a Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas das caravelas que exploravam os mares desconhecidos. Vemos então o papel fundamental da referida Ordem de Cristo (Templários) no descobrimento do Brasil.

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O TRATADO DE TORDESILHAS: Estabeleceu um meridiano situado a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, nas costas da África. Dava total liberdade quanto ao litoral brasileiro e maior parte do Oceano a navegar.
As terras a oeste desse meridiano pertenceriam à Espanha, e as terras a leste seriam de Portugal. O Meridiano de Tordesilhas passava pelo Brasil, nas atuais cidades de Belém, no Pará, e Laguna, em Santa Catarina. Muitos anos mais tarde, os bandeirantes ultrapassariam o esse Meridiano.
Foi assim denominado por ter sido celebrado na cidade espanhola de Tordesilhas, sendo assinado em 1495, definindo a "partilha do novo mund"o entre as 2 potências ibéricas. Na missão diplomática de Portugal estava o navegador Duarte Pacheco Pereira. Segundo estudos mais recentes, ele já teria vindo ao Brasil antes de Cabral, só não teria conhecimento exato da extensão de toda a América. Nos termos do tratado, Portugal ficaria com a parte mais oriental do Brasil, África e Ásia, e a Espanha se apossou de todo o resto da América. Mais tarde, no período da União Ibérica, os limites do tratado foram desrespeitados pelos bandeirantes, que avançavam pelas terras pertencentes à Espanha em busca de ouro e índios escravos. Esses homens acabaram por "esticar" bastante os limites da América Portuguesa!

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-500 réis, 1932
-Reverso: Valor facial e uma cota de malha ("gibão").
-Verso: João Ramalho.
-Bronze Alumínio (Latão)
-Km. 42
-V138
Gravador: Calmon Barreto de Sá Carvalho - CB (verso e reverso)
Peso teórico: 4 gramas
Tiragem 34.214 exemplares.


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JOÃO RAMALHO: - Aventureiro português, natural de Vouzela/Viseu, nascido em cerca de 1493 (não se sabe ao certo). Tinha mulher em Portugal antes de partir para o Brasil, onde Martim Afonso de Souza já o teria encontrado ao chegar. Provavelmente era Ramalho um náufrago ou mesmo um degredado. Ao ser encontrado ele vivia, junto aos índios da tribo dos Guaianás (em terras que hoje são de São Paulo), tendo inclusive se "casado" com a filha do cacique Tibiriça (Bartira). Teve vários filhos com a mulher, com a irmã dela e com várias outras nativas, comportamento que escandalizava os padres.
João Ramalho mandava mais naquelas terras que o próprio rei de Portugal. Conhecia tudo, influenciava tribos, e vivia na verdade como um grande traficante de escravos. Segundo alguns, acumulando fortuna com essa atividade. Era muito respeitado pelos índios. O Governador Geral Tomé de Sousa o nomeou capitão da povoação de Borda do Campo, incorporada à vila de São Paulo em 1560. Assinaturas suas em documentos da época provam que Ramalho foi vereador entre 1553 e 1558. Acumulou também os cargos de capitão, alcaide e guarda-mor do campo.
Era um homem rude, de "mau aspecto", segundo os padres, que diziam que levava uma vida desregrada com as índias da terra. Mas era um bravo, e a colonização a ele muito deveu, bem como a fundação de São Paulo. Ajudou na ocupação das terras, no contato com os nativos, no fornecimento de mão de obra escrava e na catequese. Morreu em 1580, recluso entre os índios Tupiniquins.

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-1000 réis, 1932
-Reverso: Valor facial e brasão de armas de Martim Afonso de Sousa.
-Verso: Martim Afonso de Sousa em trajes militares.
- Bronze Alumíno (Latão)
-Gravador: Hermínio José Pereira - PH (reverso) e Leopoldo Alves Campos - LC (verso).
Peso teórico 8 gramas

-KM 43
-V139
Tiragem de 56.214 exemplares

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MARTIM AFONSO DE SOUSA: "A quantos essa minha carta de poder virem faço saber que eu a envio ora a Martim Afonso de Sousa do meu conselho por capitão-mor da armada que envio à terra do Brasil e assim de todas as terras que ele achar e descobrir (...) aos capitães da dita armada, e fidalgos, cavaleiros, escudeiros, gente de armas, pilotos, mestres, mareantes e todas as outras pessoas que haja ao dito Martim Afonso de Sousa por capitão-mor da dita armada e terras e lhe obedeçam em tudo e por tudo o que lhes mandar." Essa foi a carta do Rei de Portugal D. João III concedendo jurisdição a Martim Afonso de Sousa sobre sua armada e sobre toda a população e terras do Brasil. Foi Martim Afonso o primeiro colonizador das terras brasileiras, tinha uma tríplice missão: combater os traficantes franceses, penetrar nas terras na direção do Rio da Prata para procurar metais preciosos e, ainda, estabelecer núcleos de povoamento no litoral, iniciando o povoamento do "grande desertão", as terras brasileiras. Para isto traziam ferramentas, sementes, mudas de plantas e animais domésticos.
Pertencia a família nobre. Com a subida de D. João III ao trono, recebeu o comando da primeira expedição colonizadora ao Brasil. Em 1530, a expedição de Martim Afonso de Souza partiu para o Brasil. Embarcaram no total 400 homens em cinco navios, com a missão de promover a defesa, o reconhecimento e a exploração da costa brasileira. Ao chegar ao Brasil no ano de 1531, toma três naus francesas que encontra, deixa alguns homens nas terras que hoje são do Estado de Pernambuco, e aporta em São Vicente. No dia 22 de janeiro de 1532, São Vicente tornou-se oficialmente a primeira vila fundada na colônia. Quando o território brasileiro foi dividido em várias capitanias hereditárias, Martim Afonso de Souza recebeu a de São Vicente (junto com a de Pernambuco foram as únicas a prosperar) e a do Rio de Janeiro. Volta a Portugal em 1533, sendo nomeado capitão-mor do mar das Índias, para defender as feitorias portuguesas, obtendo importantes vitórias militares, inclusive a expulsão do Rajá de Calicut. Em 1542, é nomeado vice-rei das Índias. Teria se afastado da vida pública um tempo após, acusado de enriquecimento ilícito. Morreu em 1571.

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-2000 réis, 1932
-Reverso: Valor facial, armas portuguesas com 8 torres e a inscrição "REI DE PORTUGAL"
-Verso: D. João III (O colonizador).
-Prata (0,500)
gravador: Arlindo Bastos - BA (reverso) e Leopoldo Alves Campos - LC (verso)
Peso teórico - 8 gramas
- KM 44
-V139
Tiragem de 56.214 exemplares



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D. JOÃO III. Nascido em Lisboa, era filho do rei Manuel I de Portugal e de Maria de Aragão, princesa de Espanha, filha dos Reis Católicos. Sucedeu em 1521 ao pai, morto no auge de seu poder aos 52 anos de idade, que reinara 26 anos. Dom João III, aos 19 anos, foi aclamado a 22 de dezembro, no alpendre da igreja de São Domingos.Herdou «um império vastíssimo mas demasiado disperso», de modo que o reavaliou com ajuda de conselheiros, abandonando o projeto imperial de seu avô e de seu pai. Era extremamente religioso, o que o tornou subserviente ao poder da igreja e permeável à introdução da inquisição em 1536. Dom João preocupou-se efetivamente com o pleno domínio do Brasil, que dividiu em capitanias-donatárias, as conhecidas capitanias hereditárias, estabelecendo um governo central em 1548. «Foi o verdadeiro criador do Brasil, que rapidamente se tornou o elemento fundamental do império português, assim o sendo até o início do século XIX» (Paulo Drumond Braga, op. cit, pg 145). Adoeceu após 1550 e teve grave doença perigosa em 1555. Morreu dois anos depois de acidente vascular cerebral, ou apoplexia, em Lisboa, estando sepultado no Mosteiro dos Jerónimos. (Trechos deste último texto foram extraídos da wikpédia).
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