1932 500 réis, "coletinho"

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fcar
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#11 Mensagem por fcar » segunda jan 13, 2020 5:31 am

gil costa Escreveu:
sábado jan 11, 2020 7:26 pm
Se o peso não está certo, qual é a dúvida?
a minha balança não é confiável.



Pedro Leg
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#12 Mensagem por Pedro Leg » segunda jan 13, 2020 7:02 am

Balança chinesa ? :)
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gil costa
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#13 Mensagem por gil costa » segunda jan 13, 2020 5:44 pm

@fcar:
Experimente com 1 cêntimo (2,30 g) a ver quantas vezes é preciso pesar para começar a dar certo.
Por exemplo, pesa o cêntimo 5 vezes e faz a média. Se ainda houver erro, pesa 10 vezes e vê se começa a dar certo ou se é mesmo maluca.
Talvez haja um número que elimine o erro...
Estou a pensar nisto porque também quero comprar uma e pensava que eram boas :-(

E se puder diga-me qual é a balança para eu escolher outra, não vá eu acertar logo na mesma!
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Todas as minhas moedas são para vender. As moedas e o resto dos achados. :-) Ou dar. Também já aconteceu.

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erezende
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#14 Mensagem por erezende » sábado jan 18, 2020 2:04 pm

doliveirarod Escreveu:
segunda jan 13, 2020 4:11 am
A peça de roupa ilustrada na numisma é um GIBÃO, não é um COLETE. O Gibão é uma peça de roupa acolchoada, geralmente em couro bem grosso, com ou sem mangas, e tem como função principal proteger o bandeirante
Exato. Esse nome "coletinho" foi dado por quem não sabe e acabou pegando, mas é isso mesmo, um gibão de bandeirante paulista.
"No meu tempo" era conhecida popularmente como casaquinha. Já vi, também, chamarem de camisolão. "Coletinho" é coisa de agora.
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MCarvalho
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#15 Mensagem por MCarvalho » sábado jan 18, 2020 5:14 pm

erezende Escreveu:
sábado jan 18, 2020 2:04 pm
doliveirarod Escreveu:
segunda jan 13, 2020 4:11 am
A peça de roupa ilustrada na numisma é um GIBÃO, não é um COLETE. O Gibão é uma peça de roupa acolchoada, geralmente em couro bem grosso, com ou sem mangas, e tem como função principal proteger o bandeirante
Exato. Esse nome "coletinho" foi dado por quem não sabe e acabou pegando, mas é isso mesmo, um gibão de bandeirante paulista.
"No meu tempo" era conhecida popularmente como casaquinha. Já vi, também, chamarem de camisolão. "Coletinho" é coisa de agora.
A terminologia popular por vezes sobrepõe-se aos termos exactos. Tal como a terminologia pseudo-erudita se tenta sobrepor à terminologia popular.

O importante, para mim, não é fazer correcções ou revisões, é fazer pedagogia e explicar tranquilamente as coisas.

Neste caso, a peça representada, é um laudel ou loudel. Uma espécie de colete alcochoado ou em couro que servia de protecção. Na Europa era originalmente usado por baixo das placas de armadura. Nas Américas e em África, por questões de praticidade, passou a ser usado isoladamente. Tal como os bandeirantes o usaram.

O gibão é outra coisa. É um casaco curto cintado, com mangas e em tecido (vai de lã tingida a seda e veludo, conforme a classe social e a cerimónia). Era uma peça de vestuário civil, sem função de defesa.
MCarvalho

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fcar
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#16 Mensagem por fcar » sábado jan 18, 2020 5:33 pm

Pedro Leg Escreveu:
segunda jan 13, 2020 7:02 am
Balança chinesa ? :)
gil costa Escreveu:
segunda jan 13, 2020 5:44 pm
@fcar:
Experimente com 1 cêntimo (2,30 g) a ver quantas vezes é preciso pesar para começar a dar certo.
Por exemplo, pesa o cêntimo 5 vezes e faz a média. Se ainda houver erro, pesa 10 vezes e vê se começa a dar certo ou se é mesmo maluca.
Talvez haja um número que elimine o erro...
Estou a pensar nisto porque também quero comprar uma e pensava que eram boas :-(

E se puder diga-me qual é a balança para eu escolher outra, não vá eu acertar logo na mesma!
sim, igual as lupas que tenho aqui, tudo da china, a próxima balança será da china também com dois dígitos após a vírgula (a minha tem só um dígito).

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RBNumis
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#17 Mensagem por RBNumis » sábado jan 25, 2020 5:55 am

Eu não ia postar mais, porém o dedo coça... rss...

Mesmo 80 anos depois de ser lançada, e com apenas 34.000 produzidas, essa é uma moeda MUITO COMUM, facilmente encontrada. Solte um grito no facebook, nos grupos onde estão os grandes comerciantes, dizendo que quer essa moeda. Vão aparecer dezenas. Tenho notícia (no caso, tenho foto e tenho VÍDEO) de dois comerciantes que tem uma pasta de moedas cheia, SOMENTE com essa moeda.

Temos que pensar naquilo que REALMENTE é raro. Pois, vejamos: Como disse, essa crispeta em questão tem 34.000 clones. O que esse número quer dizer EXATAMENTE em termos numismáticos? É pouco, ou é muito? Depende da FINALIDADE a que a peça foi cunhada. Como disse no post anterior, essa, específica, de 500 réis, não foi distribuída como troco nos bancos, como o foram as demais da série. Foi cunhada exclusivamente para os colecionadores. Foram COMPRADAS, e GUARDADAS EM COLEÇÕES, 100% delas.

É como fizeram recentemente, com as moedas brasileiras de 1 Real das Olimpiadas 2016. Pro povão, circulou a cunhagem ordinária, 20 milhões de cada modalidade olímpica. Pros colecionadores, teve o blister com a cunhagem brilliant uncirculated, tiragem de 20.000 cada modalidade e facilmente encontráveis mesmo passados 4 anos do evento (vão passar 100, 150 anos, e todas continuarão comuns, mesmo que alguns comerciantes tentem hoje esconder o blister da moeda do Futebol, cedo ou tarde ocorre uma grande desova e o preço desaba novamente).

Então, 34.000 cunhadas com fins de coleção (e não de circulação) é moeda pra caramba. Aquelas que as vezes encontramos em estado de conservação SOB ou MBC, e as vezes até abaixo disso, não estão gastas por manuseio de circulação, e sim por DESLEIXO E FALTA DE CONHECIMENTO de pretensos numismatas que não souberam armazenar corretamente a peça, que ficaram pegando toda hora com a mãozona suja, oleosa e ensebada, deixando cair ao chão, esfregando panos, polindo pra deixa-la brilhante (é latão, então cria aquela pátina fosca e sem brilho em pouco tempo, que os numismatas de outrora detestavam), limpando-nas com ácido nítrico, escovando com escova de latão, e pasme: até mesmo lixas de lixar paredes usavam (também tenho vídeo disso, embora seja com um cobre colonial - o que é pior ainda...).

Se fossem 34.000, e destinadas a circulação comum, pro povão, aí a história muda radicalmente. Aí até eu ia querer! Essa peça teria desaparecido do mercado ainda em 1932, no mesmo dia do lançamento. Hoje, em 2020, seria raramente ofertada, e a preços realmente estratosféricos.

Pra finalizar, vou falar um ponto positivo pra essa peça, só pra não dizer que só falei mal... rss.. Essa moeda pelo menos é de latão (bronze-alumínio) maciço, o que significa que, bem cuidada e armazenada em condições adequadas, e se não for enterrada, ainda estará em ótimas condições para daqui 1.000 ou 2.000 anos. Poderá até mesmo permanecer flor de cunho.

Pior quem perde tempo com essa crispeta, é o colecionador de Plano Real. As moedas atuais, eletro-revestidas com uma camada finíssima de latão ou cobre, já oxidam sozinhas mesmo, sem ao menos tocarmos nelas. Uma mínima raspagem desse eletro-revestimento, mesmo uma batidinha em outras moedas, ainda dentro do sachê lacrado, pode ser suficiente pra expor um pedacinho minúsculo do aço-carbono que está por baixo desse revestimento. E isso é o suficiente pra uma minúscula gota de umidade do ar penetrar e corroer a peça por inteiro. As atuais moedas do Plano Real não conseguirão chegar - acredito eu - nem mesmo ao final DESTE século XXI sem estarem detonadas, por mais bem armazenadas que estejam, por melhor que seja o holder ou cápsula. É o PIOR investimento numismático que pode ser feito, e ainda sofre igualmente com especulações: Moeda 1 Real do JK, pedem R$ 70. Moeda de 5 centavos de 2008, querem R$ 100! 10 centavos de 1999, então, é do preço de um patacão de 960 réis de Prata de 200 anos de idade. Uma LOUCURA.

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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#18 Mensagem por RBNumis » sábado jan 25, 2020 6:06 am

Sobre a balança: A minha é da Leuchtturm, própria para numismática, com 2 casas decimais. Custou caro, hoje deve estar na faixa de uns R$ 200. Mas sei que vai durar muitos e longos anos. Não confio em balança genérica baratinha chinesa, essas não são tão precisas, e pifam rápido.

A questão sobre ser gibão, colete, camisola, laudel, ou o diabo que for, tem um motivo MUITO prático específico pra essa moeda: É que se o numismata mentaliza a imagem de um gibão, especialmente seu acolchoamento, bem fofinho mesmo, que não vai existir em um mero colete, não vai esquecer nunca mais. A importância disso é que nas moedas originais, o gibão está representado realmente acolchoado, dá pra ver e sentir isso na moeda, e em boa parte das falsificações feitas décadas atrás aqui no brasil, elas estão retas e lisas, como se fosse um mero colete apenas pintado de xadrez, ou seja, sem o auto-relevo, ou com o auto-relevo tão mínimo, que é quase imperceptível.

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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#19 Mensagem por RBNumis » sábado jan 25, 2020 6:15 am

Como disse o amigo, é mesmo um "Ouro de Otário", e LITERALMENTE!!!

Senão vejamos: A cotação do Au (Ouro) hoje, 25-JAN-2020, está em R$ 210 o grama. A moeda em questão pesa 4 gramas, o que dá, pelo peso, R$ 840, praticamente o mesmo valor pela qual a moeda é vendida hoje no comércio numismático, como se de ouro fosse.

[ Claro que, na ciência numismática, o metal em si as vezes pode não ser tão importante - há moedas de cobre ou prata que valem muito mais do que de ouro - mas foi uma analogia, apenas pra diversão ;-) ]

AdrianoHS
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Re: 1932 500 réis, "coletinho"

#20 Mensagem por AdrianoHS » domingo jan 26, 2020 2:09 am

Olá.

Ainda que se comprove a destinação de, incríveis, 100% dessa emissão para mãos de colecionadores/comerciantes. Circularam, seja por qual motivo for. Facilmente constatável por diversas peças claramente circuladas e corriqueiras no mercado além dos preçários antigos e atuais assinalarem valores para elas em todo espectro de ECs, pois existem em números razoáveis, sabidamente legítimas.
Flexionando a questão, sendo um investimento de colecionadores/comerciantes da época não faz sentido algum uma armazenagem incorreta de seus estoques (ainda que desproposital ou por ignorância no trato, improvável) causar desgaste de circulação, afinal o objetivo é lucro, investimento futuro e os conceitos para guarda e limpeza serem consolidados à bastante tempo. Ainda que ficassem anos com seu investimento sendo bolinados por dedos sujos para algum dia manipular o mercado, diversos acervos/estoques diferentes agiram com mesmo descaso? A não ser que marcas de desgaste sejam um atributo que valorize especular mais ainda a pobre moedinha, rs.
A melhor explicação para muitas dessas peças aparecerem circuladas é porque, simplesmente, circularam. E não somente comerciantes inaptos/pseudo colecionadores que comiam pastéis gordurosos perto de solventes e flanelas enquanto apreciavam seu péssimo investimento (pois tratando suas mercadorias assim os fariam agentes do ramo falidos) por anos.

Abraços
:beer: :thumbs:

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