8 e 12 Macutas de 1770

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Mmatos
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8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor Mmatos » sexta jul 21, 2017 4:28 pm

Estas são difíceis de se chegar a elas, mas ao fim de muitos anos lá consegui. Fica a faltar uma de 10 macutas, para ter pelo menos uma de cada valor facial.

8 macutas 1770 Ref. AG Jo 12.03 (5 mil exemplares cunhados)
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12 Macutas 1770 Ref. AG Jo 14.03 (13 333 exemplares cunhados)
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Breve história da moeda em Angola:

O DINHEIRO QUE CIRCULOU EM ANGOLA

"O rasto das moedas em Angola leva-nos ao período antes da época colonial, onde o zimbo (pequeno búzio), foi durante muito tempo o capital circulante na hora da troca. Como instrumento de troca entrou em queda em 1616. O Zimbo pequeno búzio cinzento, um dos mais importantes e dos primeiros instrumentos de troca, era funcionalmente autêntica moeda local. O Zimbonjimbu ou lumache, búzio do tamanho de um bago de café, teve curso como “ moeda” em quase toda a costa ocidental africana. Apareciam em toda a costa de Angola, embora os mais belos fossem os da ilha de Luanda. Os mais valiosos eram de cor cinzenta. Pescavam-nos as mulheres, na contracosta da ilha, avançavam pela água alguns metros e, mergulhando, enchiam de areia uns cestos estreitos e compridos, a que chamavam “cofos”. Em seguida retiravam os “zimbos” da areia recolhida, que depois separavam, segundo o critério de classificação em “puro,” “cascalho,” e “meão.” Com o passar do tempo o Zimbo começou a ser desvalorizado, e, assim, um “cofo”, que no tempo de Mbemba a Nzinga, valia trinta e três cruzados, desce para dez mil réis em 1615. Porém, já em 1616 não valia mais do que três mil réis. Mais tarde, o Zimbo deu lugar aos “panos”, como moeda mais generalizada e com origem no Congo e Luango. Estes panos traduziam riqueza em paralelo com os escravos que também durante longos anos serviram de moeda de troca monetária para o comércio. O sal também teve o seu valor como moeda, especialmente quando viesse da Kissama e das salinas de Benguela.
Depois veio o cobre, um dos metais que desde 1801 despertou o interesse dos portugueses, cuja proveniência era um dos segredos mais bem guardados dos povos que o fundiam. O marfim também fez história, o cauris, as contas feitas de missangas, as fazendas, a macuta, moeda de cobre angolano. Até 1864 a actividade económica em Angola era baseada essencialmente nos mecanismos tradicionais de permuta de géneros. O “Cauris” era uma concha branca de rara beleza. A sua generalização em Angola e no Congo teve lugar a partir do século XVI e foi consequência das relações comerciais dos mercadores portugueses que, por via marítima, o importavam do Oriente. Neste percurso de valores Pré-Monetários de proveniência exterior, circularam no actual território de Angola, a partir do Séc. XVI, as contas e missangas das mais variadas cores e feitios, que acabaram por suplantar as conchas, em especial o “zimbo” e o “cauris” na sua função de moeda. A cunhagem das moedas de cobre constava de peças de 1 macuta, ½ macuta, ¼ de macuta e cinco réis, atribuindo-se à Macuta o valor de 50 réis. Quanto à emissão de moedas de prata, constava de peças de 12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, sendo estas, de uma forma geral, semelhantes às de cobre. Neste período viviam-se tempos particularmente difíceis na colónia, motivados pelo monopólio da moeda. Em 1860 a situação económico/financeiro em Angola era de facto deplorável. Havia pouco dinheiro, as receitas que entravam nos cofres públicos eram na sua maior parte constituídas por letras e títulos de dívida. Com o objectivo de fazer afluir metal sonante aos cofres, decidiram as autoridades coloniais suprimir a aceitação de letras, limitando os pagamentos apenas a dinheiro e aos irrecusáveis títulos de dívida. Mas esta medida também não surtiu efeito, extinta a moeda de cobre carimbada, assim como as cédulas de papel, passou toda a moeda circulante da colónia, a macuta (moeda de cobre), a exprimir-se pelo valor Real, moeda do reino português."
António José Canhoto 21/09/16
Última edição por Mmatos em sexta set 22, 2017 4:38 pm, editado 1 vez no total.

jdickson
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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor jdickson » sexta jul 21, 2017 6:00 pm

Muito bonitas! :clap3: :clap3: :clap3: :clap3: :clap3:

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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor Jorge Silva » sexta jul 21, 2017 10:10 pm

Caro Mmatos nota máxima, porque além de ter despejado um par de excelentes moedas, também teve a sabedoria de introduzir um texto, embora eu tenha net, da evolução monetária das ex colónias, permitindo assim e pelo menos para mim ter mais algum conhecimento geral, por essa excelente contribuição faço o mesmo que o meu antecessor jdickson fez dou-lhe os parabéns.
Cumprimentos

Jorge Silva

" A medalha deve ser acarinhada como uma arte nobre da escultura ".

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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor Mmatos » sexta set 22, 2017 4:42 pm

Com esta termino a primeira parte da saga, que era ter um exemplar de cada valor facial, independentemente do reinado que fosse. Consegui a ultima que me faltava - 10 macutas. Esta foi cunhada no reinado de D. Maria I na quantidade de 24 mil exemplares.

10 Macutas 1796 - D. Maria I Ref. AG M1 08.01
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tiago.a
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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor tiago.a » sábado set 23, 2017 8:32 pm

Moeda 5*!

Parabens!

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doliveirarod
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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor doliveirarod » quinta set 28, 2017 1:40 am

Das séries coloniais portuguesas são das que mais gosto esteticamente! Peças que tem os preços subindo faz um tempo, sempre difíceis de apanhar! Estão excelentes!
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numisiuris
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Re: 8 e 12 Macutas de 1770

Mensagempor numisiuris » quinta set 28, 2017 3:03 am

Angola é a única colónia que colecciono. Na monarquia tenho alguns cobres, mas nenhuma dessas pratas. São lindas e essas estão especialmente bonitas. Parabéns!


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