Ser ou não ser, eis a questão

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Ser ou não ser, eis a questão

#1 Mensagem por |v » terça abr 13, 2010 11:02 pm

Se hoje me saíssem 100 milhões de euros no euro-milhões eu não conseguia comprar o Índio, de D. Manuel I, porque só existe uma no mundo e encontra-se no Museu Histórico Nacional do Brasil. Sem todo esse dinheiro, também não consegui comprar a Conceição, de D. João IV. Em opção adquiri uma medalha, que é uma réplica "exacta" daquela moeda. A minha colecção de moedas comemorativas portuguesas nunca ficará completa ! Há buracos que nunca serão tapados !

Não pretendo entrar em polémicas sobre este tema. Tenho lido com muito interesse tudo o que aqui tem sido escrito a propósito das réplicas chinesas e outras, da praga que constituem e dos malefícios que trazem à numismática. Concordo com tudo isso. Mas deixo aqui uma questão para reflexão:

Será ou não legítimo a aquisição de uma réplica para "substituir, tomar o lugar de, fazer as vezes de" uma moeda que sabemos antecipadamente que nunca poderemos adquirir ?


J. Valério

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rodrigoleite
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#2 Mensagem por rodrigoleite » terça abr 13, 2010 11:04 pm

Eu sou a favor de Réplicas, pois elas "tapam o buraco" na coleção. Elas tem que ter a sobrecarga "COPY" ou "REPLICA".
Não sou a favor de moedas FALSAS, ou seja, com intuito deliberado de enganar o numismata.
Rodrigo Leite

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#3 Mensagem por josape » terça abr 13, 2010 11:07 pm

Vamos ter sempre buracos na coleção, e para os "tapar" sou da opinião do Rodrigo Leite.
José Pereira

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#4 Mensagem por A.Teixeira » terça abr 13, 2010 11:09 pm

Bem eu também concordo com o que o Rodrigo diz.
Cumprimentos

Alexandre Teixeira

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#5 Mensagem por doliveirarod » terça abr 13, 2010 11:36 pm

Sou contra por um motivo muito prático: O sujeito que faz a réplica com o carimbo "COPY", acaba por produzi-la sem o dito carimbo, e vai desenvolvendo tecnologia para fazer réplicas cada vez mais perfeitas, pq vai encontrando mercado.

P/ mim, tudo é lixo, quem tem uma falsa/réplica não tem nada na mão. Rejeito tudo que não é verdadeiro (exceção das falsas de época).
Qto aos buracos, paciÊncia, alguns não têm jeito, e não é a réplica que dará solução.

Lembrem-se: Jogar dinheiro nesse mercado, seja lá a que título for, poderá ser um tiro futuro no próprio pé.
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Re: Ser ou não ser, eis a questão

#6 Mensagem por |v » terça abr 13, 2010 11:47 pm

doliveirarod Escreveu:P/ mim, tudo é lixo, quem tem uma falsa/réplica não tem nada na mão. Rejeito tudo que não é verdadeiro (exceção das falsas de época).
Se é tudo lixo e rejeita tudo o que não é verdadeiro, como explica essa contradição, que é aceitar as falsas da época ? Para mim, falsa (seja de que época for), não é verdadeira, logo é de rejeitar igualmente !
J. Valério

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Guerras84
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Re: Ser ou não ser, eis a questão

#7 Mensagem por Guerras84 » terça abr 13, 2010 11:54 pm

....e que tal uma colecção de réplicas??????? Pelo meio podemos optar por colocar umas moedas verdadeiras, por exemplo, de todas aquelas que são muito comuns e mais baratinhas que a sua própria réplica....
Parece-me que nesta matéria não há lugar para o meio termo! SÓ MOEDAS VERDADEIRAS :thumbs:
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#8 Mensagem por rodrigoleite » terça abr 13, 2010 11:58 pm

Eu aceito todas as opiniões, mas acho que RÉPLICAS são diferentes de moedas FALSAS.
Sobre o raciocínio do Fabiano, se as pessoas começarem a comprar mais RÉPLICAS, eles verão que as RÉPLICAS estão tendo mais saída que as FALSAS, e por conseguinte as RÉPLICAS seriam mais lucrativas.
Última edição por rodrigoleite em terça abr 13, 2010 11:59 pm, editado 1 vez no total.
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#9 Mensagem por MCarvalho » quarta abr 14, 2010 12:01 am

Bom, comprar falsas actuais acaba por ser, mesmo indirectamente, um incentivo aos falsários para fazerem mais, enquanto que as falsas da época acabam por ser curiosidades históricas.

Quanto à questão principal, eu acho que prefiro um buraco a uma cópia. Não sinto essa necessidade de ter que ter todas as moedas, aliás, apesar de parecer uma fantasia, nunca saberemos se um dia não nos irá aparecer uma raridade genuína nas mãos? ;)

Deixaria no entanto uma reserva em relação às reproduções: não gosto delas, nunca as misturaria com o material bom, mas reconheço que poderão ser úteis enquanto material de estudo. Nem sempre o acesso a moedas verdadeiras está disponível, por vezes é necessário recorrer a cópias. Quando estava a estudar, (e já lá vão mais de 15 anos), eram usadas cópias de moedas romanas (das colecções do Museu de Conímbriga, lembro-me bem) para estudarmos. É claro que também recorríamos a material genuíno, mas nem sempre estava disponível.
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Re: Ser ou não ser, eis a questão

#10 Mensagem por doliveirarod » quarta abr 14, 2010 12:49 am

Sobre o raciocínio do Fabiano, se as pessoas começarem a comprar mais RÉPLICAS, eles verão que as RÉPLICAS estão tendo mais saída que as FALSAS, e por conseguinte as RÉPLICAS seriam mais lucrativas.
Acho que essa posição é algo ingênua...
O que a prática mostra é o seguinte: Os chineses (exemplo mais a mão) tentam cada vez mais chegar na cópia perfeita, e oficialmente, vendem suas cópias com o carimbo "RÉPLICA". Mas qualquer um sabe que basta pedir, e teremos as mesmas moedas sem os carimbos, que são passadas como autênticas depois de devidamente "maquiadas"... A "tecnologia da réplica" é estimulada pela procura, e assim, claro que vai avançar, não interessa se vendendo réplicas ou as falsas que surgirão em decorrência desse "desenvolvimento".

O problema está aí. Quanto mais se joga dinheiro nesse mercado, mais se estimula a busca da "réplica perfeita" (que ainda não apareceu, espero que nunca apareça, mas "evoluiu"). Se a réplica sai convincente e com boa qualidade, é uma grande inocÊncia imaginar que ninguém vai jogá-la no mercado de falsificações. Ou seja: É como criar um filhote de serpente e ir alimentando o bicho. Uma hora ele poderá morder-lhe o pé.

Outra: O "mercado de réplicas" tem um objetivo claro na maioria das vezes: A busca da falsificação convincente.

Agora, claro, cada um faz o que quer com seu rico dinheirinho, se quer gastá-lo comprando imitações sem valor, paciência, mas isso tem uma consequÊncia.

Quanto às falsas de época, claro que é matéria totalmente diferente! Elas circularam, não foram feitas visando colecionismo, e sim o próprio giro monetário. São falsas, mas têm história, são curiosidades (embora não cheguem nunca sequer perto de ter o valor de uma autÊntica).

Resumindo: Na minha opinião, tudo que seja feito para colecionador que não seja autÊntico, é lixo, é perigoso e péssimo investimento.
Última edição por doliveirarod em quarta abr 14, 2010 1:15 am, editado 2 vezes no total.
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