Re: Nassau Siegen, Alemanha - MAURÍCIO DE NASSAU, o "brasileiro"!

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doliveirarod
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Re: Nassau Siegen, Alemanha - MAURÍCIO DE NASSAU, o "brasileiro"!

Mensagempor doliveirarod » sábado nov 11, 2017 2:20 am

Considero um verdadeiro "achado", ela é muito significativa p/ mim, e uma agradável descoberta: Maurício de Nassau, "O Brasileiro", cunhou essa rara moeda, acho que um tipo único, pois nem consta no Krauze!



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-Alemanha - Estado de Nassau-Siegen
-"Johann Moritz", 1654-1679 (como príncipe de Nassau-Siegen).
-1/16 Taler
-Prata
-1,4 gramas
-Ref: Isenbeck 151 - 152
Rev: Armas de Nassau-Siegen: IOH MAVR NASSA PRINS (João Maurício de Nassau Príncipe)
Verso: Cruz da Ordem de Malta: XVI AVF 1 REICHST 1671 (1/16 de Reichs Taler)



1.5 - MAURÍCIO DE NASSAU.

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Ilustração do Barleus, mostrando o conde ao lado seu brasão de armas sobreposto à sua cruz de Malta, exatamente o que se vê na moeda.

Para consolidar a conquista, A GWC envia ao Recife o conde João Maurício de Nassau-Siegen (Nassau era alemão, príncipe do pequeno Estado de Nassau-Siegen), que chega em 1637, junto com uma armada de 12 navios e 2.700 homens.
Nassau revelou-se um estadista e um bom diplomata, estabelecendo boas relações com os senhores de engenho e gentes da terra, emprestava dinheiro para que os engenhos voltassem a funcionar ou expandissem suas capacidades, aumentando a produção e incrementando as técnicas.
Permitiu a liberdade de culto, inclusive aos judeus, que no Recife vieram a fundar a primeira sinagoga das américas.
Decidiu transformar o Recife numa capital moderna, a "cidade Maurícia", ou Mauritsstad
, providenciou vários aterros, construiu diques, canais, pontes, e até palácios para a administração (o principal esteve de pé até o séc. XVIII, quando um governador português mandou derrubá-lo).
Trouxe pintores, artistas, pesquisadores, criou coleta de lixo, um corpo de bombeiros e até um observatório astronômico em plenos trópicos!

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([Indio Tapuia pintado por Albert Eckhout, artista da comitiva de Nassau)

Com uma boa administração aliada à conquistas militares, Nassau consolida o poder holandês. Derrota o Conde de Bagnoli em Alagoas, oficial italiano a serviço de Portugal, que bate em retirada para Sergipe. Em 1637 enviou o coronel Hans Koin chefiando uma expedição naval que cntava com mercenários e índios tapuias brasileiros, conquistando o Forte de São Jorge da Mina (a mais antiga possessão colonial portuguesa) na costa africana. A possessão portuguesa da Mina foi colocada sob o controle de Recife.
Tenta novamente a invasão da capital da Bahia, Salvador, mas encontra lá forte resistência, e não obtem sucesso. Entretanto, expandiu a conquista com a anexação do litoral das Capitania do Ceará, Sergipe e Maranhão.

Em 1640 Nassau volta-se contra Luanda. O objetivo era quebrar o fernecimento de escravos para a Bahia, e assim dobrar o que ainda resistia do Brasil português, que ficaria sem mão de obra para a cana de açucar, mas o motivo maior era cortar o suprimento de escravos destinados as minas de prata da América Espanhola. Seria um duro golpe para a dependente coroa espanhola. Sai de Recife uma poderosa esquadra em direção a Luanda, diante da armada, a cidade cai sem resistência, indo a tropa e a população portuguesas se refugiar em Massangano. Toma também São Tomé e feitorias na Guiné. No mesmo ano, ainda arranca dos portugueses a ilha de São Luis do Maranhão.

Apesar dos esforços e conquistas de Nassau, o Brasil holandês não ia bem. O preço do açucar tinha começado a cair, e os senhores de engenho começavam a se rebelar contra a GWC, visto que deviam a ela mais de 5 milhões de florins (empréstimos concedidos por Nassau para incrementar a produção), e a volta do domínio português seria uma boa chance deles não quitarem essas dívidas. Junte-se a isso uma praga de bexigas que assolou a negraria, matando vários escravos, e fazendo a produção despencar ainda mais. Nassau também tinha gasto demais em prol da cidade de Recife, que segundo seus sonhos seria a grande capital do domínio holandês no Brasil, e a GWC estava insatisfeita com tais dispendios com o engrandecimento da cidade. Começam as falências de empresas açucareiras em Amsterdã, e as ações da GWC caem.

Nassau é chamado de volta à Holanda, para nunca mais voltar ao Brasil, em 1644.
Em seu lugar assume o governo a junta denominada de Conselho dos XIX, com sede na Holanda, que dava ordens ao Alto e Secreto Conselho do Brasil, responsável pela administração direta, cujo objetivo principal era "espremer" o máximo de lucros possíveis da terra para compensar os investimentos e prejuízos experimentados.

De volta à Holanda, Nassau é nomeado comandante da guarnição de Wesel. Publicou uma obra em 1647 relatando sua experiência brasileira, e diante das dificuldades da Companhia das Índias Ocidentais, cogitam mandá-lo de volta ao Brasil, tendo em vista a boa imagem que tinha nestas terras, mas diante dos poderes limitados que lhe ofereceram (não queriam que Nassau gatasse mais dinheiro em Recife), declina do convite. Já na Alemanha, chegou a Governador de Cleve. Em 1652 era nomeado Comandante da Ordem de Malta para o norte da Alemanha (o verso da moeda mostra justamente a cruz da Ordem), recebendo do Imperador o título de Príncipe do Sacro Império Romano-Germânico. Apesar de já estar com a idade avançadíssima para um soldado, esse "velho guerreiro" volta a pegar em armas quando a Holanda é atacada pelo Bispo de Munster (Alemanha) em 1665, pela França (1667) e finalmente contra a Espanha em 1671. Contando com 70 anos de idade, foi nomeado marechal de campo, na guerra contra a França. Em 1674 é nomeado governador de Utrech.

Em 1674 torna-se Conde, e mais tarde Príncipe (1674-1679) do pequeno Estado alemão de Nassau-Siegen.
Veio a falecer em 1679.

Nassau permanece vivo até hoje na memória do povo de Pernambuco . Ele tornou o Recife uma cidade digna da qualificação de grande centro urbano à época. Foi tolerante, diplomata, e desenvolveu a urbanização e o embelezamento da cidade, de uma maneira que os governadores portugueses nunca tinham feito. Após sua saída, assume uma junta de governantes holandeses, cujos nomes ninguém atualmente se lembra (constam apenas nos velhos livros e registros). Esses, tal como os governadores portugueses, não investiram na terra, apenas buscaram lucros com impostos. A admiração do povo por Nassau surge justamente do fato de ele ter sido um idealista, ter possuído um projeto diferente.
Existem hoje ruas, praças, uma ponte e uma faculdade com seu nome no Recife.
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(Mauritsstad, o Recife como a Cidade Maurícia)

Algo sobre as cunhagens do período holandês no Brasil: viewtopic.php?f=52&t=31628&p=285641#p285641
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Re: Re: Nassau Siegen, Alemanha - MAURÍCIO DE NASSAU, o "brasileiro"!

Mensagempor silvio2 » sábado nov 11, 2017 8:43 am

Caro doliveirarod
Parabéns pela posse de tão interessante moeda! :clap3:
Muito obrigado, por partilhar e, também, pela resenha histórica que nos "leva" até à época e nos ajuda a compreender melhor, uma parte da nossa história comum! :thumbupleft:
Cumprimentos,
Sílvio Silva


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