Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

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fernanrei
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Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#1 Mensagem por fernanrei » terça set 10, 2019 11:14 am

Caros ilustres, apresento uma pequena moeda Grega da minha colecção privada, que é representativa de um pedaço de história muito rico. espero que seja do vosso agrado. :thumbupleft:
Moeda Grega da Ásia Menor – Região de Pontos (Pontus)
AE 22 Bronze de Amisos (85-65 a.C.)
Mitrídates VI (Eupátor Dionísio) 120-65 A.C.

Anverso – Cabeça de Mitrídates VI virada para a direita com a coroa de Hera.

Reverso – Palavra AMIΣOY por baixo da cesta mística, sobre a qual repousam uma pele de Pantera e um Tirso, à esquerda o monograma HTPK.

21-22mm 7g
Moeda cunhada em Amisos 85-65 A.C.
SNG BMC 1205/Sear Greek 3640/ BMC 53/MCCLEAN 7368/AMNG 24
Imagem Imagem

Mitrídates VI Eupátor Dionísio, mais conhecido por Mitídates o Grande, foi o rei do Ponto (atual nordeste da Turquia e sudoeste da Geórgia) mais célebre, pelo facto de ter tido muito sucesso na guerra contra os seus inimigos Romanos. Enfrentou corajosamente três dos melhores generais romanos do fim da República, Sila, Lúculo e Pompeu.
Mitrídates VI nasceu em 132 a.C. em Sinope. Era filho de Mitrídates V do Ponto e de Laodice VI, filha do Rei grego da Síria Antíoco IV Apífanes. Ficou órfão de pai (supostamente envenenado por instigação da mãe) muito cedo, aos 11 anos, mas apesar de estar associado ao trono não foi coroado, dado que a sua mãe ficou com a regência por suposta preferência pelo irmão mais novo, Mitrídates Cresto. Perante a situação da usurpação materna do trono e da real ameaça de vida, Mitrídates VI foge para a região montanhosa, a fim de se preparar para reclamar o poder, dedicando-se aos estudos e à caça. É nesse período da sua vida, que reforça e aprimora as suas capacidades físicas e mentais, aprendendo vários idiomas e reforçando as relações com as terras adjacentes. Mitrídates adotou o costume de ingerir pequenas quantidades de veneno, para que o seu corpo ganhasse resistência aos venenos e assim evitasse ficar vulnerável às tentativas de envenenamento. Esse costume ficou conhecido por Mitridatismo. É muito provável que seja apenas um Mito.
Mitrídates regressa à Sinope em 115 A.C. para reclamar o trono, um facto consumado depois de lançar a mãe para a prisão e assassinar o seu irmão Mitrídates Cresto. Nesse conjunto de atrocidades familiares, acaba por casar com a própria irmã Laodice, muito provavelmente por imposição, dado que passado algum tempo ela tenta envenená-lo e em consequência é executada por mando de Mitrídates.
Depois de reunir um conjunto forte de apoiantes, lança-se ferozmente contra uns e fazendo alianças com outros em todas as regiões adjacentes, conseguindo dessa forma ganhar o respeito de uns e o medo de outros na região do Mar negro e Anatólia. Por essa altura, Esciluro, rei dos Citas, investe também numa campanha de ocupação de territórios na região norte do mar negro, atacando o Reino do Bósforo (atual Crimeia) com a ajuda dos Roloxanos. O Rei Perisades V vê-se obrigado a pedir ajuda a Mitrídates que envia para a região um dos homens em quem mais confia, o General Diofanto que é também um grande geógrafo, para comandar um forte contingente Militar que rapidamente submete os Citas e seus aliados. O Reino do Bósforo perante tal feito submete-se ao domínio de Ponto em troca de proteção contra os citas, até porque, o Citas e os roloxanos voltam a atacar o Reino de Bósforo em retaliação à anterior derrota, mas desta vez, o grande General Diafonto impõe uma pesada derrota ao Citas, apesar de estarem em maior número, um feito que obriga também os Citas e os roloxanos a aceitarem o domínio de Mitrídates. Por esta altura, o Reino de Ponto controla praticamente todo o mar Negro e a estepe pôntica. Mitrídates vira-se então contra Anatólia e o crescente poder Romano. Começa por tomar o controlo da Capadócia, submetendo Nicomedes a uma série de pesadas derrotas, que se vê obrigado a pedir ajuda a Roma. Quando chega o exército Romano da Ásia comandado por Aquílio, Mitrídates aceita retirar-se da Capadócia mas recusa ceder soldados para o exército Romano a pedido de Aquílio, que perante a recusa decide atacar o Reino de Ponto juntamente com o Rei Nicomedes IV em 88 A.C., no entanto, a tentativa de invasão falha porque Mitrídates responde ao ataque com um poderoso contra-ataque. O seu comandante, Arquelau, derrotou o exército Bitínio na Batalha do Rio Amnias e o exército Romano, sob o comando do próprio Aquílio, na Batalha do Monte Scorobas. Depois destas duas grandes vitórias, Arquelau avança para a Capadócia, Bitínia e a província romana da Ásia menor e arrasa tudo na sua passagem, passando depois para a libertação de algumas cidades gregas ocupadas pelos romanos, como Pérgamo, Éfeso e Mileto que receberam o general de Mitrídates VI como um libertador, a par destes acontecimentos, a frota Romana do Mar Negro simplesmente rendeu-se.
Quando Mitrídates VI chegou aos territórios conquistados da Anatólia Ocidental em 88 A.C., mandou matar todos os Romanos que habitassem na zona, até mesmo as pessoas que falassem latim. Estima-se que o massacre tenha ceifado entre 80.000 a 100.000 vidas humanas, entre homens, mulheres e crianças e ficou conhecido pelas “Vésperas Asiáticas”. Foi este acontecimento que forçou Roma a avançar em peso contra Ponto e a dar início às guerras Mitridáticas. Na primeira (88 a 84 a.C.), Lúcio Cornélio expulsou Mitrídates da Grécia. Na Segunda (83 a 81 a.C.), Mitídates aproveitou a paz celebrada entre Ponto e Roma para juntar um exército mais numeroso e mais bem preparado, e quando Roma tentou anexar a Bitínia, lançou um violento contra-ataque que conteve o exército de Roma. Na terceira (75 a 65 a.C.), em resposta à resistência de Ponto na tentativa de anexação por parte de Roma, da Bitínia, Lúculo Aurélio Cota enfrentou Mitrídates e consegue vencê-lo definitivamente, obrigando-o a refugiar-se na cidadela de Panticapeu onde se suicidou. É nesta altura que surge mais um mito, supostamente Mitrídates tentou o suicídio com veneno, mas como o corpo dele tinha desenvolvido resistência aos venenos, foi obrigado a pedir a um dos seus guardas para que o matasse com uma espada.


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Re: Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#2 Mensagem por silvio2 » terça set 10, 2019 1:29 pm

Amigo Fernando, "isto é que é uma entrada em grande", nas moedas Gregas! :D
Parabéns e obrigado pela partilha, deste interessante exemplar. :thumbupleft:
Cumprimentos,
Sílvio Silva

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Re: Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#3 Mensagem por fernanrei » terça set 10, 2019 2:37 pm

silvio2 Escreveu:
terça set 10, 2019 1:29 pm
Amigo Fernando, "isto é que é uma entrada em grande", nas moedas Gregas! :D
Parabéns e obrigado pela partilha, deste interessante exemplar. :thumbupleft:
É verdade amigo Sílvio, esta é uma excelente moeda mas não é a minha estreia nas Gregas, já tenho algumas em piores estados de conservação, um facto que dificulta a sua correta catalogação e eu não gosto de publicar moedas sem a devida identificação. :thumbupleft:
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Re: Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#4 Mensagem por fernanrei » quarta set 11, 2019 11:10 am

Espero muito em breve poder partilhar as imagens de mais algumas gregas que tenho andado a classificar. :thumbupleft:
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Re: Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#5 Mensagem por fernanrei » sábado set 14, 2019 7:45 am

Muitos dos coleccionadores que adquirem estas moedas, correm logo a limpar quando suspeitam da existência de bons relevos por baixo da camada exterior. No meu ponto de vista, será um erro crasso, porque as grossas pátinas encerram partículas não metálicas que podem ser usadas para datar as moedas. Pessoalmente, prefiro privilegiar a facilidade de determinação da autenticidade em detrimento do melhoramento do efeito visual. :thumbupleft:
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Re: Moeda Grega Ásia Menor–Pontos- Mitrídates VI 120-65 A.C.

#6 Mensagem por fernanrei » sábado set 21, 2019 6:07 pm

É uma moeda num excelente estado de conservação, mantendo quase todos os pormenores bem visíveis. :thumbupleft:
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