Cópias do Balsemão, bom conhecer...

Fale aqui sobre moedas falsas ou viciadas

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Alberto Paashaus
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Mensagempor Alberto Paashaus » domingo fev 14, 2010 3:33 pm

Bonita ou não, eu não comprava nenhuma dessas aí :angry:

Não servem de investimento e nem vejo espaço na minha coleção para cópias.
Ajudem-me a recuperar minhas moedas furtadas por algum funcionário dos vergonhosos e mal administrados Correios do Brasil. Agradeço!

Link para as moedas:

viewtopic.php?f=51&t=42341


Alberto Paashaus

rodrigoleite
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Mensagempor rodrigoleite » sexta ago 20, 2010 4:52 pm

Só estou "ressucitando" esse tópico para apresentar a versão do Balsemão sobre as cópias dele:

Há poucos dias atrás, li em algum lugar sobre um expert que foi enganado ao identificar uma peça rara em uma loja de antiguidades na Europa. O cara “pagou o mico” junto à dona da loja.


Há quinze anos, quando comecei a fazer as minhas primeiras réplicas, tratei desde logo de identifica-las para não ter problemas no futuro. O tempo foi passando e com muito afinco e coragem segui fazendo novas e mais perfeitas réplicas que eu enviava aos meus colegas e amigos para obter opiniões sobre meu trabalho. Recebi inúmeras manifestações de todo o território brasileiro e em todas tive o apoio e incentivo para continuar.


Mas, afinal – ao que exatamente eu estava me propondo? Qual o meu objetivo? Estaria eu pensando em ganhar dinheiro com isso? Não. Nada disto. Minha intenção era divulgar, estimular o colecionismo de moedas, chamar a atenção das pessoas para a beleza e a importância de nossas moedas, que contam um pouco da história de nosso país. Minha primeira réplica que julgo importante foi a “Peça da Coroação” – D. Pedro I, 1822R. Em seguida fiz o 960 réis 1809R, peça única conhecida. Logo adiante dentre muitas outras, fiz também réplica das “Três Cabeças” da República (1891/1896/1897). Com estas, fui projetado nacionalmente no meio numismático a ponto de receber correspondência dos mais ilustres expoentes da numismática brasileira, (alguns, infelizmente já falecidos) cumprimentando-me pela perfeição do trabalho. Embora a aprovação para o meu trabalho não tenha sido unânime, pois algumas pessoas manifestaram-se, ainda que timidamente, contra, não desisti do meu projeto.


Hoje, felizmente, sou reconhecido e respeitado no meio numismático, entretanto, algumas observações “espirituosas ou não”, muitas vezes são colocadas numa roda de conversa entre companheiros. Por exemplo: “Se o Balsemão tivesse más intenções com suas réplicas, causaria sérias controvérsias no meio numismático” ou “Como todo o bom artista, este gravador ficará famoso, mas, naturalmente, após a sua partida, deixando suas peças serem disputadas pelos ávidos comerciantes, que aí sim tratarão de valoriza-las ao máximo”.


Vale ainda esclarecer: Porquê réplica de tal ou qual peça? Qual o critério adotado para fazer este trabalho? As peças que me proponho a replicar são, muitas vezes, únicas ou raras, que se não estão em mãos de alguns colecionadores, poderão ser vistas apenas em museus ou em fotografias. A réplica tem o propósito de aproximarem-se o mais possível da peça original, porém sem qualquer comprometimento, pois elas são, invariavelmente, identificadas em seu propósito.


Agora vamos tratar de outras imitações; aquelas que são feitas com o sentido iminente de enganar, tirar proveito – vejam que não menciono falsificações e sim imitações. São peças de todos os tipos, de marcas e grifes famosas – desde porcelanas, cristais, marfins, biscuit, até roupas, calçados, etc. Agora, chegou a vez das moedas. Vindas do exterior, estão causando verdadeiro estardalhaço nos meios numismáticos. Há um ano atrás, comprei de um comerciante, duas peças de “prata” – 2.000 réis 1867/1886, oferecidas esclarecidamente como “falsas”. Comprei sabendo. Queria comparar e ver a que ponto poderia chegar a semelhança com uma original. É de assombrar a perfeição da imitação.


Recentemente um amigo esteve nos Estados Unidos e de lá me trouxe um 4.000 réis de 1900, famosa peça comemorativa de nossa numismática. Linda e perfeita imitação.

Alguns dias mais tarde, em nosso Encontro Numismático em Porto Alegre, eis que vejo algo estarrecedor em matéria de imitação: mais um 4.000 réis e os dólares norte americanos dos séculos XVIII e XIX, com a coleção inteirinha num belo álbum cuja capa também era de uma imitação perfeita de couro, que faria “Luster babar”, pois o estojo referido talvez valesse mais ainda do que as próprias peças. As especificações escritas, evidentemente em inglês e garantindo serem as peças em prata 900. Não tive dúvida: de posse de uma peça de 4.000 réis 1900 fui à procura, ali mesmo próximo ao encontro, de um chaveiro que pudesse corta-la ao meio. O chaveiro não queria fazer o serviço, com pena de estragar uma peça “tão bonita e cara”. Tive que argumentar muito e então ele concordou em cortar a peça e assim pudemos confirmar o que eu já suspeitava: Não se tratava de prata coisa nenhuma e sim de um latão (cobre + zinco) ali debaixo daquele “prateado”. Então todos os presentes ao evento puderam constatar o “blefe”. Se estas peças vêm da China, eu não sei, só sei que são tão perfeitas que podem enganar aos menos avisados, portanto... E o preço é ainda mais estarrecedor. Segundo os participantes do “Mercado Livre”, estas peças podem ser adquiridas por bagatelas.


E agora, o que fazer? Processar os imitadores? Apelar para a “Corte Internacional”ou irritarmo-nos? Não, nada disto. Vamos encarar estes fatos com naturalidade, sabendo que jamais poderemos impedir esta prática no mercado. Vamos sim, ficarmos atentos e chamar a atenção de todos os interessados para terem cuidado, pois o trabalho é tão perfeito que pode enganar a qualquer um. Entretanto, alguns detalhes podem ser o “divisor de águas”: O peso da peça será exatamente igual ao peso da peça original? O preço oferecido é o praticado no meio numismático? Há um consenso na média de preços? Às vezes nem pelo peso é possível decifrar uma verdadeira de uma falsa. A peça que adquiri, ciente de que era falsa, tem o peso muito aproximado da verdadeira. A imitação é tão “perfeita” que a criatividade dos “inventores” vai desde uma moeda BG, UG, BC e aí por diante. Não foi esquecida nem mesmo a pátina...
Então, nós, que nos consideramos verdadeiros numismatas temos o dever de reconhecer uma peça falsificada, imitada ou replicada.


Em breve, voltarei ao assunto.


Pedro Pinto Balsemão
Gravador e colecionador
Estudioso da numismática brasileira


O Francisco Partos, membro daqui do fórum, respondeu:

Já inúmeras vezes tenho colocado meu ponto de vista, que é partilhado por muitos, e volto a dizer: "a peças que o Balsemão produz, é um desserviço à numismática".

Se fossem fabricadas fora do tamanho, metal e peso das originais, aí sim cumpririam sua finalidade. Assim são as cópias permitidas nos EUA, que possuem legislação a respeito.

Ter um minúsculo "B" escondido em alguma canto, dobra, relevo ou campo do desenho, é um convite à falcatrua. Basta uma martelada e... sumiu!

Colocar de maneira explícita, tratar-se de CÓPIA, é a obrigação de um numismata responsável.

Francisco Partos,
E & P Numismática.


E o Balsemão respondeu:

Lá se vão dois meses desde a publicação em seu blog de um maldoso comentário feito pelo sr. Francisco Partos de Porto Alegre. Diz ele entre outras maldades: “As peças que o Balsemão produz é um desserviço a numismática”. Discordo literalmente; ao contrário: estou isto sim, prestando um serviço aos colecionadores de moedas brasileiras dando a oportunidade de conhecer de como eram as peças raras de nossa coleção.
Diz mais: “ um minúsculo “B” escondido em algum canto .. é um convite a falcatrua”.
Ora, meu caro João. Não vou me responsabilizar se algum mal intencionado vier a apaga-lo, muito embora, continue essa peça, a ser uma réplica.
Diz ainda: “ colocar de maneira explicita tratar-se de uma cópia, etc..” – Só não vê quem não quer, pois mesmo que sejam perfeitas cópias, sempre serão cópias.
“Obrigação de um numismata responsável...” – Sabem muito bem, meu prezado amigo, todos que me conhecem, que tive o cuidado de publicar um catálogo, onde narro todo o meu trabalho, explicando inclusive, como o executo. Ali estão registradas todas as cunhagens feitas até o ano de 2005, pois de lá para cá, só gravei algumas medalhas, pedidas por amigos e entidades numismáticas.
Tenho um nome a zelar, pois sou estabelecido há 58 anos com uma empresa de gravuras em metais, sendo esta atividade secundária em gravar réplicas de moedas e medalhas, apenas um hobbie, que passei a realizar a partir de 2005/2006, por pura dedicação, gosto e alegria.
Minhas tiragens, nunca passam de 50 peças, devidamente identificadas. Isto é uma regra a ser cumprida, pois pretendo deixar minha marca como gravador profissional nestas figuras expressivas da história do nosso pais.
Pedi ao Sr. F. Partos, através de correspondência pessoal que reconsiderasse suas observações a respeito de meu trabalho. Não obtive resposta. Assim, achei por bem utilizar o mesmo meio de comunicação para tornar pública a minha indignação pela maneira leviana com que este senhor comentou o artigo que publiquei, pois na verdade, não tem nada a ver o texto de “As imitações e suas conseqüências” com trabalho que desenvolvo.

PEDRO PINTO BALSEMÃO


http://abibonds.blogspot.com/2010/04/as ... ncias.html
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Mensagempor doliveirarod » sexta ago 20, 2010 7:17 pm

O que sou radicalmente contra é a inutilização de peças bases autênticas com carimbos imitados.
Se há um catálogo e uma marca indicando a cópia, "vá lá"...
Mas pessoalmente, não ponho um centavo no mercado da réplica, e aconselho a todos a fazerem o mesmo.
Repito: Péssimo investimento, péssima aquisição, péssimas consequências desse $ inserido nesse mercado, que vai crescer mais (já cresceu muito além da conta).
http://www.megaleiloes.com/leiloes.php? ... liveirarod ML - http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_14426169
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Mensagempor Paul Gerritsen Plaggert » sexta ago 20, 2010 7:56 pm

Concordo. Esse senhor é realmente muito bom "imitador". Recentemente, tive em minhas mãos um exemplar cunhado por ele de um patacão. Engana mesmo. O problema é que de bem intencionados. o inferno está cheio. Mais cedo ou mais tarde, suas cópias serão vendidas como verdadeiras (se já não são...) aos desavisados e menos experientes. E é sim um estímulo à falsificação. Pessoalmente, acho esse senhor muito talentoso, mas não vejo espaço para suas peças em nenhuma boa coleção. Quanto à utilização de peças verdadeiras para uso de suas bases, como aquela do carimbo minas, sou irredutivelmente contra, independente da moeda. Isso sim, certamente é um desserviço à numismática.
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Mensagempor doliveirarod » domingo ago 22, 2010 5:09 pm

E agora, o que fazer? Processar os imitadores? Apelar para a “Corte Internacional”ou irritarmo-nos? Não, nada disto. Vamos encarar estes fatos com naturalidade, sabendo que jamais poderemos impedir esta prática no mercado. Vamos sim, ficarmos atentos e chamar a atenção de todos os interessados para terem cuidado, pois o trabalho é tão perfeito que pode enganar a qualquer um. Entretanto, alguns detalhes podem ser o “divisor de águas”: O peso da peça será exatamente igual ao peso da peça original? O preço oferecido é o praticado no meio numismático? Há um consenso na média de preços? Às vezes nem pelo peso é possível decifrar uma verdadeira de uma falsa. A peça que adquiri, ciente de que era falsa, tem o peso muito aproximado da verdadeira. A imitação é tão “perfeita” que a criatividade dos “inventores” vai desde uma moeda BG, UG, BC e aí por diante. Não foi esquecida nem mesmo a pátina...


Nisso ele tem razão. Os fabricantes de réplicas e os falsificadores não vão parar, e porquê? Porque existe mercado para isso.
Cabe a nós conhecer e refutar esse tipo de coisa, ao bem da própria numismática. Isso só vai parar no momento em que a réplica e a falsificação não tiverem mais mercado. Segurem o dinheiro e estudem antes de comprar, é isso.
Última edição por doliveirarod em domingo ago 22, 2010 5:09 pm, editado 1 vez no total.
http://www.megaleiloes.com/leiloes.php? ... liveirarod ML - http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_14426169
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Mensagempor jfialho » domingo ago 22, 2010 6:05 pm

Este caso do vosso amigo Balsemão é muito identico ao que se está a passar em
Espanha com " Remoneda".Complicado.
jfialho

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Re:

Mensagempor rodrigoleite » domingo ago 22, 2010 6:14 pm

jfialho Escreveu:Este caso do vosso amigo Balsemão é muito identico ao que se está a passar em
Espanha com " Remoneda".Complicado.


Só que o Remoneda não marca as suas cópias...
Última edição por rodrigoleite em domingo ago 22, 2010 6:14 pm, editado 1 vez no total.
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Re: Re:

Mensagempor jfialho » domingo ago 22, 2010 6:53 pm

rodrigoleite Escreveu:
jfialho Escreveu:Este caso do vosso amigo Balsemão é muito identico ao que se está a passar em
Espanha com " Remoneda".Complicado.


Só que o Remoneda não marca as suas cópias...


Já marca Rodrigo,no bordo da moeda,mas uma marca muito pequena,que qualquel falsário retira com facilidade,o mesmo que o Balsemão.Os argumentos de Remoneda são muito semelhantes aos argumentos de Balsemão.Ambos são coleccionadores e se dizem trabalhando para a divulgação da numismática.Ambos fazem cópias perfeitas,são ambos grandes artistas,mas mal aproveitados.Remoneda também tem catálogo e faz cópias em número muito limitado e diz-se colectado nas finanças como artifice de cópias e réplicas que neste momento já são marcadas.
jfialho

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Re: Re:

Mensagempor rodrigoleite » domingo ago 22, 2010 7:28 pm

jfialho Escreveu:
rodrigoleite Escreveu:
jfialho Escreveu:Este caso do vosso amigo Balsemão é muito identico ao que se está a passar em
Espanha com " Remoneda".Complicado.


Só que o Remoneda não marca as suas cópias...


Já marca Rodrigo,no bordo da moeda,mas uma marca muito pequena,que qualquel falsário retira com facilidade,o mesmo que o Balsemão.Os argumentos de Remoneda são muito semelhantes aos argumentos de Balsemão.Ambos são coleccionadores e se dizem trabalhando para a divulgação da numismática.Ambos fazem cópias perfeitas,são ambos grandes artistas,mas mal aproveitados.Remoneda também tem catálogo e faz cópias em número muito limitado e diz-se colectado nas finanças como artifice de cópias e réplicas que neste momento já são marcadas.

Essa eu não sabia!
Depois de um tempo eu pensei um pouco e mudei minha opinião sobre essas cópias.
Rodrigo Leite

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Mensagempor jfialho » domingo ago 22, 2010 7:46 pm

É muito complicado Rodrigo.Ninguém te pode impedir de copiares ou fazer uma réplica seja do que for.O que é ilicito é o ato de tentativa de logro,isto é fazer passar a peça por verdadeira.Normalmente quem fabrica diz que é cópia,quem compra,sabendo que é copia,não é enganado.Pode é ir enganar outro,e isto é uma bola de neve.Quantas moedas estão em museus e em coleccionadores como verdadeiras e são falsas?É a velha estória da luta entre o Bem(verdadeiro) e o Mal(falso),umas vezes ganha o mal outras o bem e por cá vamos andando na nossa luta.
Um abraço
jfialho


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